{"id":9833,"date":"2020-05-21T18:08:49","date_gmt":"2020-05-21T21:08:49","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=9833"},"modified":"2020-05-21T17:10:54","modified_gmt":"2020-05-21T20:10:54","slug":"empresas-demitem-e-dizem-a-trabalhadores-que-estado-e-quem-deve-indeniza-los-mas-tese-nao-deve-prosperar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2020\/05\/21\/empresas-demitem-e-dizem-a-trabalhadores-que-estado-e-quem-deve-indeniza-los-mas-tese-nao-deve-prosperar\/","title":{"rendered":"Empresas demitem e dizem a trabalhadores que Estado \u00e9 quem deve indeniz\u00e1-los, mas tese n\u00e3o deve prosperar"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cTem um artigo na CLT que diz que todo empres\u00e1rio ou comerciante que for obrigado a fechar seu estabelecimento por decis\u00e3o do respectivo chefe do Executivo, os encargos trabalhistas quem paga \u00e9 o governador e o prefeito. T\u00e1 ok?\u201d, disse o presidente da Rep\u00fablica Jair Bolsonaro no fim de mar\u00e7o, em frente ao Pal\u00e1cio do Alvorada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" width=\"768\" height=\"514\" src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/fogo-de-chao-divulgacao-768x514.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9834\" srcset=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/fogo-de-chao-divulgacao-768x514.jpg 768w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/fogo-de-chao-divulgacao-768x514-300x201.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption>Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Depois da fala do presidente da Rep\u00fablica, algumas empresas passaram a adotar a estrat\u00e9gia. Uma delas foi a rede de churrascarias Fogo de Ch\u00e3o, que demitiu 436 pessoas em todo o pa\u00eds, pagou as verbas rescis\u00f3rias devidas, como 13\u00ba e f\u00e9rias proporcionais, mas deixou de pagar o aviso pr\u00e9vio indenizado, que, na vis\u00e3o da empresa, deve ser pago pelos governos locais que tomaram medidas restringindo o funcionamento de servi\u00e7os e com\u00e9rcios, como restaurantes. A empresa informou que se baseou no<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto-lei\/del5452.htm#art486\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;artigo 486 da CLT.<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas uma empresa que demite seus funcion\u00e1rios em raz\u00e3o da suspens\u00e3o de atividades em raz\u00e3o de decretos locais para conter a Covid-19 pode mesmo alegar que \u00e9 responsabilidade do governo pagar os encargos da rescis\u00e3o? Para especialistas, a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples assim, e essa alega\u00e7\u00e3o dificilmente ser\u00e1 chancelada pela Justi\u00e7a do Trabalho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo 486 da CLT prev\u00ea que, no caso de paralisa\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria ou definitiva do trabalho motivada por ato de autoridade municipal, estadual ou federal, ficar\u00e1 ao cargo do ente respons\u00e1vel o pagamento de uma indeniza\u00e7\u00e3o. O dispositivo aplica uma teoria do Direito do Trabalho conhecida como \u201cfato do pr\u00edncipe\u201d, que \u00e9 quando uma empresa \u00e9 afetada por medidas tomadas por uma autoridade, de forma imprevis\u00edvel e sobre a qual n\u00e3o pode fazer nada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, \u00e9 a Justi\u00e7a quem decide quando este artigo pode ser aplicado. E tanto advogados de trabalhadores quanto de empresas entendem que dificilmente a Justi\u00e7a do Trabalho o aplicar\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o a medidas tomadas para conter a Covid-19. Isso porque os decretos locais n\u00e3o se voltam a uma empresa ou atividade espec\u00edfica, n\u00e3o pretendem interromper em definitivo os servi\u00e7os, e foram editados em prol da sa\u00fade p\u00fablica e da sociedade como um todo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Geralmente, a Justi\u00e7a leva em considera\u00e7\u00e3o os motivos por tr\u00e1s dos atos de prefeitos, governadores e presidentes para decidir a aplica\u00e7\u00e3o da teoria do fato do pr\u00edncipe. Al\u00e9m disso, a Justi\u00e7a deve considerar que h\u00e1 medidas tomadas pelo governo federal que d\u00e3o op\u00e7\u00f5es \u00e0s empresas, como redu\u00e7\u00e3o salarial e linhas de cr\u00e9dito para pagamentos de sal\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Para C\u00e1ssio Casagrande, professor de Direito Constitucional da Universidade Federal Fluminense (UFF) e procurador do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ), o fato do pr\u00edncipe n\u00e3o deve ser aplicado nesse contexto de pandemia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o houve a proibi\u00e7\u00e3o de uma atividade espec\u00edfica, na verdade \u00e9 uma decis\u00e3o cujo objetivo n\u00e3o \u00e9 paralisar uma atividade econ\u00f4mica, mas evitar aglomera\u00e7\u00f5es e atividades que potencialmente podem reunir um grande n\u00famero de pessoas\u201d, diz. \u201cEntendo que n\u00e3o \u00e9 aplic\u00e1vel para essa situa\u00e7\u00e3o, inclusive porque o pr\u00f3prio governo encaminhou solu\u00e7\u00f5est para n\u00e3o haver a demiss\u00e3o, como a suspens\u00e3o tempor\u00e1ria de contratos de trabalho, e a redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio e jornada. Na hip\u00f3tese do artigo 486, a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o \u00e9 o encerramento da atividade\u201d.