{"id":38240,"date":"2024-08-22T18:18:46","date_gmt":"2024-08-22T21:18:46","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=38240"},"modified":"2024-08-22T18:18:46","modified_gmt":"2024-08-22T21:18:46","slug":"devido-a-revista-ilegal-juiz-absolve-acusado-de-transportar-cocaina-em-carro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2024\/08\/22\/devido-a-revista-ilegal-juiz-absolve-acusado-de-transportar-cocaina-em-carro\/","title":{"rendered":"Devido a revista ilegal, juiz absolve acusado de transportar coca\u00edna em carro"},"content":{"rendered":"\n<p>Com a fundamenta\u00e7\u00e3o de que a vistoria no ve\u00edculo n\u00e3o obedeceu aos requisitos legais, o juiz Gerdinaldo Quichaba Costa, da 13\u00aa Vara do F\u00f3rum Criminal da Barra Funda, na capital paulista, absolveu um homem acusado de tr\u00e1fico de drogas. No caro que ele dirigia, em um compartimento secreto no painel, havia 23 tijolos de coca\u00edna, que totalizaram 23,4 quilos. Em ju\u00edzo, o r\u00e9u admitiu que ganharia R$ 10 mil para transportar o entorpecente de Santos (SP) para S\u00e3o Paulo. <\/p>\n\n\n\n<p>A abordagem ocorreu na Via Anchieta, j\u00e1 em territ\u00f3rio paulistano<\/p>\n\n\n\n<p>.<img loading=\"lazy\" width=\"300\" height=\"179\" srcset=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/via-anchieta-300x179.webp 300w, https:\/\/www.conjur.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/via-anchieta-768x459.webp 768w, https:\/\/www.conjur.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/via-anchieta.webp 1170w\" src=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/via-anchieta-300x179.webp\" alt=\"via anchieta\"><\/p>\n\n\n\n<p id=\"caption-attachment-810835\"><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o havia, at\u00e9 ent\u00e3o, motivo leg\u00edtimo para a abordagem e, muito menos, para a condu\u00e7\u00e3o do r\u00e9u at\u00e9 a delegacia. Portanto, de rigor, o reconhecimento da ilicitude da prova obtida, com a consequente absolvi\u00e7\u00e3o do r\u00e9u por aus\u00eancia da materialidade do crime\u201d, sentenciou Costa. Ao fundamentar a sua decis\u00e3o no inciso II do artigo 386 do C\u00f3digo de Processo Penal (CPP), o julgador acolheu a tese apresentada pelos advogados&nbsp;<strong>Victor Nagib Aguiar<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>Renata Medeiros R. Nagib Aguiar<\/strong>&nbsp;nas alega\u00e7\u00f5es finais.<\/p>\n\n\n\n<p>O r\u00e9u dirigia o ve\u00edculo acompanhado da namorada, elencada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico como testemunha. No carro tamb\u00e9m estavam duas crian\u00e7as, uma filha do motorista e a outra, da passageira. No dia 23 de janeiro de 2023, em cumprimento a \u201cordem de servi\u00e7o\u201d, policiais do Departamento de Investiga\u00e7\u00f5es sobre Narc\u00f3ticos (Denarc) abordaram o ve\u00edculo na estrada e nada de irregular constataram. Por\u00e9m, eles conduziram o autom\u00f3vel at\u00e9 a delegacia para melhor examin\u00e1-lo, descobrindo o fundo falso e a droga.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o juiz, a ilicitude da busca se deveu ao fato de a ordem de servi\u00e7o juntada aos autos omitir dados da den\u00fancia an\u00f4nima passada ao Denarc, tais como nome do acusado, placa do carro, por onde o autom\u00f3vel passaria e de que forma ela foi transmitida (por e-mail, telefone ou pessoalmente). Com exce\u00e7\u00e3o \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o \u00f3bvia do denunciante, o documento sequer cita a data da informa\u00e7\u00e3o privilegiada, \u201cpois isso poderia ter implicado a necessidade ou n\u00e3o de se solicitar ordem judicial\u201d, emendou Costa. <\/p><div class=\"iolxd69e1aa268cd55\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.iolxd69e1aa268cd55 {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.iolxd69e1aa268cd55 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.iolxd69e1aa268cd55 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.iolxd69e1aa268cd55 