{"id":53514,"date":"2026-04-22T21:13:03","date_gmt":"2026-04-23T00:13:03","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=53514"},"modified":"2026-04-22T21:24:26","modified_gmt":"2026-04-23T00:24:26","slug":"tribunal-autoriza-retirada-de-sobrenome-paterno-do-registro-civil-em-razao-de-abandono-afetivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2026\/04\/22\/tribunal-autoriza-retirada-de-sobrenome-paterno-do-registro-civil-em-razao-de-abandono-afetivo\/","title":{"rendered":"Tribunal autoriza retirada de sobrenome paterno do registro civil em raz\u00e3o de abandono afetivo"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"613\" src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/certidao.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-53516\" srcset=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/certidao.jpg 1024w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/certidao-300x180.jpg 300w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/certidao-768x460.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><a href=\"Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\"> <\/a>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) deu provimento a um recurso especial para permitir a retirada do sobrenome paterno do registro civil de um homem \u2013 bem como de seus filhos, partes no mesmo processo \u2013 em raz\u00e3o de abandono afetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao acolher o pedido para manter nos registros apenas a linhagem materna, o colegiado reformou ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a de Goi\u00e1s (TJGO) que havia autorizado a exclus\u00e3o do sobrenome do pai\/av\u00f4 registral e determinado a inclus\u00e3o do sobrenome do pai\/av\u00f4 biol\u00f3gico, mesmo sem pedido expresso nesse sentido. A turma entendeu que a imposi\u00e7\u00e3o de um sobrenome sem v\u00ednculo afetivo viola direitos de personalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O direito ao nome, enquanto express\u00e3o da identidade e da dignidade da pessoa humana, n\u00e3o pode ser interpretado de forma r\u00edgida e dissociada da realidade f\u00e1tica e afetiva que permeia as rela\u00e7\u00f5es familiares. A evolu\u00e7\u00e3o legislativa e jurisprudencial demonstra a supera\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter absoluto da imutabilidade do nome, admitindo-se sua modifica\u00e7\u00e3o quando presente justo motivo, como na hip\u00f3tese de abandono afetivo&#8221;, destacou a relatora do processo, ministra Nancy Andrighi.<\/p>\n\n\n\n<p>Na origem do caso, o homem foi registrado como filho pelo padrasto, que se casara com sua genitora antes de seu nascimento. Ap\u00f3s a morte do pai biol\u00f3gico, uma decis\u00e3o judicial reconheceu o v\u00ednculo sangu\u00edneo e determinou a inclus\u00e3o do sobrenome do falecido no registro civil.<\/p>\n\n\n\n<p>O recurso julgado pela Terceira Turma foi interposto em a\u00e7\u00e3o na qual o cidad\u00e3o requereu que apenas o sobrenome da m\u00e3e fosse mantido em seu registro, sob o argumento de que possui liga\u00e7\u00e3o de afeto familiar apenas com a linhagem materna. Ele disse ter sofrido abandono afetivo, pois, embora tivesse crescido sabendo quem era seu pai biol\u00f3gico, n\u00e3o teve a oportunidade de pertencer \u00e0 fam\u00edlia nem de manter qualquer contato afetivo com ela. Seus filhos tamb\u00e9m integraram a a\u00e7\u00e3o, pretendendo a mudan\u00e7a de seus registros para que constasse apenas o sobrenome da av\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p>As inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias acolheram o pedido de retirada do sobrenome do pai\/av\u00f4 registral, mas mantiveram a ordem de inclus\u00e3o do sobrenome do pai\/av\u00f4 biol\u00f3gico. Para o TJGO, a mudan\u00e7a completa do nome n\u00e3o teria respaldo da jurisprud\u00eancia e poderia causar preju\u00edzos a terceiros.<\/p><div class=\"tpopg69e9b450a2ed8\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.tpopg69e9b450a2ed8 {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.tpopg69e9b450a2ed8 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.tpopg69e9b450a2ed8 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.tpopg69e9b450a2ed8 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.tpopg69e9b450a2ed8 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.tpopg69e9b450a2ed8 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"ksrpe69e9b450a2ec4\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.ksrpe69e9b450a2ec4 {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.ksrpe69e9b450a2ec4 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.ksrpe69e9b450a2ec4 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.ksrpe69e9b450a2ec4 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.ksrpe69e9b450a2ec4 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.ksrpe69e9b450a2ec4 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>Com base na jurisprud\u00eancia do STJ, Nancy Andrighi apontou que, embora a altera\u00e7\u00e3o do nome civil seja medida excepcional, a corte tem flexibilizado essa regra. Conforme explicado, a interpreta\u00e7\u00e3o atual busca acompanhar a realidade social, admitindo a mudan\u00e7a em respeito \u00e0 autonomia privada e desde que n\u00e3o haja risco a terceiros e \u00e0 seguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p>A ministra citou ainda o inciso IV do artigo 57 da Lei 6.015\/1973 (Lei de Registros P\u00fablicos) \u2013 inclu\u00eddo pela Lei 14.382\/2022 \u2013, que permite a exclus\u00e3o de sobrenomes por altera\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es de filia\u00e7\u00e3o, direito que se estende tamb\u00e9m aos descendentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, a possibilidade de retirada de sobrenome, especialmente em casos de abandono afetivo, est\u00e1 alinhada ao papel central do afeto nas fam\u00edlias e ao direito ao livre desenvolvimento da personalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A inten\u00e7\u00e3o dos recorrentes, de que seus nomes reflitam a realidade vivenciada pela fam\u00edlia, perpetuando-se a linhagem materna com a qual guardam rela\u00e7\u00e3o de afetividade, somada ao fato de que, atualmente, essa modifica\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 admitida pela legisla\u00e7\u00e3o, permite concluir que a pretens\u00e3o n\u00e3o se reveste de frivolidade e est\u00e1 suficientemente motivada&#8221;, finalizou a ministra.<\/p>\n\n\n\n<p><em>O n\u00famero deste processo n\u00e3o \u00e9 divulgado em raz\u00e3o de segredo judicial.<\/em><br><br><em>Fonte: STJ<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com base na jurisprud\u00eancia do STJ, Nancy Andrighi apontou que, embora a altera\u00e7\u00e3o do nome civil seja medida excepcional, a corte tem flexibilizado essa regra.<br \/><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2026\/04\/22\/tribunal-autoriza-retirada-de-sobrenome-paterno-do-registro-civil-em-razao-de-abandono-afetivo\/\">Mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53514"}],"collection":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53514"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53514\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53518,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53514\/revisions\/53518"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53514"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53514"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53514"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}