| 31 agosto, 2026 - 20:58

Mãe do menino Miguel se forma em direito e leva foto do filho à cerimônia no Recife

 

Miguel Otávio Santana da Silva morreu em 2 de junho de 2020, aos 5 anos, após cair do nono andar de um edifício de luxo no bairro de São José, na região central do Recife.

Foto: Reprodução/ Instagram / @mirtesrenata

Mirtes Renata Santana, mãe de Miguel Otávio, concluiu a graduação em Direito e homenageou o filho durante a cerimônia de formatura, realizada no sábado (29), no Recife.

Ao entrar no salão, Mirtes carregava um porta-retrato com uma fotografia do menino. O momento foi acompanhado pela música Maria, Maria, de Milton Nascimento e Fernando Brant.

Imagens de Miguel também foram projetadas no telão da cerimônia. De pé, os convidados acompanharam a homenagem e aplaudiram Mirtes enquanto ela atravessava o salão.

A formanda entrou acompanhada da mãe, Marta Santana, da irmã, Fabiana Patrícia, e de duas amigas. A presença da família marcou a conclusão de uma trajetória iniciada após a morte de Miguel, em 2020.

Mirtes decidiu cursar Direito depois de perder o filho e passou a associar a formação acadêmica à busca por justiça e à defesa de pessoas em situação de vulnerabilidade.

“Foi uma caminhada muito difícil, marcada por muita dor, muitos desafios. Muitas vezes pensei que não ia conseguir chegar até essa data, mas Miguel sempre foi o meu propósito para continuar. Cada passo dessa caminhada é sobre ele, é para honrar ele”, afirmou.

Em 2025, Mirtes obteve nota máxima no trabalho de conclusão de curso (TCC). O estudo abordou a escravidão contemporânea e as violações enfrentadas por trabalhadoras domésticas no Brasil.

Miguel Otávio Santana da Silva morreu em 2 de junho de 2020, aos 5 anos, após cair do nono andar de um edifício de luxo no bairro de São José, na região central do Recife.

Naquele dia, Mirtes trabalhava como empregada doméstica e havia saído para passear com os cachorros dos patrões. Miguel permaneceu no apartamento sob os cuidados de Sarí Corte Real, então empregadora de Mirtes.

Imagens das câmeras de segurança registraram o menino entrando sozinho no elevador. Ele chegou ao nono andar, acessou uma área técnica do prédio e caiu de uma altura de aproximadamente 35 metros.

Sarí Corte Real foi condenada por abandono de incapaz com resultado morte. Em maio de 2026, a Seção Criminal do Tribunal de Justiça de Pernambuco manteve a pena de sete anos de prisão, em regime inicial fechado.

A condenada, no entanto, permanece respondendo ao processo em liberdade enquanto ainda houver possibilidade de recurso.

Com informações do portal Terra


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