{"id":37992,"date":"2024-08-07T11:48:34","date_gmt":"2024-08-07T14:48:34","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=37992"},"modified":"2024-08-07T11:48:34","modified_gmt":"2024-08-07T14:48:34","slug":"e-abusivo-responsabilizar-consumidor-por-dano-ou-perda-de-aparelho-de-tv-e-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2024\/08\/07\/e-abusivo-responsabilizar-consumidor-por-dano-ou-perda-de-aparelho-de-tv-e-internet\/","title":{"rendered":"\u00c9 abusivo responsabilizar consumidor por dano ou perda de aparelho de TV e internet"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00c9 abusiva a cl\u00e1usula contratual que atribui ao consumidor a responsabilidade integral por dano, perda, furto, roubo ou extravio de equipamento locado ou cedido em comodato por prestadora de servi\u00e7os de internet e televis\u00e3o por assinatura.<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" width=\"300\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/modem-net-virtua-170720013.jpeg 300w, https:\/\/www.conjur.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/modem-net-virtua-170720013-150x110.jpeg 150w\" src=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/modem-net-virtua-170720013.jpeg\" alt=\"\"><\/p>\n\n\n\n<p id=\"caption-attachment-668117\"><\/p>\n\n\n\n<p>Com esse entendimento, a 3\u00aa Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, por maioria, aceitou nesta ter\u00e7a-feira (6\/8) recurso do Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo e ordenou que uma prestadora de servi\u00e7os de TV por assinatura e internet exclua de seus contratos cl\u00e1usula que responsabiliza o consumidor por perdas ou danos de modens e decodificadores, mesmo diante de caso fortuito ou for\u00e7a maior.<\/p>\n\n\n\n<p>O MP-SP ajuizou a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica contra a empresa. A senten\u00e7a julgou parcialmente procedente o pedido, mas o Tribunal de Justi\u00e7a paulista reverteu a decis\u00e3o. A corte entendeu que a liberdade contratual entre as partes afastaria a abusividade da cl\u00e1usula, \u00e0 luz dos artigos 565 e 569 do C\u00f3digo Civil. Os dispositivos estabelecem as obriga\u00e7\u00f5es do locat\u00e1rio de coisas, como restitui-las no estado em que as recebeu. O TJ-SP ainda citou os artigos 579 e 582 do C\u00f3digo Civil, que tratam do comodato e da obriga\u00e7\u00e3o do comodat\u00e1rio de conservar a coisa, sob pena de responder por perdas e danos. O MP-SP recorreu da decis\u00e3o ao STJ.<\/p>\n\n\n\n<h2>Voto do relator<\/h2>\n\n\n\n<p>O relator do caso, ministro o relator, ministro Humberto Martins, destacou a import\u00e2ncia de se respeitar os estatutos epistemol\u00f3gicos das disciplinas jur\u00eddicas. Ou seja, uma disciplina n\u00e3o deve se sobrepor \u00e0 outra que tenha dogm\u00e1tica aut\u00f4noma, sob pena de implicar julgamentos acr\u00edticos e fora de contexto. Por exemplo, n\u00e3o se pode aplicar acriticamente o C\u00f3digo Civil \u00e0s situa\u00e7\u00f5es regidas pelo C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, nem este \u00e0s rela\u00e7\u00f5es eminentemente civis. <\/p><div class=\"gkcam69e2229bb9b6e\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.gkcam69e2229bb9b6e {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.gkcam69e2229bb9b6e {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.gkcam69e2229bb9b6e {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.gkcam69e2229bb9b6e {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.gkcam69e2229bb9b6e {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.gkcam69e2229bb9b6e {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"venzk69e2229bb9b4f\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.venzk69e2229bb9b4f {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.venzk69e2229bb9b4f {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.venzk69e2229bb9b4f {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.venzk69e2229bb9b4f {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.venzk69e2229bb9b4f {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.venzk69e2229bb9b4f {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>Pontuou o relator que o consumidor n\u00e3o responde pelos preju\u00edzos oriundos de caso fortuito ou for\u00e7a maior e que n\u00e3o se deve aplicar o disposto no artigo 393 do C\u00f3digo Civil, como fez o TJ-SP. Isso porque n\u00e3o se est\u00e1 diante de uma rela\u00e7\u00e3o de direito civil, e sim diante de uma rela\u00e7\u00e3o de consumo, para a qual o CDC disp\u00f5e expressamente (artigo 51, IV) que, no fornecimento de produtos e servi\u00e7os, s\u00e3o nulas de pleno direito as cl\u00e1usulas contratuais que \u201cestabele\u00e7am obriga\u00e7\u00f5es consideradas in\u00edquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompat\u00edveis com a boa-f\u00e9 ou a equidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O relator acrescentou que, embora os contratos de loca\u00e7\u00e3o de coisa e de comodato sejam neg\u00f3cios jur\u00eddicos principais no Direito Civil, ambos podem assumir natureza acess\u00f3ria quando a controv\u00e9rsia disser respeito ao Direito do Consumidor (como no caso concreto, no qual o contrato principal \u00e9 a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de internet e TV por assinatura, e n\u00e3o a loca\u00e7\u00e3o ou o comodato dos equipamentos necess\u00e1rios \u00e0 atividade da prestadora do servi\u00e7o).<\/p>\n\n\n\n<p>O consumidor pode escolher a prestadora dos servi\u00e7os, mas n\u00e3o lhe \u00e9 facultado escolher qual empresa fornecer\u00e1 o equipamento que lhe ser\u00e1 entregue em comodato ou loca\u00e7\u00e3o pela prestadora do servi\u00e7o, pois isso \u00e9 consequ\u00eancia autom\u00e1tica do contrato de ades\u00e3o ao principal (que n\u00e3o permite altera\u00e7\u00f5es por parte do contratante). Logo, a cl\u00e1usula de assun\u00e7\u00e3o do risco em quest\u00e3o gera desequil\u00edbrio contratual e coloca o consumidor em desvantagem desmedida, apontou Martins.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa maneira, a 3\u00aa Turma do STJ declarou a nulidade das cl\u00e1usulas abusivas dessa natureza e determinou que prestadora retifique seus futuros contratos, sob pena de multa no valor de R$ 5 mil a cada irregularidade constatada, devendo indenizar os preju\u00edzos aos consumidores, que, sem culpa ou dolo, foram cobrados indevidamente.<\/p>\n\n\n\n<p>A corte ainda ordenou a divulga\u00e7\u00e3o, em sites de not\u00edcias e p\u00e1ginas de grande alcance da nulidade das cl\u00e1usulas e do direito ao ressarcimento, no foro dos respectivos domic\u00edlios, dos consumidores que efetuaram pagamentos indevidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Conjur<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 abusiva a cl\u00e1usula contratual que atribui ao consumidor a responsabilidade integral por dano, perda, furto, roubo ou extravio de equipamento locado ou cedido em comodato por prestadora de servi\u00e7os de internet e televis\u00e3o por assinatura. 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