{"id":4205,"date":"2019-11-25T15:09:45","date_gmt":"2019-11-25T18:09:45","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=4205"},"modified":"2019-11-25T12:14:23","modified_gmt":"2019-11-25T15:14:23","slug":"criminosos-me-trataram-melhor-do-que-a-justica-diz-cabeleireiro-preso-por-16-meses-sem-provas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2019\/11\/25\/criminosos-me-trataram-melhor-do-que-a-justica-diz-cabeleireiro-preso-por-16-meses-sem-provas\/","title":{"rendered":"&#8216;Criminosos me trataram melhor do que a Justi\u00e7a&#8217;, diz cabeleireiro preso por 16 meses sem provas"},"content":{"rendered":"\n<p>Um dos dias mais tristes da vida do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2019\/07\/sem-provas-cabeleireiro-esta-preso-ha-1-ano-na-grande-sao-paulo.shtml\">cabeleireiro Sidney Sylvestre Vieira, 31,<\/a>&nbsp;conta ele, foi quando ouviu o barulho das grades sendo cerradas atr\u00e1s de si. N\u00e3o entendia exatamente do que estava sendo acusado, n\u00e3o conhecia os nomes citados, e s\u00f3 restou a ele rezar para que o engano fosse desfeito rapidamente.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foi o que aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" width=\"1016\" height=\"598\" src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/pris\u00e3o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2153\" srcset=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/pris\u00e3o.jpg 1016w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/pris\u00e3o-300x177.jpg 300w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/pris\u00e3o-768x452.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1016px) 100vw, 1016px\" \/><figcaption>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mesmo sendo r\u00e9u prim\u00e1rio, com emprego e resid\u00eancia fixa, a Justi\u00e7a manteve Vieira preso por um ano e quatro meses preventivamente pela suspeita de ter participado da morte de um homem que, diz ele, nunca viu.<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edcia e o Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o t\u00eam provas do contr\u00e1rio; n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de que ele tenha participado da morte do professor aposentado Miguel Elias, 74.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O principal suspeito do crime, o marceneiro Rubens Henrique Pungirum, apontou o nome \u201cSidney\u201d em um primeiro momento, mas, depois, recuou dessa vers\u00e3o. Disse ter citado nomes porque foi agredido por policiais.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2019\/11\/justica-manda-soltar-cabeleireiro-preso-sem-provas-desde-julho-de-2018.shtml\">Vieira foi solto no \u00faltimo dia 13<\/a>&nbsp;por ordem do juiz Gustavo Henrichs Favero, que revogou a pris\u00e3o preventiva e deu a ele oportunidade de responder ao processo em liberdade. Foi uma surpresa para Vieira, que via todos os seus recursos recusados desde o ano passado, at\u00e9 pelo Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele ainda pode ser condenado. Para o cabeleireiro, seria a prova de que a Justi\u00e7a tarda e falha. A outra grande decep\u00e7\u00e3o foi descobrir que um inocente na pris\u00e3o \u00e9 mais bem tratado pelos presos do que pelos agentes penitenci\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Vieira, que tem quatro filhos, falou com a Folha na \u00faltima quinta-feira (21), no sal\u00e3o onde faz bicos desde que saiu da pris\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>De todos os erros do seu processo, qual deles&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea chegou a ler o meu processo?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Li sim, boa parte dele.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cara, voc\u00ea viu tanta coisa que tinha ali? Tinha tanta coisa errada, os erros estavam t\u00e3o na cara. Isso me fez chegar a uma conclus\u00e3o: eles n\u00e3o ligam pra voc\u00ea. N\u00e3o ligam para nada. Porque n\u00e3o \u00e9 a vida deles. N\u00e3o \u00e9 parente, n\u00e3o \u00e9 uma pessoa conhecida, que tem um bom dinheiro. Se fosse uma pessoa conhecida, de posses, eles iriam dar a maior aten\u00e7\u00e3o. Fiquei preso um ano e quatro meses sem dever absolutamente nada. Nada! Sabe o que fazia na pris\u00e3o? Cortava o cabelo de&nbsp;outros presos para conseguir mandar dinheiro para fora, para os meus filhos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>De todas as autoridades, investigadores, delegado, promotor, ju\u00edza, procurador e desembargador, qual voc\u00ea acha que mais errou?