| 28 julho, 2026 - 13:00

Biomédica relata abusos e recorre à Justiça para retirar nome da mãe de documentos

 

Heloísa sustentou que a retirada da filiação materna era essencial para romper os vínculos jurídicos com uma infância marcada, segundo ela, por agressões físicas, negligência e violência sexual.

Foto: Reprodução/Rede Globo

Após um vídeo em que relata ter sofrido violência, maus-tratos e abusos sexuais na infância ultrapassar 1 milhão de visualizações, Heloísa Rodrigues, 28, ganhou projeção nacional ao expor a disputa judicial para retirar o nome da mãe de seus documentos.

A biomédica afirma que a medida representa o rompimento definitivo com o passado. A Justiça reconheceu que ela foi submetida a “abusos, negligência e crueldade”, mas negou o pedido por entender que a legislação brasileira não permite excluir a filiação biológica dos registros civis.

Moradora de São Paulo, Heloísa nasceu como Larissa e, em 2024, conseguiu alterar o prenome e retirar o sobrenome materno. No mesmo processo, porém, teve negado o pedido para excluir o nome da mãe e dos avós maternos da certidão de nascimento e dos demais registros.

Na ação, Heloísa sustentou que a retirada da filiação materna era essencial para romper os vínculos jurídicos com uma infância marcada, segundo ela, por agressões físicas, negligência e violência sexual. A mãe foi citada, mas não apresentou contestação.

Na sentença, de 1º de dezembro de 2025, o juiz reconheceu os abusos relatados e citou um estudo psicológico que relaciona o sofrimento da autora à figura materna, recomendando a “desvinculação civil” como forma de autopreservação emocional. Ainda assim, entendeu que a exclusão da filiação não encontra respaldo na legislação brasileira, por considerar que o registro civil deve refletir a origem biológica. O magistrado escreveu ainda que Heloísa “pretende apenas apagar a mãe biológica, como que a estivesse matando”.

O trecho motivou o vídeo publicado por Heloísa nas redes sociais. Na gravação, ela questiona a decisão e afirma que as violências sofridas desde os nove anos são comprovadas pelas provas reunidas no processo. A defesa recorreu ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), e o recurso aguarda julgamento.

Segundo Heloísa, a mãe permitia que homens a abusassem sexualmente em troca de dinheiro. Ela também questiona a manutenção do vínculo registral e afirma que seu caso pode abrir precedente.

Os relatos apontam para um histórico de denúncias iniciado na infância. Documentos do Conselho Tutelar registram que, aos 11 anos, ela denunciou agressões contra ela e os irmãos. Anos depois, uma denúncia nas redes sociais levou o Ministério Público a investigar casos de violência sexual. Dois homens citados por Heloísa foram condenados em primeira instância. A mãe foi ouvida apenas como testemunha.

Em 2025, Heloísa apresentou nova denúncia contra a mãe por violência doméstica, conivência com abusos sexuais e perseguição. A Justiça concedeu medida protetiva que determina distância mínima de 500 metros entre as duas. O caso é investigado pela polícia.

Em entrevista ao Fantástico, Patrícia Alves Duque negou as acusações de violência, negligência e conivência com abusos sexuais, além de afirmar que nunca recebeu dinheiro para permitir o contato da filha com homens. Disse ainda que Heloísa inventou as histórias na infância para morar com o pai e negou episódios como o incêndio na cama da filha. Apesar disso, afirmou que não se opõe ao pedido para retirar seu nome dos documentos.

Com informações da Folha de S .Paulo


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