| 7 março, 2026 - 08:46

Polícia Federal não vê elementos para investigar relação de Moraes e Daniel Vorcaro

 

Investigadores da PF atribuem os vazamentos exclusivamente a integrantes da CPMI do INSS, que obteve acesso às quebras de sigilo e outros documentos da investigação.

Fotos: Reprodução

A Polícia Federal não vê elementos, até aqui, para investigar a relação entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Por isso, a PF não elaborou nenhum relatório específico a respeito das menções a Moraes encontradas nos celulares apreendidos na Operação Compliance Zero, nem sobre as trocas de mensagens entre ambos apagadas e reveladas pela colunista Malu Gaspar, do GLOBO.

A PF, por ora, prefere se concentrar na apuração dos vazamentos das informações, requerido ao relator do caso Master, ministro André Mendonça, pela defesa de Vorcaro. Mendonça determinou nesta sexta-feira a instauração de um inquérito específico para este fim.

Investigadores da PF atribuem os vazamentos exclusivamente a integrantes da CPMI do INSS, que obteve acesso às quebras de sigilo e outros documentos da investigação por decisão do próprio Mendonça. Na decisão em que manda apurar os vazamentos, o ministro frisa que os jornalistas não serão investigados, pois faz parte de suas prerrogativas o sigilo da fonte de informações.

Na PF, até aqui prevalece o discurso de que os casos de Moraes e de Dias Toffoli são diferentes, o que também justifica a diferença de tratamento dispensado pela instituição. No caso de Toffoli, foi elaborado um relatório minucioso e entregue ao presidente do Supremo, Edson Fachin.

Isso se deveu ao fato de o ministro ser, na ocasião, o relator do caso, e de as investigações terem apontado indícios concretos de relações constantes com Vorcaro, inclusive com transações financeiras com pessoas relacionadas ao caso –que depois foram justificadas por Toffoli como sendo referentes à negociação de cotas de resorts no Paraná em nome da empresa de sua família, a Maridt.

De acordo com investigadores, há até aqui apenas “conjecturas” a respeito de conversas entre Moraes e Vorcaro, que não justificariam uma investigação. Segundo eles, se houver algum “achado” que precise de aprofundamento das investigações, será encaminhado ao relator. Acontece que existem entendimentos de que até para periciar as conversas –e, portanto, “achar” algo relevante– seria necessária autorização do STF, por se tratar de um de seus ministros.

O que se vê, portanto, é um impasse a respeito de como prosseguir diante do que se encontrou até aqui. A decisão de investigar os vazamentos desvia um pouco o foco da principal cobrança hoje da imprensa e da sociedade, que é de esclarecimento a respeito das relações entre Moraes e o Master, que tinha um contrato de R$ 132 milhões com o escritório da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes.

Fonte: Blog da jornalista Vera Magalhães / O Globo


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