Natália Bérgamo Pascucci e Luiz Eduardo Auricchio Bottura tiveram prisões preventivas decretadas pela Justiça de SP por suspeita de associação criminosa, denunciação caluniosa e calúnia.
A advogada Natália Bérgamo Pascucci, que representa o empresário Luiz Eduardo Auricchio Bottura, teve o exercício profissional suspenso pela OAB, segundo apurado pelo g1.
Natália e Bottura tiveram a prisão preventiva decretada pela 21ª Vara Criminal Central de São Paulo em 11 de setembro. A decisão, assinada pelo juiz Gustavo Comin Otaviano, aponta suspeitas de prática dos crimes previstos nos artigos 288, 339 e 138 do Código Penal: associação criminosa, denunciação caluniosa e calúnia.
No caso da advogada, o mandado estabelece que eventual prisão deverá ocorrer em Sala de Estado-Maior ou, na ausência desse espaço, em prisão domiciliar. A decisão também determina a comunicação às seccionais da OAB de São Paulo e do Distrito Federal.
Procurada, a OAB não havia se manifestado até a publicação da reportagem. A defesa de Natália e Bottura também foi procurada.
Bottura ficou conhecido como “rei dos processos” e é investigado por suspeita de aplicar golpes em cerca de 500 pessoas no Brasil. Segundo o Ministério Público, ele teria utilizado demandas judiciais para supostamente fraudar indenizações, coagir advogados e intimidar autoridades.
Em 2024, a Justiça de São Paulo decretou sua prisão preventiva. O empresário deixou o Brasil e seguiu para a Itália, onde seu nome foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol.
Em 2025, Bottura foi localizado e preso pela Guardia di Finanza em Selvazzano Dentro, na região do Vêneto. Ele dirigia uma Maserati GranCabrio avaliada em aproximadamente R$ 1 milhão.
Segundo as autoridades italianas, a localização ocorreu após investigação sobre movimentações financeiras consideradas suspeitas. Bottura foi encaminhado à prisão de Pádua e ficou à disposição da Corte de Apelação de Veneza.
O Brasil solicitou sua extradição, mas a Justiça italiana rejeitou o pedido. Conforme apurado pelo g1, não houve recurso da decisão brasileira, e Bottura permaneceu na Itália.
Em março deste ano, o programa Fantástico localizou o empresário novamente em Selvazzano Dentro. Natália o acompanhava. Questionado sobre as acusações, Bottura negou as imputações.
Com a permanência do empresário na Itália, a Justiça paulista expediu nova ordem de prisão preventiva e determinou seu encaminhamento à Polícia Federal para inclusão na Difusão Vermelha da Interpol.
O mecanismo é utilizado para localizar pessoas procuradas internacionalmente e solicitar sua prisão provisória com vistas a procedimentos de extradição ou medidas semelhantes.
A inclusão na Difusão Vermelha, contudo, não constitui ordem de prisão automaticamente válida em todos os países. Eventual detenção depende da legislação e da atuação das autoridades do país em que o procurado for localizado.
A nova decisão também alcança Natália Bérgamo Pascucci.
O mandado não detalha os fatos que deram origem às imputações nem apresenta, no documento mencionado, a fundamentação específica utilizada pelo juízo para decretar as prisões preventivas.
Com informações do g1