| 18 fevereiro, 2026 - 08:38

Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno DTVM

 

O banco herdou cerca de R$ 6 bilhões de CDBs do Master e tentava construir uma carteira de crédito. Porém, não conseguiu fazer uma frente de captação de recursos.

Foto: Divulgação/Banco Pleno

O Banco Central decretou nesta quarta-feira a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno DTVM. As duas instituições faziam parte do grupo do Banco Master e foram vendidas no segundo semestre do ano passado a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.

A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central, segundo o órgão regulador.

De acordo com pessoas com conhecimento no assunto, o BC já vinha acompanhando a situação do banco e mandou cartas à instituição sobre as necessidades que fazer aportes para melhorar as condições de liquidez.

O banco herdou cerca de R$ 6 bilhões de CDBs do Master e tentava construir uma carteira de crédito. Porém, não conseguiu fazer uma frente de captação de recursos e nem vender ativos em quantidade suficiente.

Essa situação levou o banco a ter problemas de caixa e não ter recursos suficientes para honrar seus compromissos, ou seja, pagar os CDBs que vieram do Master e da carteira de credito que foram constituindo.

O Pleno também tinha dificuldades de captação de recursos. No plano de negócios autorizado pelo BC, havia uma restrição para a estratégia de crescimento baseada na distribuição de títulos em plataformas – movimento que permitiu a rápida expansão do Master, sob a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), bastante criticada pelo mercado. Além disso, suas particularidades, como o tamanho pequeno e os problemas reputacionais, eram um empecilho para a captação.

Entre o seus ativos, o banco tinha contratos do Fundo de Compensação das Variações Salariais (FCVS) e o CredCresta, um cartão de crédito consignado destinado para servidores públicos e empresas privadas. Foi esta operação que Lima levou ao Master quando se tornou sócio de Vorcaro.

Em nota, o BC disse que continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais.

“O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos administradores da instituição objeto da liquidação decretada”, diz o texto.

Segundo o BC, o conglomerado do Pleno é de porte pequeno e enquadrado no segmento S4 da regulação prudencial, tendo como instituição líder o Banco Pleno.O conglomerado detém 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN), de acordo com o BC.

Com a liquidação, o BC decreto também dos controladores Augusto Lima e Daniel Vorcaro, entre outros, e dos ex-controladores.

O banco passou por sucessivas mudanças de controle e de nome — Indusval, Voiter e, mais recentemente, Pleno — sempre em meio a tentativas de reestruturação. A transferência para Augusto Lima foi aprovada pelo Banco Central em julho de 2025, poucos meses antes de virem a público as investigações envolvendo o Banco Master, grupo ao qual o Pleno esteve ligado.

A instituição se apresenta como uma empresa com atuação para atendimento no segmento de negócios, oferecendo soluções financeiras específicas, além do mercado consignado. Alcançou um lucro de R$ 133 milhões em 2024, últimos dados disponíveis.

Fonte: O Globo


Leia também no Justiça Potiguar

Comente esta postagem: