{"id":49040,"date":"2025-12-10T13:05:10","date_gmt":"2025-12-10T16:05:10","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=49040"},"modified":"2025-12-10T13:08:33","modified_gmt":"2025-12-10T16:08:33","slug":"a-ufrn-e-a-faculdade-de-direito-de-natal-memoria-e-aspiracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2025\/12\/10\/a-ufrn-e-a-faculdade-de-direito-de-natal-memoria-e-aspiracao\/","title":{"rendered":"A UFRN e a Faculdade de Direito de Natal \u2014 mem\u00f3ria e aspira\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\"><p>Marcelo Navarro Ribeiro Dantas<br><em>Bacharel em Direito pela UFRN<\/em><br><em>Professor de Direito na UFRN por mais de 25 anos<\/em><br><em>Professor Titular da Faculdade de Direito da UnB<\/em><br><em>Ministro do STJ<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"615\" src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/MarceloMarcelo-Navarro-Ribeiro-Dantas-ministro-do-STJ-1024x615.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-49045\" srcset=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/MarceloMarcelo-Navarro-Ribeiro-Dantas-ministro-do-STJ-1024x615.jpg 1024w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/MarceloMarcelo-Navarro-Ribeiro-Dantas-ministro-do-STJ-300x180.jpg 300w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/MarceloMarcelo-Navarro-Ribeiro-Dantas-ministro-do-STJ-768x461.jpg 768w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/MarceloMarcelo-Navarro-Ribeiro-Dantas-ministro-do-STJ.jpg 1086w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/STJ<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A Faculdade de Direito de Natal foi criada oficialmente pela Lei Estadual 149\/1949, de 15 de agosto de 1949, marcando o in\u00edcio do ensino jur\u00eddico no Rio Grande do Norte. Sua instala\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica, por\u00e9m, s\u00f3 se concretizou com o Decreto Federal 36.387\/1954, de 25 de outubro, dando in\u00edcio \u00e0s turmas a partir de 1956.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a cria\u00e7\u00e3o da UFRN, em 1958, a Faculdade passou a integrar o novo corpo universit\u00e1rio como um de seus pilares fundadores, junto com outras faculdades (Farm\u00e1cia, Odontologia, Medicina etc.).&nbsp; No entanto, com a reforma universit\u00e1ria de 1974, promovida durante o regime militar, a antiga Faculdade&nbsp; perdeu sua autonomia institucional: a escola de Direito deixou de existir como \u201cfaculdade\u201d e foi incorporada como \u201ccurso\u201d dentro do Centro de Ci\u00eancias Sociais Aplicadas (CCSA) da UFRN.<\/p>\n\n\n\n<p>Nisso, as coisas, no Rio Grande do Norte, seguiram caminhos diferentes \u2014 infelizmente, para pior \u2014 do que aconteceu em Estados vizinhos, como a Para\u00edba e Pernambuco, que preservaram suas faculdades de Direito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 essa perda de autonomia \u2014 administrativa, simb\u00f3lica e institucional \u2014 que hoje se busca reparar com o projeto de recria\u00e7\u00e3o da Faculdade de Direito de Natal como unidade acad\u00eamica especializada e aut\u00f4noma.<\/p>\n\n\n\n<p>A recria\u00e7\u00e3o recupera n\u00e3o apenas uma estrutura institucional, mas tamb\u00e9m a mem\u00f3ria da tradi\u00e7\u00e3o jur\u00eddica potiguar \u2014 suas hist\u00f3rias, lutas, conquistas, e o esp\u00edrito formador de gera\u00e7\u00f5es. Como bem apontam artigos recentes, o retorno \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de Faculdade \u00e9 \u201cmedida de afirma\u00e7\u00e3o institucional\u201d e de \u201crepara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A antiga sede \u2014 no bairro da Ribeira \u2014 representava um ch\u00e3o de resist\u00eancia, identidade e pertencimento para alunos e professores; seu desaparecimento implicou tamb\u00e9m perda de refer\u00eancia simb\u00f3lica.