{"id":38764,"date":"2024-09-26T09:02:49","date_gmt":"2024-09-26T12:02:49","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=38764"},"modified":"2024-09-26T09:02:49","modified_gmt":"2024-09-26T12:02:49","slug":"esposa-tera-de-indenizar-suposta-amante-do-marido-por-agressao-em-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2024\/09\/26\/esposa-tera-de-indenizar-suposta-amante-do-marido-por-agressao-em-publico\/","title":{"rendered":"Esposa ter\u00e1 de indenizar suposta amante do marido por agress\u00e3o em p\u00fablico"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"680\" height=\"436\" src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/DCABB4A61D1260355B6030DC79E77B2EEF35_mulher.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3517\" srcset=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/DCABB4A61D1260355B6030DC79E77B2EEF35_mulher.png 680w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/DCABB4A61D1260355B6030DC79E77B2EEF35_mulher-300x192.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Ao considerar-se que a sociedade tende a responsabilizar e estigmatizar a mulher que se envolve com um homem casado e a justificar ou atenuar a agress\u00e3o cometida pela esposa tra\u00edda, \u00e9 fundamental que o magistrado observe os protocolos de tratamento igualit\u00e1rio e justo, sem preconceitos ou julgamentos baseados em estere\u00f3tipos de g\u00eanero, garantindo uma decis\u00e3o imparcial para todas as partes envolvidas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o que determina a resolu\u00e7\u00e3o 492, do CNJ. E foi o que seguiu magistrado do JEC de Lages\/SC, ao julgar uma a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais proposta por uma funcion\u00e1ria de restaurante contra duas mulheres que a teriam ofendido em seu local de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>A autora sustentou que foi agredida verbal e fisicamente pelas requeridas, de forma completamente abrupta e injustificada. A agress\u00e3o teria ocorrido no in\u00edcio da noite, em seu local de trabalho e em pleno atendimento aos clientes.<\/p>\n\n\n\n<p>Na contesta\u00e7\u00e3o, as requeridas alegaram que o esposo da primeira r\u00e9 (e genro da segunda) foi colega de trabalho e teria tido um caso extraconjugal com a autora. Pontuaram que a esposa perdoou o marido e continuou casada, e que o homem pediu o desligamento do restaurante.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, a autora n\u00e3o teria deixado de procurar pelo ex-colega de trabalho. Por conta disso, sua esposa teria se deslocado at\u00e9 o restaurante para conversar com a suposta amante. As r\u00e9s afirmaram ainda que foi a pr\u00f3pria requerente que passou a debochar da requerida, chamando-a de &#8220;corna&#8221;, iniciando uma discuss\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na senten\u00e7a, o magistrado cita o artigo 186 do C\u00f3digo Civil: aquele que, por a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o volunt\u00e1ria, neglig\u00eancia ou imprud\u00eancia, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato il\u00edcito, ficando, por for\u00e7a do disposto no artigo 927, do mesmo C\u00f3digo, obrigado a reparar o preju\u00edzo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o juiz vai al\u00e9m, ao entender como imperativo aplicar o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de G\u00eanero, que visa eliminar estere\u00f3tipos de g\u00eanero e garantir que as expectativas sociais atribu\u00eddas a homens e mulheres n\u00e3o distor\u00e7am a apura\u00e7\u00e3o dos fatos.<\/p><div class=\"kqjed69e316b88fcf2\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.kqjed69e316b88fcf2 {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.kqjed69e316b88fcf2 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.kqjed69e316b88fcf2 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.kqjed69e316b88fcf2 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.kqjed69e316b88fcf2 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.kqjed69e316b88fcf2 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"zkkaz69e316b88fcd8\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.zkkaz69e316b88fcd8 {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.zkkaz69e316b88fcd8 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.zkkaz69e316b88fcd8 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.zkkaz69e316b88fcd8 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.zkkaz69e316b88fcd8 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.zkkaz69e316b88fcd8 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>O referido protocolo foi publicado em 2021 pelo CNJ, para incentivar magistrados a serem mais vigilantes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 desigualdade de g\u00eanero. A resolu\u00e7\u00e3o 492 do CNJ determina a observ\u00e2ncia desse protocolo nos julgamentos com perspectiva de g\u00eanero, especialmente para proteger mulheres em situa\u00e7\u00f5es de fragilidade, onde possam ser vistas como hipossuficientes devido ao seu sexo.<\/p>\n\n\n\n<p>A senten\u00e7a destaca que a r\u00e9 imputa a autora toda a responsabilidade por suas a\u00e7\u00f5es agressivas, afirmando que apenas revidou ap\u00f3s ter sido insultada pela demandante na ocasi\u00e3o. O caso, assim, envolve estere\u00f3tipos de g\u00eanero relacionados ao comportamento esperado de mulheres em situa\u00e7\u00f5es de infidelidade conjugal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tradicionalmente, a sociedade tende a responsabilizar e estigmatizar a mulher que se envolve com um homem casado, bem como a considerar justific\u00e1vel ou atenuada a agress\u00e3o cometida pela esposa tra\u00edda. \u00c9 crucial neutralizar esses estere\u00f3tipos para garantir um julgamento justo. A conduta violenta da requerida n\u00e3o pode ser justificada pelo comportamento do marido ou pelo suposto envolvimento da requerente no relacionamento extraconjugal&#8221;, sustenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda de acordo com a senten\u00e7a, as provas apresentadas &#8211; em especial os v\u00eddeos anexados &#8211; confirmam que a requerida agrediu a requerente em seu local de trabalho, causando-lhe constrangimento p\u00fablico e abalo psicol\u00f3gico significativo. Do mesmo modo, n\u00e3o h\u00e1 qualquer justificativa leg\u00edtima para a conduta agressiva da requerida, independentemente das circunst\u00e2ncias pessoais e emocionais envolvidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a primeira r\u00e9 foi condenada a pagar uma indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 2 mil a autora pelos danos morais infligidos. J\u00e1 a segunda r\u00e9 foi absolvida por falta de provas de conduta agressiva ou humilhante.<\/p>\n\n\n\n<p>O TJ\/SC omitiu o n\u00famero do processo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao considerar-se que a sociedade tende a responsabilizar e estigmatizar a mulher que se envolve com um homem casado e a justificar ou atenuar a agress\u00e3o cometida pela esposa tra\u00edda, \u00e9 fundamental que o magistrado observe os protocolos de tratamento igualit\u00e1rio e justo, sem preconceitos ou julgamentos baseados em estere\u00f3tipos de g\u00eanero, garantindo uma decis\u00e3o<br \/><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2024\/09\/26\/esposa-tera-de-indenizar-suposta-amante-do-marido-por-agressao-em-publico\/\">Mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38764"}],"collection":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38764"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38764\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":38765,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38764\/revisions\/38765"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38764"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38764"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38764"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}