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ju\u00edza. A ju\u00edza foi a pior de todas. Eu pedi para ju\u00edza me ouvir. Mas ela s\u00f3 fez algumas perguntas e mandou eu permanecer calado. A\u00ed, eu comecei a chorar, porque ela n\u00e3o me deixou falar. Eu disse: \u2018A senhora poderia me ouvir, por favor? Eu queria falar\u2019. Ela respondeu: \u2018O&nbsp;senhor permanece calado\u2019. Me tratou mal. Eu nunca mais vou esquecer.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea esperou at\u00e9 aquele momento, da audi\u00eancia, para poder contar tudo o que vinha sofrendo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Isso. Se ela me ouvisse, se ela chegasse a conversar comigo, eu iria dizer para ela: \u2018Procure onde est\u00e1 o erro, porque eu nunca sa\u00ed de Embu.\u2019<\/p>\n\n\n\n<p>Mas&nbsp;ela n\u00e3o teve nenhuma aten\u00e7\u00e3o para mim. Nenhuma.<\/p>\n\n\n\n<p>[A ju\u00edza Alena Cotrim Bizzarro \u00e9 impedida de falar do processo pela Lei Org\u00e2nica da Magistratura. Em nota, o TJ diz que Vieira foi ouvido e que o procedimento da audi\u00eancia est\u00e1 nos autos: \u201cDurante a audi\u00eancia foi informado sobre seu direito de permanecer em sil\u00eancio, mas recebeu a orienta\u00e7\u00e3o da magistrada de que aquele seria o momento em que teria a oportunidade para apresentar sua vers\u00e3o dos fatos. Optou por responder as quest\u00f5es, formuladas pela ju\u00edza e pela defesa.\u201d]&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea encontrou o Rubens&nbsp;[Henrique&nbsp;Pungirum] na pris\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro dia, eu pedi para o policial me mostrar quem era porque n\u00e3o conhecia. O policial disse: \u2018Sidney, esse daqui \u00e9 o Rubens\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea perguntou por que ele fez isso?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ele disse que teve uma press\u00e3o muito grande dos policiais, e deu um nome Sidney, s\u00f3 Sidney. Ele n\u00e3o sabia de nada [de mim]. Inventou um nome e pronto. Os policiais da SAP [Secretaria de Administra\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria], que presenciaram a conversa, queriam entrar na audi\u00eancia para falar para ju\u00edza que eu n\u00e3o tinha nada a ver. O Rubens queria falar que eu n\u00e3o tinha nada a ver. Ele pediu, ouvi ele falando, estava do meu lado. Mas a ju\u00edza mandou nos retirar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A ju\u00edza olhou para voc\u00ea?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o. Ela falou comigo de cabe\u00e7a baixa. Foi lendo o computador e perguntando, mais nada. N\u00e3o queria saber. Se fosse uma pessoa com dinheiro, as coisas teriam sido diferentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual foi o momento mais dif\u00edcil&nbsp;nesses meses?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Todos os momentos foram dif\u00edceis, mas&nbsp;o pior deles&nbsp;foi quando entrei na inclus\u00e3o.<\/p><div class=\"lilro69eb37fe2099f\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.lilro69eb37fe2099f {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.lilro69eb37fe2099f {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.lilro69eb37fe2099f {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.lilro69eb37fe2099f {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.lilro69eb37fe2099f {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.lilro69eb37fe2099f {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"psnwx69eb37fe2097f\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.psnwx69eb37fe2097f {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.psnwx69eb37fe2097f {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.psnwx69eb37fe2097f {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.psnwx69eb37fe2097f {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.psnwx69eb37fe2097f {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.psnwx69eb37fe2097f {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p><strong>No dia em que foi preso?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Isso, o primeiro dia em que cheguei ao CDP [centro de deten\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria]. Pensei: \u2018ser\u00e1 que vou morrer nesse lugar?\u201d Nunca vou esquecer desse dia porque fiquei com muito medo dos bandidos. Eu n\u00e3o sabia de nada, nunca tinha passado por isso. Minha vida era trabalhar, desde os 14 anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Seu medo era de ser morto, estuprado?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o, ningu\u00e9m relou em mim n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Seu medo, digo&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ah, sim. O medo era de morrer. Voc\u00ea est\u00e1 em um mundo de gente, v\u00ea cada coisa que nem imagina, que a gente n\u00e3o \u00e9 acostumado. Imagina voc\u00ea numa sala com 42 caras. Tem cara que ainda est\u00e1 na ira das drogas, ou com problemas psicol\u00f3gicos, muito irritado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Foi ali que caiu a ficha?