
Novas revelações envolvendo o esquema fraudulento do Banco Master levam de novo o Supremo Tribunal Federal (STF) para o epicentro da crise, com desfechos ainda imprevisíveis.
O caso renova a pressão no Congresso sobre ministros, em especial por uma CPI mista para investigar os tentáculos do banco nos Poderes e a eventual atuação de agentes públicos na trama. Contudo, ainda não há consenso entre os parlamentares sobre até que ponto seria vantajoso abrir essa Caixa de Pandora – ainda mais com a proximidade das eleições.
A Folha de S.Paulo noticiou na segunda-feira (12/1) que empresas ligadas a parentes do ministro Dias Toffoli tiveram como sócio um fundo de investimento vinculado ao esquema de fraudes do Master, de Daniel Vorcaro.
A reação inicial na Corte é de cautela quanto às publicações. Os ministros têm receio de que os desdobramentos possam fragilizar a imagem do Tribunal. Para os ministros, ainda é cedo para uma posição, e a denúncia precisa de mais lastro.
Há uma preocupação entre os magistrados com o tom especulativo da trama envolvendo Toffoli. Um ministro chegou a analisar que as “imputações são vagas” e que pode haver alguma orquestração na divulgação das matérias.
Existe uma leitura dentro do Tribunal de que está sendo construída uma narrativa para levar o nome de Toffoli para o centro de uma crise – o que ficaria mais tangível (e relativamente fácil) quando se soma a outros elementos, como o sigilo extremo do processo e a carona do ministro no avião do advogado para um jogo de futebol, em Lima, no Peru. Contudo, a interlocutores, o ministro tem dito que não deve arrefecer as investigações.
De qualquer forma, os ministros estão cientes de que a história tem potencial para gerar impacto externo, o que pode prejudicar a imagem da Corte. Contudo, no ambiente interno, neste primeiro momento, os ministros vão tentar se proteger, nem que seja por meio do silêncio.
Das várias repercussões geradas pelo escândalo do Master por Brasília, o Banco Central e o Tribunal de Contas da União (TCU) acertaram os ponteiros para que os auditores do órgão de controle acessem os documentos da liquidação do Banco Master.
A jornalistas, o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, disse que o BC concordou com a inspeção – motivo de atrito entre as duas instituições nas primeiras semanas de janeiro. Segundo ele, o processo deve durar menos de um mês e deve respeitar os limites de sigilo fiscal e criminal. Vital e o relator do processo no TCU, ministro Jhonatan de Jesus, se reuniram com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Embora BC e TCU tenham sinalizado que pretendem distensionar a relação, o certo é que as várias frentes de investigação do Banco Master – seja no inquérito do Supremo, nas investigações administrativas e até mesmo via CPI mista – estão abalando as estruturas dos Poderes. Resta saber até quanto interessa a quem está no poder mexer nesse vespeiro e o quanto essas informações interessam em ano eleitoral.
Com informações do Jota