{"id":9061,"date":"2020-04-28T19:30:17","date_gmt":"2020-04-28T22:30:17","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=9061"},"modified":"2020-04-28T18:04:00","modified_gmt":"2020-04-28T21:04:00","slug":"o-ressarcimento-ao-erario-baseado-em-decisao-de-tribunal-de-contas-e-prescritivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2020\/04\/28\/o-ressarcimento-ao-erario-baseado-em-decisao-de-tribunal-de-contas-e-prescritivel\/","title":{"rendered":"O ressarcimento ao er\u00e1rio baseado em decis\u00e3o de Tribunal de Contas \u00e9 prescrit\u00edvel?"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" width=\"780\" height=\"450\" src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/download-2-odgqi039xly5xydfoecs5bbarjs4qk1y22uqn9u2dw.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9062\" srcset=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/download-2-odgqi039xly5xydfoecs5bbarjs4qk1y22uqn9u2dw.jpeg 780w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/download-2-odgqi039xly5xydfoecs5bbarjs4qk1y22uqn9u2dw-300x173.jpeg 300w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/download-2-odgqi039xly5xydfoecs5bbarjs4qk1y22uqn9u2dw-768x443.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 780px) 100vw, 780px\" \/><figcaption>Ilustrativa<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Por Rodrigo Leite<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No \u00faltimo dia 20 de abril de 2020, o Supremo Tribunal Federal fixou tese de repercuss\u00e3o geral segundo a qual&nbsp;<em>\u201c\u00e9 prescrit\u00edvel a pretens\u00e3o de ressarcimento ao er\u00e1rio fundada em decis\u00e3o de Tribunal de Contas\u201d<\/em>&nbsp;(<strong>RE 636.886\/AL<\/strong>, Rel. Min. Alexandre de Moraes \u2013 Tema 899).<\/p>\n\n\n\n<p>O caso analisado envolvia gestora que deixou de prestar contas de recursos recebidos do Minist\u00e9rio da Cultura. O Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) determinou a restitui\u00e7\u00e3o ao er\u00e1rio dos valores recebidos. N\u00e3o houve a restitui\u00e7\u00e3o, e, por isso,&nbsp;<strong>foi proposta<\/strong><strong>&nbsp;execu\u00e7\u00e3o de t\u00edtulo executivo extrajudicial<\/strong>, na forma do&nbsp;<strong>art. 71, \u00a7 3\u00ba, da CR\/88<\/strong>: \u201cas decis\u00f5es do Tribunal de que resulte imputa\u00e7\u00e3o de d\u00e9bito ou multa ter\u00e3o efic\u00e1cia de t\u00edtulo executivo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O Supremo Tribunal Federal manteve a decis\u00e3o do TRF5 que decretou a prescri\u00e7\u00e3o. Para o Supremo,&nbsp;<strong>somente s\u00e3o imprescrit\u00edveis as pretens\u00f5es de ressarcimento ao er\u00e1rio com base na pr\u00e1tica de ato de improbidade administrativa doloso<\/strong>&nbsp;tipificados na Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.429\/1992).<\/p>\n\n\n\n<p>Os&nbsp;<strong>demais atos il\u00edcitos<\/strong>&nbsp;\u2013&nbsp;<strong>os n\u00e3o dolosos atentat\u00f3rios \u00e0 probidade da administra\u00e7\u00e3o e aos anteriores \u00e0 edi\u00e7\u00e3o da Lei 8429\/1992<\/strong>&nbsp;\u2013 s\u00e3o prescrit\u00edveis; aplicando-se a eles o que fora decidido no&nbsp;<strong>RE 669069\/MG<\/strong>, Rel. Min. Teori Zavascki, j. 03\/02\/2016:&nbsp;<strong>\u00e9 prescrit\u00edvel a a\u00e7\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o de danos \u00e0 Fazenda P\u00fablica decorrente de il\u00edcito civil<\/strong>&nbsp;\u2013 Tema 666.<\/p>\n\n\n\n<p>Como dito, as a\u00e7\u00f5es lastreadas em decis\u00f5es dos Tribunais de Contas que resultem imputa\u00e7\u00e3o de d\u00e9bito ou multa t\u00eam efic\u00e1cia de t\u00edtulo executivo e, por isso, s\u00e3o submetidas a prazo prescricional. Foi esse o racioc\u00ednio trilhado pelo STF.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As execu\u00e7\u00f5es de ressarcimento ao er\u00e1rio baseadas nessas decis\u00f5es s\u00e3o prescrit\u00edveis<\/strong>, pois, segundo o STF \u201ca Corte de Contas, em momento algum, analisa a exist\u00eancia ou n\u00e3o de ato doloso de improbidade administrativa. Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 decis\u00e3o judicial caracterizando a exist\u00eancia de ato il\u00edcito doloso, inexistindo contradit\u00f3rio e ampla defesa plenos, pois n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ao acusado defender-se no sentido da aus\u00eancia de elemento subjetivo (dolo ou culpa).\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Aos casos an\u00e1logos \u2013 decis\u00f5es oriundas do Tribunal de Contas \u2013 deve-se aplicar, segundo o STF, o art. 174 do CTN que estabelece em 5 anos o prazo para a cobran\u00e7a do cr\u00e9dito fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>O ressarcimento determinado pelos Tribunais de Contas \u00e9 prescrit\u00edvel por essa raz\u00e3o: nas ordens emanadas pelo TCs&nbsp;<strong>n\u00e3o se analisa o elemento subjetivo do agente.<\/strong>&nbsp;Essa an\u00e1lise cabe ao Poder Judici\u00e1rio e ser\u00e1 baseada na leitura do&nbsp;<strong>art. 37, \u00a7 5\u00ba, da CR\/88<\/strong>, para o qual, \u201ca lei estabelecer\u00e1 os prazos de prescri\u00e7\u00e3o para il\u00edcitos praticados por qualquer agente, servidor ou n\u00e3o, que causem preju\u00edzos ao er\u00e1rio, ressalvadas as respectivas a\u00e7\u00f5es de ressarcimento.