A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) enviou, neste sábado (31/1), uma carta à Rede Globo, demonstrando preocupação com o “quarto branco” e outras dinâmicas do reality show Big Brother Brasil 2026, que “induzem à tortura”.
Na carta aberta, dirigida à produção e à audiência do programa, representantes da comissão dizem que os métodos adotados podem trazer lembranças de práticas de tortura na época da ditadura.
“É impossível ignorar que tais métodos guardam uma semelhança aterradora com as práticas de tortura empregadas sistematicamente pela ditadura civil-militar brasileira, um período de dor que ainda deixa cicatrizes na memória de nossa nação, mas que, por seu apelo, atraem uma plateia de milhões de pessoas.”
A comissão também alerta para a “utilização de dinâmicas que submetem corpos e mentes a condições extremas — privação de sono, enclausuramento, desorientação espacial, perda da noção de tempo e posições físicas impossíveis de serem sustentadas por longos períodos — a emissora não apenas testa os limites de seus participantes, mas também os limites da nossa própria humanidade”.
O documento usa argumentos jurídicos embasados no Artigo 5º, que diz que é clara a proibição da tortura e do tratamento degradante, como um valor absoluto.
“Ao transformar esse tipo de sofrimento em espetáculo, a televisão brasileira falha com o seu dever social, e o Artigo 221 da Carta Magna estabelece que as concessões públicas de radiodifusão devem ter finalidades educativas e culturais, respeitando sempre os “valores éticos e sociais da pessoa e da família””, diz um trecho.
Por fim, a Comissão pede que a emissora considere seriamente a possibilidade de rever a utilização das práticas descritas. A organização também provoca a própria sociedade brasileira a refletir sobre sua adesão a essa aparente forma de entretenimento.
Fonte: Metrópoles