| 21 julho, 2026 - 20:15

Operação Metástase: Justiça ordena prisão de suspeitos de roubo de medicamentos contra câncer

 

As cargas roubadas eram estocadas no Complexo da Maré, na zona norte do Rio, e depois revendidas por meio de empresas de fachada, transportadoras, entregadores e “laranjas”.

Uma quadrilha suspeita de roubar medicamentos contra o câncer e revendê-los a hospitais públicos e privados foi alvo da Operação Metástase, deflagrada nesta terça-feira, 21, pela Polícia Civil do Rio. O esquema movimentou mais de R$ 33 milhões em apenas um ano, entre 2025 e 2026, segundo a investigação. Cinco pessoas foram presas, incluindo Stefano Mantovani Fernandes, apontado como líder da quadrilha, que tem longo histórico de envolvimento em roubos de cargas.

A Polícia Civil descreve a quadrilha como uma “organização criminosa altamente sofisticada e violenta”. O grupo era especializado no roubos de cargas de medicamentos oncológicos e imunossupressores de alto valor de mercado. As cargas roubadas eram estocadas no Complexo da Maré, na zona norte do Rio, e depois revendidas por meio de empresas de fachada, transportadoras, entregadores e “laranjas”.

O grupo chegou a participar de licitações para abastecer hospitais públicos na modalidade de tomada de preços. “Ao oferecer valores inferiores aos praticados pelo mercado regular, o grupo conseguia inserir produtos de origem criminosa na cadeia legítima de fornecimento”, explica a Polícia Civil.

A quadrilha era dividida em quatro núcleos: os roubadores, o logístico-financeiro intermediário, o logístico-financeiro final e o núcleo de suporte territorial, formado por criminosos do Terceiro Comando Puro (TCP), a segunda maior facção do Rio. “A facção criminosa atuava no suporte territorial, fornecendo apoio bélico e proteção ao núcleo de roubadores”, informou a Polícia Civil.

As equipes também identificaram membros do grupo responsáveis por aliciar funcionários de transportadoras para conseguir informações privilegiadas sobre rotas e cargas e uma lista de 25 empresas de fachada, distribuídas entre os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará, envolvidas no esquema.

“O esquema representa uma grave ameaça não apenas ao patrimônio, mas também à saúde pública. Medicamentos oncológicos e imunossupressores exigem rigoroso controle de temperatura e armazenamento durante todo o transporte. Quando mantidos em condições inadequadas, podem perder a eficácia, sofrer contaminação ou até gerar substâncias nocivas”, alertou a Polícia do Rio.

Fonte: Veja


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