<\/p>\n\n\n\n<p>Com <em>status<\/em> de faculdade, o curso de Direito teria maior autonomia administrativa e acad\u00eamica, o que facilitaria a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas pr\u00f3prias de ensino, pesquisa e extens\u00e3o, sem estar subordinado a uma estrutura gen\u00e9rica de CCSA. Magistrados, advogados e outros profissionais do Direito \u2014 a maioria formados pela UFRN \u2014, al\u00e9m de institui\u00e7\u00f5es como os Tribunais de Justi\u00e7a, do Trabalho e Eleitoral potiguares, a seccional local da Ordem dos Advogados, entre outras, subscreveram cartas de apoio a esse movimento, afirmam precisamente este ponto: a mudan\u00e7a permitir\u00e1 maior autonomia administrativa e acad\u00eamica, criando condi\u00e7\u00f5es institucionais mais adequadas.<\/p>\n\n\n\n<p>A autonomia promoveria agilidade e efici\u00eancia na gest\u00e3o, mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0s particularidades do ensino jur\u00eddico, valoriza\u00e7\u00e3o dos docentes, e incentivo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, extens\u00e3o e programas pr\u00f3prios \u2014 fortalecendo o curso.<\/p>\n\n\n\n<p>A Faculdade de Direito de Natal formou \u2014 e ainda forma \u2014 magistrados, advogados, promotores, procuradores, defensores, juristas e lideran\u00e7as pol\u00edticas e sociais que marcaram (e marcam) a hist\u00f3ria do RN e do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Foi a faculdade de Ant\u00f4nio Soares, de Paulo Viveiros e Otto de Brito Guera; de C\u00e2mara Cascudo e Am\u00e9rico de Oliveira Costa; de Raimundo Nonato e Jos\u00e9 Ildefonso Emerenciano; de Milton e M\u00facio Ribeiro Dantas e mais tantos nomes que povoaram uma era de ouro t\u00e3o bem retratada no livro de Gileno Guanabara <em>Faculdade de Direito de Natal \u2013 lutas e tradi\u00e7\u00f5es (1949-1973).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Recriar a faculdade reafirmaria a voca\u00e7\u00e3o da UFRN e do Estado para a excel\u00eancia no ensino jur\u00eddico, consolidando um projeto educativo em conson\u00e2ncia com a tradi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, mas com estrutura moderna e adequada aos desafios atuais.<\/p><div class=\"smjde69dc36568cc26\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.smjde69dc36568cc26 {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.smjde69dc36568cc26 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.smjde69dc36568cc26 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.smjde69dc36568cc26 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.smjde69dc36568cc26 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.smjde69dc36568cc26 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"jinsy69dc36568cc08\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.jinsy69dc36568cc08 {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.jinsy69dc36568cc08 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.jinsy69dc36568cc08 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.jinsy69dc36568cc08 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.jinsy69dc36568cc08 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.jinsy69dc36568cc08 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>Em setembro de 2025, um grupo de 41 magistrados federais \u2014 ju\u00edzes, desembargadores e ministros \u2014 divulgou uma carta p\u00fablica manifestando apoio integral \u00e0 recria\u00e7\u00e3o da Faculdade de Direito da UFRN, argumentando que a mudan\u00e7a \u00e9 necess\u00e1ria para restaurar a configura\u00e7\u00e3o institucional existente antes de 1973.<\/p>\n\n\n\n<p>O documento afirma que a recria\u00e7\u00e3o representa \u201ccompromisso com a democracia constitucional\u201d, um resgate da hist\u00f3ria, da casa tradicional da Ribeira, seus professores e alunos, e a reafirma\u00e7\u00e3o da autonomia e da excel\u00eancia do ensino jur\u00eddico potiguar.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m um plano t\u00e9cnico apresentado \u00e0 comunidade acad\u00eamica: a proposta segue as normas do regimento da UFRN, prev\u00ea a estrutura f\u00edsica, humana e pedag\u00f3gica necess\u00e1ria, e demonstra que \u2014 do ponto de vista administrativo \u2014 a recria\u00e7\u00e3o \u00e9 absolutamente vi\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, o apoio transcende o meio acad\u00eamico: ju\u00edzes, membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico, defensores, advogados, professores, estudantes e demais for\u00e7as vivas do estado t\u00eam se manifestado favor\u00e1veis. A voz da sociedade potiguar, segundo as manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, \u00e9 praticamente un\u00edssona.