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eu pensei que fosse embora. Os policiais que foram me prender em casa me conhecem de muito tempo. Eu cortava cabelo no centro de Embu, cortava at\u00e9 o deles. Quando eles me viram, eles mesmo disseram: \u2018Deve ter algum engano mesmo. Eu conhe\u00e7o voc\u00ea, p\u00f4\u2019.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando chegaram na delegacia, perguntaram se eu tinha vendido algum carro, porque tinha acontecido um problema. Eu disse que n\u00e3o. Disseram que eu estava sendo acusado e se conhecia algum Rubens, eu disse que n\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Fui preso em uma sexta-feira 13. No mesmo dia, fui na delegacia, depois para Tabo\u00e3o [da Serra, S\u00e3o Paulo] para fazer [exame de] corpo de delito, e j\u00e1 fui direto para o CDP. No mesmo dia. Quando cheguei, eu olhava&#8230; e pensava: \u2018ser\u00e1 que Deus me enviou aqui para morrer?\u2019 Nossa, bate o desespero. Eu s\u00f3 sabia chorar. Chorei por tr\u00eas meses.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Fiquei sem comer direito, n\u00e3o dormia direito, at\u00e9 porque l\u00e1 n\u00e3o d\u00e1. S\u00f3 vivia tomando \u00e1gua e chorando. Eu pensei: \u2018est\u00e1 errado, eu vou embora\u2019. Eu estava firme mesmo. \u2018Daqui a pouco eu vou embora, eu tenho f\u00e9.\u2019<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed, teve uma hora, depois daquela audi\u00eancia [com a ju\u00edza], a\u00ed, acabou minha esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os criminosos chegaram a questionar qual era a sua \u2018bronca\u2019?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Chegaram, chegaram. Disseram que iriam ver qual era o meu problema. Eu sou conhecido por muita gente daqui, at\u00e9 l\u00e1 dentro tinha um moleque, de que eu cortei o cabelo quando tinha oito anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os bandidos investigaram e viram que voc\u00ea era inocente?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Falaram que iriam me investigar, mas muitos deles l\u00e1, que me conheciam, falaram que eu n\u00e3o tinha nada a ver, disseram: \u2018esse cara \u00e9 tranquilo\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os criminosos foram mais justos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>E [fui] mais bem tratado [por eles]. Porque l\u00e1 eles [agentes] tratavam voc\u00ea como se fosse um lixo. Nem cachorro \u00e9 tratado daquele jeito. Eles querem o respeito, mas eles mesmo n\u00e3o d\u00e3o o respeito. Me chamaram de vagabundo, de tanta coisa. E voc\u00ea n\u00e3o podia dizer nada. Vai dizer o qu\u00ea? Eu dizia pra eles que n\u00e3o tinha feito nada. Eles diziam: \u2018Agora, todo mundo n\u00e3o fez nada\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como soube da sua liberdade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O meu advogado foi l\u00e1 me avisar. \u2018Arruma suas coisas que voc\u00ea vai embora.\u2019 Nem acreditei, ajoelhei, comecei a chorar. Eu n\u00e3o estava esperando. Tinha acabado de tomar paulada [do TJ, que negou o habeas corpus]. Deus \u00e9 fiel mesmo. A gente acredita s\u00f3 em Deus. Na Justi\u00e7a n\u00e3o d\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi todo mundo gritando. \u2018Gra\u00e7a a Deus, cara, voc\u00ea vai embora\u2019. Os caras diziam: \u2018Voc\u00ea \u00e9 uma pessoa boa, n\u00e3o merece estar aqui.\u2019 Muitos choraram. Ali existem pessoas que erraram, mas todos somos seres humanos, temos cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E agora, para frente?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Agora \u00e9 trabalhar. O tempo n\u00e3o volta atr\u00e1s. O que eu perdi n\u00e3o consigo mais. Como ver meu filho Lorenzo come\u00e7ar a andar, a falar. De estar ao lado da minha mulher na hora que ela mais precisava, quando perdeu a crian\u00e7a [ap\u00f3s um aborto espont\u00e2neo no terceiro m\u00eas de gesta\u00e7\u00e3o, em julho].&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E se voc\u00ea for condenado?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o sei o que fazer. A\u00ed\u00a0a Justi\u00e7a vai mostrar ser falha mesmo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Folha de S. Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos dias mais tristes da vida do&nbsp;cabeleireiro Sidney Sylvestre Vieira, 31,&nbsp;conta ele, foi quando ouviu o barulho das grades sendo cerradas atr\u00e1s de si. N\u00e3o entendia exatamente do que estava sendo acusado, n\u00e3o conhecia os nomes citados, e s\u00f3 restou a ele rezar para que o engano fosse desfeito rapidamente. 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