| 18 março, 2026 - 09:24

Suspeita de desvio no INSS leva Polícia Federal a investigar agência de viagens

 

As informações estão descritas em um relatório de análise da PF sobre a movimentação financeira, obtido com exclusividade pelo Estadão.

Foto: Instagram/ @roberta.luchsinger

A Polícia Federal investiga se recursos provenientes do desvio de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tiveram como beneficiário final uma agência de viagens usada por Fábio Luís Lula da Silva, o filho mais velho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O caminho do dinheiro foi detectado na análise das transferências bancárias do empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, preso pela PF por suspeita de comandar um esquema bilionário de desvios nas aposentadorias, para a empresária Roberta Luchsinger, amiga próxima de Lulinha, e outras transações feitas em seguida.

Procurada, a defesa de Lulinha afirmou que essa agência é responsável por emitir todas as viagens da empresária Roberta Luchsinger e da família dela e que as afirmações da PF seriam mais uma tentativa “indevida” de incriminar o filho do presidente. Disse ainda que Lulinha se colocou à disposição do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça para prestar esclarecimentos e reiterou não ter relação direta nem indireta com os fatos investigados sobre o INSS.

As informações estão descritas em um relatório de análise da PF sobre a movimentação financeira, obtido com exclusividade pelo Estadão.

Esses fatos ainda são considerados preliminares e estão sob apuração a partir da quebra de sigilo bancário de todos os personagens envolvidos, incluindo Lulinha. Os indícios deverão ser aprofundados com outros elementos de prova. A PF ainda não identificou, por exemplo, quantos voos teriam sido pagos a Lulinha por meio da agência de Roberta e nem as datas desses voos.

A PF identificou que, no mesmo período em que Roberta recebeu ao menos R$ 1,1 milhão do Careca do INSS, ela pagou R$ 640 mil para uma agência de viagens que, de acordo com a PF, era usada por Lulinha. O contato dessa agência, a Vulcano Viagens, consta vinculado ao cadastro de Lulinha no sistema de tráfego aéreo da PF, o que demonstra que já foram emitidos bilhetes aéreos para ele com o cadastro do e-mail da agência.

Na análise dos investigadores, essa movimentação financeira corrobora o depoimento prestado por Edson Claro, um ex-funcionário do Careca do INSS que afirmou ter ouvido dizer que o empresário pagava uma mesada a Lulinha e bancou despesas de viagens do filho do ex-presidente. Na quebra de sigilo bancário de Lulinha, não aparecem registros diretos de pagamentos do Careca do INSS, mas a suspeita dos investigadores é que os repasses ocorriam por meio de Roberta.

A defesa de Roberta Luchsinger afirmou que a Vulcano é a agência de viagens usada por ela e afirmou ser “natural” que ela possa eventualmente ter emitido passagens para Lulinha, mas que o deslocamento para Portugal alvo da investigação não foi pago por ela. Afirmou ainda que os valores pagos a ela pelo Careca do INSS são “ínfimos” diante dos outros recebimentos dela e que não faria sentido que ela repassasse uma mesada a Lulinha por meio de pagamento de viagens. A defesa do Careca do INSS não se manifestou.

Já a defesa de Lulinha apresentou explicações ao ministro André Mendonça nesta semana e confirmou que o Careca do INSS pagou uma viagem deles a Portugal para conhecer um projeto de implantação de uma fábrica de canabidiol medicinal naquele país, informação antecipada pelo Estadão. No documento, a defesa disse que o negócio não foi concretizado e que Lulinha não recebeu pagamentos do Careca do INSS.

Fonte: Estadão


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