{"id":53312,"date":"2026-04-15T16:47:33","date_gmt":"2026-04-15T19:47:33","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=53312"},"modified":"2026-04-15T17:01:45","modified_gmt":"2026-04-15T20:01:45","slug":"justica-reconhece-dispensa-discriminatoria-e-determina-reintegracao-de-empregada-com-leucemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2026\/04\/15\/justica-reconhece-dispensa-discriminatoria-e-determina-reintegracao-de-empregada-com-leucemia\/","title":{"rendered":"Justi\u00e7a reconhece dispensa discriminat\u00f3ria e determina reintegra\u00e7\u00e3o de empregada com leucemia"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"626\" height=\"452\" src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/solucao-iv-na-mao-de-pacientes-de-uma-crianca_33836-72.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-53314\" srcset=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/solucao-iv-na-mao-de-pacientes-de-uma-crianca_33836-72.jpg 626w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/solucao-iv-na-mao-de-pacientes-de-uma-crianca_33836-72-300x217.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 626px) 100vw, 626px\" \/><figcaption>Foto: Freepik<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A ju\u00edza Ana Carolina Sim\u00f5es Silveira, titular da Vara do Trabalho de Ribeir\u00e3o das Neves, reconheceu como discriminat\u00f3ria a dispensa sem justa causa de uma empregada diagnosticada com \u201cleucemia mieloide cr\u00f4nica\u201d. A empresa, do ramo de produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de alimentos, dever\u00e1 reintegrar a trabalhadora ao emprego, nas mesmas condi\u00e7\u00f5es anteriores, inclusive com o restabelecimento do plano de sa\u00fade, bem como ressarci-la pelo per\u00edodo em que permaneceu afastada, pagando-lhe os sal\u00e1rios e demais vantagens do per\u00edodo. A empregadora ainda foi condenada a pagar indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais \u00e0 empregada, no valor de R$ 5 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>A autora foi admitida pela empresa em junho de 2020, inicialmente como auxiliar administrativa. Ao longo de mais de dois anos de contrato, passou a exercer o cargo de \u201canalista controladoria jr\u201d. O diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer ocorreu em 2023. Em janeiro de 2024, foi dispensada sem justa causa. Na a\u00e7\u00e3o trabalhista, alegou que a dispensa ocorreu em raz\u00e3o de seu estado de sa\u00fade, caracterizando discrimina\u00e7\u00e3o vedada pela Lei n\u00ba 9.029\/1995, que pro\u00edbe pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias para efeitos de acesso ou manuten\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o de trabalho. A empregadora, em sua defesa, sustentou que a dispensa decorreu de reestrutura\u00e7\u00e3o interna e redu\u00e7\u00e3o de custos, negando qualquer motiva\u00e7\u00e3o relacionada \u00e0 doen\u00e7a da empregada.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua decis\u00e3o, a magistrada observou que a reclamante \u00e9 portadora de doen\u00e7a grave (c\u00e2ncer), capaz de gerar estigma social ou preconceito, o que leva \u00e0 presun\u00e7\u00e3o relativa da exist\u00eancia de dispensa discriminat\u00f3ria, conforme o entendimento consolidado na S\u00famula n\u00ba 443 do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Nesse contexto, cabia \u00e0 empregadora demonstrar que o desligamento ocorreu por motivo alheio \u00e0 enfermidade, o que n\u00e3o ocorreu.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o pontuado na senten\u00e7a, a empresa n\u00e3o produziu prova documental capaz de comprovar a alegada reestrutura\u00e7\u00e3o. A planilha apresentada, com nomes de empregados desligados, foi considerada gen\u00e9rica e insuficiente, por n\u00e3o indicar os \u201ccrit\u00e9rios objetivos\u201d adotados para a dispensa, o local de trabalho ou mesmo a efetiva rescis\u00e3o contratual. Al\u00e9m disso, o depoimento das testemunhas da empresa revelou contradi\u00e7\u00f5es quanto ao n\u00famero de empregados dispensados e, sobretudo, confirmou que a reclamada tinha conhecimento da doen\u00e7a da trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>A ju\u00edza ressaltou que, embora o empregador detenha o poder de dispensar empregados sem justa causa, esse poder n\u00e3o \u00e9 absoluto, encontrando limites nos princ\u00edpios da dignidade da pessoa humana (artigo 1\u00ba, III, da Constitui\u00e7\u00e3o), do valor social do trabalho (artigo 1\u00ba, IV, da Constitui\u00e7\u00e3o), da fun\u00e7\u00e3o social da empresa (artigo 170, III, da Constitui\u00e7\u00e3o) e da n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o (artigo 1\u00ba da Lei 9.029\/1995).<\/p>\n\n\n\n<p>Constou da decis\u00e3o que a dispensa discriminat\u00f3ria configurou abuso de direito e violou os princ\u00edpios da boa-f\u00e9, configurando ato il\u00edcito, sendo evidente o preju\u00edzo suportado pela trabalhadora, bem como o nexo causal, o que levou \u00e0 condena\u00e7\u00e3o da empresa ao pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais, fixada em R$ 5 mil.<\/p><div class=\"poxfb69e04162d288c\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.poxfb69e04162d288c {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.poxfb69e04162d288c {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.poxfb69e04162d288c {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.poxfb69e04162d288c {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.poxfb69e04162d288c {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.poxfb69e04162d288c {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"cvbtd69e04162d2871\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.cvbtd69e04162d2871 {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.cvbtd69e04162d2871 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.cvbtd69e04162d2871 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.cvbtd69e04162d2871 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.cvbtd69e04162d2871 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.cvbtd69e04162d2871 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>Houve recurso, mas a senten\u00e7a foi mantida pelos julgadores da Terceira Turma do TRT-MG.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cConsidero incensur\u00e1vel, portanto, o reconhecimento da natureza discriminat\u00f3ria da dispensa, com a consequente declara\u00e7\u00e3o de nulidade da dispensa, determina\u00e7\u00e3o de reintegra\u00e7\u00e3o da Autora e de restabelecimento de seu plano de sa\u00fade. Correto, tamb\u00e9m, o deferimento dos sal\u00e1rios e demais vantagens do per\u00edodo do afastamento\u201d, ressaltou o relator do recurso da empresa, desembargador Marcelo Moura Ferreira.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais, constou do ac\u00f3rd\u00e3o: \u201cConsiderando a situa\u00e7\u00e3o de dispensa discriminat\u00f3ria a que a Reclamante foi exposta, que a privou das garantias da rela\u00e7\u00e3o de emprego e do uso do plano de sa\u00fade durante um tratamento m\u00e9dico debilitante, est\u00e3o presentes o ato il\u00edcito, o dano e o nexo de causalidade, sendo devida a repara\u00e7\u00e3o moral\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A empresa interp\u00f4s recurso de revista, cujo seguimento foi denegado pelo desembargador 2\u00ba vice-presidente. Inconformada, a empresa interp\u00f4s agravo de instrumento, ao qual tamb\u00e9m foi negado seguimento pelo ministro relator, Cl\u00e1udio Brand\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fonte: TJMG<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A empresa interp\u00f4s recurso de revista, cujo seguimento foi denegado pelo desembargador 2\u00ba vice-presidente. 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