&nbsp;<\/p><div class=\"wrmrj69d8cf19031c7\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.wrmrj69d8cf19031c7 {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.wrmrj69d8cf19031c7 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.wrmrj69d8cf19031c7 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.wrmrj69d8cf19031c7 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.wrmrj69d8cf19031c7 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.wrmrj69d8cf19031c7 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"xqwrz69d8cf1903196\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.xqwrz69d8cf1903196 {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.xqwrz69d8cf1903196 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.xqwrz69d8cf1903196 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.xqwrz69d8cf1903196 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.xqwrz69d8cf1903196 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.xqwrz69d8cf1903196 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>Na vis\u00e3o de Ricardo Calcini, professor de Direito do Trabalho em cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e especialista em rela\u00e7\u00f5es sindicais, o fato de o pr\u00f3prio governo ter considerado a Covid-19 um fato de for\u00e7a maior nas rela\u00e7\u00f5es trabalhistas por meio da Medida Provis\u00f3ria 927\/2020 acabou gerando esse entendimento pela aplica\u00e7\u00e3o do fato do pr\u00edncipe. O fato do pr\u00edncipe, explica Calcini, \u00e9 um tipo de for\u00e7a maior, mas para sua aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio observar alguns requisitos, como a inten\u00e7\u00e3o governamental de efetivamente interromper ou extinguir uma atividade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTodos n\u00f3s estamos vendo decretos municipais e estaduais, que inviabilizam momentaneamente o desenvolvimento de algumas atividades. S\u00f3 que essa paralisa\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea n\u00e3o quer dizer que a atividade deixou de existir. Em nenhum momento qualquer governador, qualquer prefeito disse que a partir de agora n\u00e3o existe mais certa atividade\u201d, explica. \u201cA impossibilidade moment\u00e2nea de dar prosseguimento a sua atividade est\u00e1 sendo interpretada por alguns empres\u00e1rios no sentido de que essa impossibilidade fosse uma proibi\u00e7\u00e3o da atividade existir. Por isso, entendem que seriam responsabilidade do Estado\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Justi\u00e7a \u00e9 quem decide<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Em casos como o da Fogo de Ch\u00e3o, os trabalhadores demitidos podem acionar a Justi\u00e7a contra a empresa, e n\u00e3o contra o poder p\u00fablico. O empregador, ent\u00e3o, poder\u00e1 acionar o ente p\u00fablico respectivo, que dever\u00e1 se manifestar no processo. Caber\u00e1 a um juiz decidir se o Estado dever\u00e1 ou n\u00e3o pagar indeniza\u00e7\u00e3o a empresa referente \u00e0s demiss\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ouvido reservadamente, concorda que o entendimento de que o Estado n\u00e3o poderia arcar com verbas rescis\u00f3rias porque o objetivo das medidas de governadores e prefeitos \u00e9 proteger a sociedade, e n\u00e3o acabar com atividades empresariais. Al\u00e9m disso, a empresa deveria provar na Justi\u00e7a que n\u00e3o havia outras medidas poss\u00edveis al\u00e9m da demiss\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A eventual aplica\u00e7\u00e3o do artigo 486 da CLT ainda gera d\u00favidas quanto aos valores que estariam compreendidos pelo seu texto. Isso porque o artigo foi inserido na lei antes da cria\u00e7\u00e3o do FGTS, quando havia uma indeniza\u00e7\u00e3o paga aos trabalhadores em caso de demiss\u00e3o. Hoje, a indeniza\u00e7\u00e3o que seria devida pelo poder p\u00fablico \u00e0s empresas \u00e9 geralmente lida como a multa de 40% sobre o fundo de garantia. H\u00e1 quem interprete, por\u00e9m, que essa indeniza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se refere ao aviso pr\u00e9vio \u2013 como foi o caso da Fogo de Ch\u00e3o. H\u00e1 consenso que as outras verbas rescis\u00f3rias, como sal\u00e1rio residual, f\u00e9rias e 13\u00ba proporcionais e horas extras s\u00e3o sempre de compet\u00eancia do empregador.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer forma, a interpreta\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o do artigo 486 deve passar pelo crivo judicial, de maneira que n\u00e3o h\u00e1 seguran\u00e7a jur\u00eddica para quem resolva adotar o artigo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s medidas contra a pandemia da Covid-19. Advogados opinam que caso uma empresa acredite que o poder p\u00fablico deva ser responsabilizado por pagar parte das verbas rescis\u00f3rias de eventuais demiss\u00f5es, \u00e9 melhor que pague o devido aos funcion\u00e1rios e s\u00f3 depois acione o Judici\u00e1rio para exigir uma repara\u00e7\u00e3o do Estado. Isso porque se as verbas rescis\u00f3rias n\u00e3o forem quitadas em at\u00e9 dez dias ap\u00f3s a demiss\u00e3o, a empresa pode ser condenada a pagar um sal\u00e1rio adicional ao trabalhador.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>JOTA<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cTem um artigo na CLT que diz que todo empres\u00e1rio ou comerciante que for obrigado a fechar seu estabelecimento por decis\u00e3o do respectivo chefe do Executivo, os encargos trabalhistas quem paga \u00e9 o governador e o prefeito. 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