| 17 janeiro, 2026 - 12:44

Número de adoções no Rio Grande do Norte tem crescimento de quase 20% em 2025

 

Para 2026, a Coordenadoria Estadual da Infância e da Juventude espera continuar com o planejamento de projetos e ações, a fim de contribuir para a manutenção dos direitos na infância e juventude.

Foto: Divulgação

Considerado um ato de amor, a adoção é uma forma de mudar vidas e construir novos vínculos familiares. No Rio Grande do Norte, cada vez mais crianças e adolescentes estão vivendo essa realidade. Em 2025, foram concluídas 77 adoções, enquanto registrou-se 65 em 2024, revelando um aumento de 18,46% no comparativo entre os dois anos.

Os dados, que foram colhidos até o dia 9 de janeiro, são da Coordenadoria Estadual da Infância e da Juventude (CEIJ) do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN), com base no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), plataforma criada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Os dados da CEIJ/TJRN também apontam um aumento no número de adoções mensal. Em 2025 a média foi de 6,41 adoção por mês, enquanto que em 2024 houve uma média mensal de 5,41 adoções.

Para o coordenador Estadual da Infância e Juventude, juiz José Dantas de Paiva (foto), o aumento no número de adoções de crianças e adolescentes no Estado potiguar está ligado a vários fatores. “Os meios de articulação com a sociedade civil organizada e a rede de proteção, a realização da Semana da Adoção, além dos cursos ofertados para os pretendentes à adoção”, destaca o magistrado.

Para 2026, a Coordenadoria Estadual da Infância e da Juventude espera continuar com o planejamento de projetos e ações, a fim de contribuir para a manutenção dos direitos na infância e juventude. Os próximos passos estão relacionados à organização da XII Semana Estadual da Adoção, e a realização de um encontro entre pretendentes e acolhidos.

Há, ainda, a estimativa da formação de, pelo menos, oito turmas de preparação psicossocial e jurídica para a adoção, bem como a oferta de três turmas de capacitação sobre adoção para magistrados, servidores das unidades judiciárias e equipe técnica da infância e juventude, como meio de qualificar o trabalho com a temática no Rio Grande do Norte e alinhar a fundamentação legal e os processos de trabalho.

De acordo com os dados da CEIJ, o Rio Grande do Norte conta com 243 crianças e adolescentes acolhidos, dentre estes, 52 estão aptos para adoção e 48 encontram-se em processo de adoção. Os números revelam ainda que 57,4%, das crianças e adolescentes aptos à adoção são predominantemente pardos, seguido pelas etnias branca (10%) e preta (5,6%), além de que 26,1% não souberam informar. As estatísticas demonstram, ainda, que a maioria dos acolhidos são do gênero feminino, o que corresponde a 51,2%, percentual superior ao gênero masculino, que representa 48,8%.

O grande contraste entre perfil de acolhidos e a tendência de adoção no Estado potiguar está na categoria da faixa etária e de grupo de irmãos, já que conforme os números, no Rio Grande do Norte mais de 130 crianças e adolescentes fazem parte do grupo de irmãos, e mais de 200 acolhidos estão na faixa etária acima de dois anos de idade. Portanto, a sensibilização em relação à adoção de grupos de irmãos e de crianças mais velhas e adolescentes deve fazer parte das estratégias da CEIJ, visto que, os pretendentes concentram-se em crianças pequenas e sem irmãos, enquanto os acolhidos no Rio Grande do Norte, são majoritariamente mais velhos e com irmãos.

Outro ponto que pode servir de comparativo entre os anos de 2024 e 2025 está relacionado ao perfil desejado entre os pretendentes ativos, em que a diversidade foi um aspecto que tem ganhado maior aceitação entre os habilitados. De acordo com representantes da CEIJ, o padrão de base ainda é considerado restritivo, e embora a maioria dos pretendentes ainda não aceite esses perfis, a tendência é de abertura gradual, especialmente para condições historicamente mais rejeitadas.

Dessa forma, apesar do crescimento de quase 20% no número de adoções concluídas de 2024 para 2025, o juiz José Dantas de Paiva observa a presença de entraves que ainda são enfrentados no Rio Grande do Norte. “Os desafios ainda são os mesmos, de sempre. Para isso, se faz necessário conscientizar a sociedade das adoções necessárias, que são as adoções tardias (crianças em faixa etária acima de dois anos de idade, interraciais, grupos de irmãos, e de crianças ou adolescentes com algum tipo de deficiência”, esclareceu o magistrado.

Fonte: TJRN


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