
Vice-líder da oposição, o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) disse à CNN que a denúncia de influenciadores de que foram procurados por agências para fazer publicações contrárias à liquidação do Banco Master pelo Banco Central reforça a necessidade de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito).
Segundo o parlamentar, o pedido para a abertura de uma comissão de investigação já reúne 232 assinaturas, com o apoio de 34 senadores e 198 deputados.
Na avaliação de Jordy, o caso dos influenciadores pode ser usado como um fato determinado, o que pode obrigar a instalação da comissão. O receio era que o pedido fosse rejeitado pela cúpula do Congresso com o argumento de não ter um evento específico e concreto.
“Essas denúncias são um elemento novo importante para a gente avançar nas investigações e não deixar o assunto morrer”, disse o deputado, afirmando que os influenciadores podem ser chamados a depor.
As denúncias foram feitas por Rony Gabriel, vereador de Erechim (RS) pelo PL, e pela jornalista Juliana Moreira Leite, ambos influenciadores de direita. Ele tem cerca de 1,7 milhão de seguidores no Instagram, enquanto ela é acompanhada por 1,4 milhão de pessoas na plataforma.
“Essas denúncias demonstram que há uma força-tarefa por parte do grupo de (Daniel) Vorcaro para fomentar o sistema no caso do TCU (Tribunal de Contas da União) e fazer alguma ação no sentido de ou anulação da liquidação ou anulação do processo dele no STF”, afirmou Jordy.
Em uma publicação nas redes sociais, Rony revelou ter sido procurado no dia 20 de dezembro por um representante de uma empresa para fazer o “gerenciamento de reputação e gestão de crise para um grande executivo”.
No contato, o representante da agência UNLTD Brasil dizia estar “contratando perfis que se posicionam para nos ajudar nessa disputa política em que estamos travando contra o sistema”. E reforça: “É um caso de repercussão nacional. Gente grande. Esquerda e centrão envolvidos”.
Ao fazer a proposta, o representante, em conversa com um assessor do vereador, disse que precisava assinar um contrato de confidencialidade para avançar nos detalhes. A multa por romper o sigilo é de R$ 800 mil.
No documento a que a CNN teve acesso, a proposta é denominada “Projeto DV”. Para o vereador, as iniciais correspondem ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
“Para mim, a proposta era para criar uma narrativa de que o Master é uma vítima do Banco Central e dizer que a liquidação foi feita de forma muito rápida. Se ninguém abrisse a boca, a investigação não iria avançar”, disse Rony à CNN. Segundo ele, a proposta era milionária, embora afirme não ter negociado valores.
A jornalista e influenciadora Juliana Moreira Leite também afirmou ter sido procurada pela empresa Portal Group BR com uma proposta similar. A CNN teve acesso a áudio e print da abordagem.
No áudio, o representante da agência dizia ter um cliente que precisa divulgar várias matérias “no âmbito político e financeiro”. Ele manda também um print de uma reportagem que diz que “o TCU vê indícios de precipitação em liquidação e dá 72 horas para o BC se explicar”. De acordo com o representante, o intuito seria o de propagar matérias como essa para alcançar mais pessoas.
“Eu não aceitei. Eu me senti enojada, mas depois vi muitas publicações nesse sentido fazendo esse trabalho. Não posso afirmar que receberam dinheiro”, disse à CNN.
Procurada, a UNLTD Brasil afirmou “não ter contrato com o Banco Master”. Já o Portal Group BR disse ser uma agência contratada por outra agência “apenas para a indicação de influenciadores”. E acrescentou que “nenhum dos influenciadores por nós agenciados possui qualquer contrato, vínculo ou obrigação relacionada ao escopo mencionado na matéria”.
A CNN Brasil procurou o Banco Central e o Banco Master para obter esclarecimentos, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.
Em nota, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) afirmou que, no fim de dezembro, “foi identificado um volume atípico de menções à entidade e a seus representantes, associadas ao noticiário sobre a liquidação de uma instituição financeira”.
A federação informou que analisa se esse movimento pode caracterizar um eventual ataque coordenado e observa que, nos últimos dias, houve redução significativa desse volume.
A Febraban esclareceu ainda que não faz monitoramentos específicos sobre postagens envolvendo outras instituições ou autoridades, como o Banco Central e seus dirigentes. Os levantamentos realizados são “para consumo interno e não são divulgados”.
Fonte: CNN