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.iolxd69e1aa268cd55 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.iolxd69e1aa268cd55 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"nqcfl69e1aa268cd39\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.nqcfl69e1aa268cd39 {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.nqcfl69e1aa268cd39 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.nqcfl69e1aa268cd39 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.nqcfl69e1aa268cd39 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.nqcfl69e1aa268cd39 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.nqcfl69e1aa268cd39 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>\u201cComo os policiais sabiam que o ve\u00edculo passaria em determinado local na Via Anchieta?\u201d, questionou o juiz. Ele salientou que as informa\u00e7\u00f5es vagas na ordem de servi\u00e7o n\u00e3o individualizaram o objeto da busca, tornando ileg\u00edtima a abordagem. No entanto, ainda que assim n\u00e3o fosse, h\u00e1 de se considerar que nada de ilegal foi descoberto quando o carro foi examinado na rodovia. Desse modo, ainda conforme Costa, tamb\u00e9m n\u00e3o houve justificativa plaus\u00edvel para a condu\u00e7\u00e3o do r\u00e9u e do carro \u00e0 delegacia.<\/p>\n\n\n\n<h2>Direito ao sil\u00eancio<\/h2>\n\n\n\n<p>O r\u00e9u se reservou o direito de ficar calado ao ser autuado em flagrante. Em audi\u00eancia de cust\u00f3dia, ele teve a pris\u00e3o preventiva decretada. Na defesa preliminar, os advogados requereram a sua liberdade provis\u00f3ria, sendo o pedido acolhido no recebimento da den\u00fancia. Em suas alega\u00e7\u00f5es finais, o promotor Fl\u00e1vio Eduardo Turessi pleiteou a condena\u00e7\u00e3o por tr\u00e1fico, com o afastamento da minorante do tr\u00e1fico privilegiado devido \u00e0 quantidade de droga apreendida e a fixa\u00e7\u00e3o do regime inicial fechado.<\/p>\n\n\n\n<p>Os defensores sustentaram que a a\u00e7\u00e3o dos policiais n\u00e3o respeitou os ditames do artigo 244 do CPP, que imp\u00f5em \u201cfundada suspeita\u201d para as buscas feitas sem mandado judicial. Ainda conforme os advogados, a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a estabelece que o encontro de materiais proibidos n\u00e3o convalida a ilegalidade pr\u00e9via. \u201cO acusado n\u00e3o apresentava nenhum sinal de ter consigo objetos, armas, drogas ou quaisquer il\u00edcitos, ainda assim foi realizada busca veicular\u201d, frisou Victor Aguiar. <\/p>\n\n\n\n<p>O juiz reproduziu na senten\u00e7a um dos julgados do STJ mencionados pela defesa. Sob a relatoria do ministro Rogerio Schietti Cruz, ele se refere ao Recurso em Habeas Corpus 158.580 e veda a busca pessoal ou veicular sem ordem judicial baseada em \u201cju\u00edzo de probabilidade\u201d. Conforme essa decis\u00e3o, al\u00e9m da urg\u00eancia de se executar a dilig\u00eancia, s\u00e3o necess\u00e1rios ind\u00edcios concretos de que o indiv\u00edduo esteja na posse de drogas, armas ou de outros objetos ou pap\u00e9is que constituam corpo de delito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o satisfazem a exig\u00eancia legal, por si s\u00f3s, meras informa\u00e7\u00f5es de fonte n\u00e3o identificada (e. g. den\u00fancias an\u00f4nimas) ou intui\u00e7\u00f5es e impress\u00f5es subjetivas, intang\u00edveis e n\u00e3o demonstr\u00e1veis de maneira clara e concreta, apoiadas, por exemplo, exclusivamente, no tiroc\u00ednio policial\u201d, frisou o ministro Schietti.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Processo 1502884-20.2023.8.26.0228<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a fundamenta\u00e7\u00e3o de que a vistoria no ve\u00edculo n\u00e3o obedeceu aos requisitos legais, o juiz Gerdinaldo Quichaba Costa, da 13\u00aa Vara do F\u00f3rum Criminal da Barra Funda, na capital paulista, absolveu um homem acusado de tr\u00e1fico de drogas. 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