{"id":36321,"date":"2024-03-27T15:50:06","date_gmt":"2024-03-27T18:50:06","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=36321"},"modified":"2024-03-27T15:50:06","modified_gmt":"2024-03-27T18:50:06","slug":"juizes-e-desembargadores-do-tjsp-questionam-cotas-de-genero-na-magistratura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2024\/03\/27\/juizes-e-desembargadores-do-tjsp-questionam-cotas-de-genero-na-magistratura\/","title":{"rendered":"Ju\u00edzes e Desembargadores do TJSP questionam cotas de g\u00eanero na magistratura"},"content":{"rendered":"\n<p>A pedido de ju\u00edzes e desembargadores do TJ\/SP, o advogado Ives Gandra da Silva Martins produziu parecer no qual entendeu que a resolu\u00e7\u00e3o 525\/23 do CNJ, que estabelece a\u00e7\u00e3o afirmativa de g\u00eanero para acesso de magistradas a tribunais de 2\u00ba grau, extrapola compet\u00eancias e \u00e9 inconstitucional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os ju\u00edzes questionaram se o CNJ ultrapassou limites constitucionais ao emitir a resolu\u00e7\u00e3o, considerando o Estatuto da Magistratura. Tamb\u00e9m perguntam se o g\u00eanero poderia ser considerado um crit\u00e9rio v\u00e1lido para determinar o acesso de ju\u00edzas aos tribunais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Limites constitucionais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ives Gandra Martins, amparando-se na CF, sustentou que &#8220;a lei \u00e9 mais inteligente que o legislador&#8221;, de modo que as novas normas devem sempre levar em conta a Constitui\u00e7\u00e3o como precedente imediato. Assim, entende que uma restri\u00e7\u00e3o n\u00e3o imposta pela CF n\u00e3o pode ser feita por lei ou ato infraconstitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o advogado, uma an\u00e1lise sistem\u00e1tica feita com t\u00e9cnicas hermen\u00eauticas \u00e9 essencial, especialmente diante de princ\u00edpios que podem se opor. Tamb\u00e9m ressaltou que o int\u00e9rprete n\u00e3o pode se afastar das leis da hermen\u00eautica por &#8220;coniv\u00eancia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O parecerista defende que os \u00fanicos crit\u00e9rios para promo\u00e7\u00e3o de magistrados devem ser a antiguidade e o m\u00e9rito, conforme estipula o art. 93 da CF, excluindo, portanto, o crit\u00e9rio de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A norma constitucional do artigo 93 \u00e9 clar\u00edssima e aplic\u00e1vel por uma interpreta\u00e7\u00e3o sist\u00eamica. E por se tratar de norma sist\u00eamica, qualquer disposi\u00e7\u00e3o em ato normativo infraconstitucional que pretenda introduzir outro tipo de crit\u00e9rio de promo\u00e7\u00e3o de magistrados, eliminando-se o inalien\u00e1vel e irredut\u00edvel direito constitucional, \u00e9 de densa e manifesta inconstitucionalidade.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Afronta \u00e0 igualdade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para o jurista, a resolu\u00e7\u00e3o do CNJ viola o princ\u00edpio da igualdade e o sistema de promo\u00e7\u00e3o baseado em antiguidade e m\u00e9rito, acabando por excluir aqueles j\u00e1 inclu\u00eddos no sistema. &#8220;[&#8230;] tal norma ainda macularia de morte o princ\u00edpio da igualdade, que \u00e9 a base do regime democr\u00e1tico de Direito&#8221;, completou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mudan\u00e7as culturais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O parecerista destaca a necessidade de uma mudan\u00e7a cultural para promover a igualdade de g\u00eanero, sem a imposi\u00e7\u00e3o das cotas.<\/p><div class=\"xvjcp69f6558973d09\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.xvjcp69f6558973d09 {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.xvjcp69f6558973d09 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.xvjcp69f6558973d09 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.xvjcp69f6558973d09 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.xvjcp69f6558973d09 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.xvjcp69f6558973d09 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"egzue69f6558973cf1\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.egzue69f6558973cf1 {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.egzue69f6558973cf1 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.egzue69f6558973cf1 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.egzue69f6558973cf1 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.egzue69f6558973cf1 