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um contexto de transforma\u00e7\u00f5es sociais, pol\u00edticas e jur\u00eddicas \u2014 dentro e fora do Brasil \u2014 a import\u00e2ncia de uma institui\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma, com tradi\u00e7\u00e3o e capacidade de renova\u00e7\u00e3o, \u00e9 ainda maior.<\/p>\n\n\n\n<p>A recria\u00e7\u00e3o da Faculdade de Direito de Natal simboliza respeito \u00e0 hist\u00f3ria e \u00e0 mem\u00f3ria de uma escola que formou gera\u00e7\u00f5es; defesa da autonomia universit\u00e1ria como pilar da liberdade acad\u00eamica e institucional; fortalecimento da educa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica p\u00fablica e de qualidade no RN; cria\u00e7\u00e3o de estrutura pr\u00f3pria para pesquisa, extens\u00e3o, debates e pr\u00e1ticas jur\u00eddicas \u2014 com mais agilidade e foco; enfim, uma aposta no futuro: na forma\u00e7\u00e3o de novos juristas comprometidos com a democracia, os direitos fundamentais e a cidadania.<\/p>\n\n\n\n<p>Bloquear ou adiar esse projeto hoje n\u00e3o se justifica por raz\u00f5es t\u00e9cnicas \u2014 pois os requisitos est\u00e3o mais do que cumpridos \u2014 mas apenas por resist\u00eancia burocr\u00e1tica ou falta de vontade pol\u00edtica. E isso, convenhamos, seria uma neglig\u00eancia com o passado, o presente e o futuro do Direito potiguar.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tanto isso \u00e9 verdade, que quem \u00e9 contra n\u00e3o se manifesta. Sabe que est\u00e1 na contram\u00e3o da hist\u00f3ria \u2014 e vai ser atropelado por ela! \u2014 e n\u00e3o tem o que argumentar. Fica adiando, vergonhosamente&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, a recria\u00e7\u00e3o da Faculdade de Direito de Natal n\u00e3o \u00e9 um capricho nost\u00e1lgico. \u00c9 um ato de justi\u00e7a institucional, de repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e de fortalecimento do ensino jur\u00eddico no RN.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de resgatar uma \u201cCasa de Saber\u201d \u2014 ber\u00e7o de juristas, pensadores e defensores da cidadania \u2014 devolvendo-lhe dignidade e autonomia. Mais do que isso: \u00e9 reafirmar o compromisso com a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, com o Estado de Direito e com a forma\u00e7\u00e3o de profissionais que levem, adiante, a tradi\u00e7\u00e3o de coragem, independ\u00eancia e consci\u00eancia social.<\/p>\n\n\n\n<p>Se a sociedade potiguar, seus juristas, magistrados, acad\u00eamicos e institui\u00e7\u00f5es apontam unanimemente para esse caminho \u2014 ent\u00e3o s\u00f3 resta \u00e0 administra\u00e7\u00e3o da UFRN ouvir, responder e agir. Que o passo decisivo seja dado. E que a Faculdade de Direito de Natal volte, uma vez mais, como s\u00edmbolo vivo de hist\u00f3ria, resist\u00eancia e futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 hora de bradar de novo o lema imortal do Centro Acad\u00eamico Amaro Cavalcanti, nosso patrono: <em>at\u00e9 que tudo cesse, n\u00f3s&nbsp;n\u00e3o&nbsp;cessaremos!<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recriar a faculdade reafirmaria a voca\u00e7\u00e3o da UFRN e do Estado para a excel\u00eancia no ensino jur\u00eddico, consolidando um projeto educativo em conson\u00e2ncia com a tradi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica.<br \/><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2025\/12\/10\/a-ufrn-e-a-faculdade-de-direito-de-natal-memoria-e-aspiracao\/\">Mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49040"}],"collection":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49040"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49040\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49048,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49040\/revisions\/49048"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49040"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49040"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49040"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}