
Em meio à crise de imagem do STF (Supremo Tribunal Federal) devido às repercussões da investigação sobre o Banco Master, o presidente da corte, Edson Fachin, defendeu que magistrados atuem com “saudável distanciamento das partes e dos interesses em jogo”.
A declaração foi dada nesta terça-feira (10), durante reunião com presidentes de tribunais superiores e de segunda instância. Fachin não citou o inquérito sobre as fraudes nem os desgastes que atingem atualmente o ministro Alexandre de Moraes.
“No nosso país, o saudável distanciamento que mantemos das partes e dos interesses em jogo é o que permite, na prática, um mínimo de justiça social. A imparcialidade não é frieza, é condição de possibilidade da equidade”, afirmou Fachin.
“Enquanto ainda não tivermos o mundo que almejamos, precisaremos de juízas e juízes que tenham condições reais de garantir a lei para todos. Para todos, sem exceção”, frisou o presidente do Supremo.
Segundo ele, a Justiça não pode ficar “aprisionada em interesses paroquiais, conveniências econômicas ou cálculos políticos”. As decisões judiciais, continuou o ministro, devem ser sempre fundamentadas e “capazes de sobreviver ao mais impiedoso exame público”.
Na semana passada, vieram à tona mensagens trocadas por Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, no dia em que este foi preso pela primeira vez. O ministro nega ter recebido as mensagens.
Soma-se ao desgaste o contrato de R$ 3,6 milhões mensais que a advogada Viviane Barci, esposa de Moraes, firmou com o banco para representar os interesses da instituição financeira na Justiça. O escritório diz que nunca conduziu causa perante o Supremo.
Fonte: Folha de S.Paulo