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.egzue69f6558973cf1 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>Afirma que as mulheres merecem &#8220;aplausos&#8221; pela dedica\u00e7\u00e3o e dificuldades que encontram no mercado de trabalho. Para o jurista, antigamente as mulheres eram vistas &#8220;muito mais por seus atributos pessoais do que por seu desempenho profissional&#8221;. Em contrapartida, afirma Ives Gandra, a realidade vem sendo alterada, com maior presen\u00e7a de mulheres no Judici\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como exemplo, cita a presen\u00e7a de 40% de ju\u00edzas mulheres no TJ\/SP, entendendo que o crit\u00e9rio da igualdade de g\u00eanero est\u00e1 em &#8220;vias de concretiza\u00e7\u00e3o&#8221; e que, com o passar do tempo a paridade ser\u00e1 atingida, &#8220;at\u00e9 considerando que as mulheres s\u00e3o mais dedicadas e, muitas vezes, mais competentes que os homens&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, conclui que n\u00e3o basta o aumento das vagas para mulheres no Judici\u00e1rio sem a mudan\u00e7a de padr\u00f5es comportamentais da sociedade, pois, &#8220;se n\u00e3o mudarmos a mentalidade da sociedade de que ainda a mulher seria subordinada, fr\u00e1gil e reconhecida por sua beleza, essa realidade social n\u00e3o mudar\u00e1&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, afirmou que a igualdade \u00e9 um desafio que n\u00e3o deve ser enfrentado pela via ideol\u00f3gica, como o que fez a resolu\u00e7\u00e3o do CNJ.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mais \u00f4nus<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"640\" height=\"427\" src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/juizes.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2488\" srcset=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/juizes.jpg 640w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/juizes-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption>Ilustrativa<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ives Gandra Martins considera que a cota insinua que as ju\u00edzas alcan\u00e7aram presen\u00e7a na 2\u00aa inst\u00e2ncia, n\u00e3o por seus m\u00e9ritos, mas pela condi\u00e7\u00e3o feminina, criando &#8220;certo desconforto para as pr\u00f3prias mulheres, pois ser\u00e3o classificadas pelo simples fato de serem &#8216;mulheres&#8217; e, n\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o de sua &#8216;compet\u00eancia&#8217; e &#8216;antiguidade&#8217;, crit\u00e9rios objetivos para sua promo\u00e7\u00e3o junto ao Tribunal que representa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sistema de cotas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O parecerista ainda destacou que as cotas s\u00e3o uma regra de igualdade &#8220;educacional&#8221;, n\u00e3o &#8220;profissional&#8221;, ainda mais se tratando da magistratura, que depende de t\u00e9cnica para ser exercida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final, o advogado concluiu que a resolu\u00e7\u00e3o 525\/23 extrapola as atribui\u00e7\u00f5es do CNJ e introduz crit\u00e9rios n\u00e3o previstos na CF e na legisla\u00e7\u00e3o para a promo\u00e7\u00e3o de magistradas, sendo, dessa forma, inconstitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>Migalhas <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pedido de ju\u00edzes e desembargadores do TJ\/SP, o advogado Ives Gandra da Silva Martins produziu parecer no qual entendeu que a resolu\u00e7\u00e3o 525\/23 do CNJ, que estabelece a\u00e7\u00e3o afirmativa de g\u00eanero para acesso de magistradas a tribunais de 2\u00ba grau, extrapola compet\u00eancias e \u00e9 inconstitucional.&nbsp; Os ju\u00edzes questionaram se o CNJ ultrapassou limites constitucionais<br \/><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2024\/03\/27\/juizes-e-desembargadores-do-tjsp-questionam-cotas-de-genero-na-magistratura\/\">Mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36321"}],"collection":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36321"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36321\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":36322,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36321\/revisions\/36322"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36321"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36321"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36321"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}