\u201d<\/p><div class=\"usirx69e87428592ad\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.usirx69e87428592ad {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.usirx69e87428592ad {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.usirx69e87428592ad {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.usirx69e87428592ad {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.usirx69e87428592ad {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.usirx69e87428592ad {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"zprhs69e874285928e\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.zprhs69e874285928e {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.zprhs69e874285928e {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.zprhs69e874285928e {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.zprhs69e874285928e {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.zprhs69e874285928e {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.zprhs69e874285928e {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>Esse dispositivo, segundo&nbsp;<strong>Jos\u00e9 dos Santos Carvalho Filho<\/strong>&nbsp;(<em>Constitui\u00e7\u00e3o Federal Comentada&#8230;<\/em>&nbsp;p. 1035) \u201ctem provocado profundas controv\u00e9rsias em sua interpreta\u00e7\u00e3o, algo justific\u00e1vel diante da imprecis\u00e3o de seu enunciado e da falta de indica\u00e7\u00e3o sobre o que efetivamente pretendeu o Constituinte.\u201d Para ele, a prescri\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o alcan\u00e7a a pretens\u00e3o espec\u00edfica de ressarcimento ao er\u00e1rio.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Manoel Gon\u00e7alves Ferreira Filho&nbsp;<\/strong>(<em>Coment\u00e1rios&#8230;<\/em>p. 260), por exemplo, entende que o art. 37, \u00a7 5\u00ba, da CR\/88, comporta duas regras. A primeira \u00e9 a fixa\u00e7\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o por lei, o que o autor diz ser \u201cchover no molhado\u201d, visto que a fixa\u00e7\u00e3o legal sempre vigorou entre n\u00f3s. A segunda, de acordo com ele, estabelece a imprescribilidade das a\u00e7\u00f5es \u201cvisando o ressarcimento dos preju\u00edzos causados.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m&nbsp;<strong>Celso Ribeiro Bastos<\/strong>&nbsp;(<em>Coment\u00e1rios&#8230;<\/em>p. 167) afirma que as a\u00e7\u00f5es de ressarcimento s\u00e3o imprescrit\u00edveis, op\u00e7\u00e3o constitucional criticada pelo autor, pois, segundo ele, a regra \u00e9 a prescritibilidade das pretens\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O argumento segundo o qual a decis\u00e3o do TCU configuraria ofensa ao artigo 37, \u00a7 5\u00ba, da CR\/88, e, portanto, seria imprescrit\u00edvel, n\u00e3o foi adotada,&nbsp;<strong>pois como dito a Corte de Contas n\u00e3o analisa a exist\u00eancia de elemento subjetivo do agente (dolo ou culpa)<\/strong>&nbsp;para que o caso pudesse se amoldar (ou n\u00e3o) \u00e0 tese fixada no&nbsp;<strong>RE 852475\/SP<\/strong>, Rel. p\/ ac\u00f3rd\u00e3o Min. Edson Fachin, j. 08\/08\/2018, com repercuss\u00e3o geral \u2013 tema 897:&nbsp;<em>\u201cs\u00e3o imprescrit\u00edveis as a\u00e7\u00f5es de ressarcimento ao er\u00e1rio fundadas na pr\u00e1tica de ato doloso tipificado na Lei de Improbidade Administrativa.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em s\u00edntese<\/strong>, \u00e9 prescrit\u00edvel a pretens\u00e3o de ressarcimento ao er\u00e1rio baseada em decis\u00e3o de Tribunal de Contas, pois estamos diante de t\u00edtulo executivo (art. 71, \u00a7 3\u00ba, CR\/88) e nessa esfera n\u00e3o se analisa o elemento subjetivo do agente, tarefa do Poder Judici\u00e1rio. Sobre os mesmos fatos analisados pela Cortes de Contas, todavia,&nbsp;<strong>poder\u00e1 ser cab\u00edvel a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa<\/strong>&nbsp;na qual se discutir\u00e1 a culpa ou o dolo do agente. Nessa seara \u2013 a judicial \u2013 poder\u00e1 ser aplicada a tese do RE 852475\/SP (Tema 897): a da imprescritibilidade dos atos dolosos previstos na LIA.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas distin\u00e7\u00f5es devem ser efetuadas em cada caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p>Abra\u00e7o a todos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quer receber not\u00edcias e informa\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas gratuitas pelo whatsapp?<\/strong>&nbsp;Informe nome e cidade e entre na minha lista de transmiss\u00e3o: 84-99431-2074.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltimo dia 20 de abril de 2020, o Supremo Tribunal Federal fixou tese de repercuss\u00e3o geral segundo a qual \u201c\u00e9 prescrit\u00edvel a pretens\u00e3o de ressarcimento ao er\u00e1rio fundada em decis\u00e3o de Tribunal de Contas\u201d (RE 636.886\/AL, Rel. Min. Alexandre de Moraes \u2013 Tema 899).<br \/><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2020\/04\/28\/o-ressarcimento-ao-erario-baseado-em-decisao-de-tribunal-de-contas-e-prescritivel\/\">Mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":9062,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9061"}],"collection":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9061"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9061\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9063,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9061\/revisions\/9063"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9062"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9061"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9061"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9061"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}