{"id":36221,"date":"2024-03-19T16:54:51","date_gmt":"2024-03-19T19:54:51","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=36221"},"modified":"2024-03-19T16:54:51","modified_gmt":"2024-03-19T19:54:51","slug":"artigo-advogados-defendem-acordo-de-nao-persecucao-penal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2024\/03\/19\/artigo-advogados-defendem-acordo-de-nao-persecucao-penal\/","title":{"rendered":"ARTIGO: Advogados defendem acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Marcus Barros e Felipe Cortez<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"591\" height=\"884\" src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG-20240319-WA0012.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-36222\" srcset=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG-20240319-WA0012.jpg 591w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG-20240319-WA0012-201x300.jpg 201w\" sizes=\"(max-width: 591px) 100vw, 591px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"894\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG-20240319-WA0011-894x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-36223\" srcset=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG-20240319-WA0011-894x1024.jpg 894w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG-20240319-WA0011-262x300.jpg 262w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG-20240319-WA0011-768x880.jpg 768w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG-20240319-WA0011.jpg 1252w\" sizes=\"(max-width: 894px) 100vw, 894px\" \/><figcaption>Fotos: Cedidas<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal \u2013 ANPP, introduzido pelo Pacote Anticrime (Lei n\u00ba 13.964\/2019), \u00e9 um dos institutos jur\u00eddicos em mat\u00e9ria criminal mais importante dos \u00faltimos tempos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O ANPP se trata de um mecanismo de solu\u00e7\u00e3o consensual celebrado entre o Minist\u00e9rio P\u00fablico (titular da a\u00e7\u00e3o penal) e o autor do fato delituoso, que apesar de evitar o cumprimento da pena de pris\u00e3o do acusado, viabiliza uma resposta penal mais eficaz, uma esp\u00e9cie de \u201cpena alternativa\u201d debatida entre as partes, suficiente para a repara\u00e7\u00e3o do dano ao er\u00e1rio (quando \u00e9 o caso), pagamento de multas e restri\u00e7\u00f5es de condutas deliberadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A import\u00e2ncia do ANPP \u00e9 ainda maior em crimes contra a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, praticados sem viol\u00eancia f\u00edsica ou grave amea\u00e7a, e que na maioria das vezes a simples condena\u00e7\u00e3o a pena de pris\u00e3o n\u00e3o consegue materializar o ressarcimento do dano causado ao dinheiro p\u00fablico. Com o ANPP, verifica-se a oportunidade de ressarcimento dos valores obtidos atrav\u00e9s da pr\u00e1tica delitiva, uma vez que se imp\u00f5e a devolu\u00e7\u00e3o do dinheiro como condi\u00e7\u00e3o do acordo.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o requisitos cumulativos para proposta do Acordo de N\u00e3o Persecu\u00e7\u00e3o Penal: a) ter o investigado confessado formal, completa e circunstancialmente a pr\u00e1tica do delito; b) a pr\u00e1tica de infra\u00e7\u00e3o penal sem viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a; c) a pr\u00e1tica de infra\u00e7\u00e3o penal com pena m\u00ednima inferior a 4 (quatro) anos; e d) ser o acordo necess\u00e1rio e suficiente para reprova\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o do crime.<\/p>\n\n\n\n<p>No que se refere ao momento para propositura do ANPP, a mat\u00e9ria est\u00e1 em repercuss\u00e3o geral no STF no HC 185913 e, apesar de ainda n\u00e3o finalizado, posto que consta um pedido de vista do Min. Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, o resultado j\u00e1 caminha em favor da aplica\u00e7\u00e3o do instituto despenalizador em qualquer etapa do processo antes do tr\u00e2nsito em julgado, inclusive nos feitos existentes antes da promulga\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 13.964\/2019, bem como pela aplica\u00e7\u00e3o de ANPP tamb\u00e9m aos processos iniciados em data anterior \u00e0 vig\u00eancia da referida Lei, mesmo que ausente a confiss\u00e3o do r\u00e9u at\u00e9 o momento de sua proposi\u00e7\u00e3o, tendo votado favoravelmente a essa tese os Ministros <strong>Gilmar Mendes (Relator), Edson Fachin, Dias Toffoli e Cristiano Zanin, <\/strong>e contr\u00e1rio apenas o Ministro Alexandre de Moraes e a Min. C\u00e1rmen L\u00facia.<\/p>\n\n\n\n<p>O Poder Judici\u00e1rio est\u00e1 bem pr\u00f3ximo de fixar par\u00e2metros jurisprudenciais para a celebra\u00e7\u00e3o do ANPP, a fim de corrigir distor\u00e7\u00f5es e uniformizar o entendimento quanto a este relevante instituto jur\u00eddico, permitindo que todos os acusados possam ter o direito de requer\u00ea-lo. Debate-se, em regra, a possibilidade de o Minist\u00e9rio P\u00fablico, titular da a\u00e7\u00e3o penal e a quem cabe propor o acordo, quando evidentemente preenchidos todos os requisitos legais, recusar-se, sem fundamenta\u00e7\u00e3o ou com fundamentos rasos e in\u00f3cuos, a propositura do acordo.<\/p>\n\n\n\n<p>O legislador, no artigo 28-A do C\u00f3digo de Processo Penal, permitiu uma avalia\u00e7\u00e3o discricion\u00e1ria quanto ao oferecimento do acordo. Contudo, n\u00e3o se trata de uma discricionariedade plena, mas, sim, regrada, na qual s\u00e3o estabelecidas as balizas que o <em>parquet <\/em>deve se vincular ao fundamentar sua negativa, pois, caso contr\u00e1rio, abriria a possibilidade de aplica\u00e7\u00e3o do ANPP relegada ao campo da \u201csorte ou azar\u201d, o que \u00e9 incompat\u00edvel com a seguran\u00e7a jur\u00eddica necess\u00e1ria de um Estado Democr\u00e1tico de Direito.<\/p><div class=\"dnlgy69e28d25b6c72\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.dnlgy69e28d25b6c72 {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.dnlgy69e28d25b6c72 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.dnlgy69e28d25b6c72 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.dnlgy69e28d25b6c72 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.dnlgy69e28d25b6c72 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.dnlgy69e28d25b6c72 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"monik69e28d25b6c5d\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.monik69e28d25b6c5d {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.monik69e28d25b6c5d {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.monik69e28d25b6c5d {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.monik69e28d25b6c5d {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.monik69e28d25b6c5d {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.monik69e28d25b6c5d {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>Sendo assim, ao estabelecer requisitos claros, o legislador indica que, cumprido todos os crit\u00e9rios legais para propositura do ANPP, a celebra\u00e7\u00e3o do acordo \u00e9 o caminho indicado \u00e0 solu\u00e7\u00e3o harmoniosa do conflito penal, sendo tamb\u00e9m, por \u00f3bvio, necess\u00e1rio e suficiente para a preven\u00e7\u00e3o e reprova\u00e7\u00e3o do crime.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, qual o sentido de, no mesmo Estado, um acusado celebrar ANPP prevendo como condi\u00e7\u00e3o a repara\u00e7\u00e3o integral do dano no Munic\u00edpio X e outro acusado pelo mesmo crime, no Munic\u00edpio Y, n\u00e3o poder fazer o mesmo, exclusivamente porque o Promotor Natural desta outra comarca tem entendimento diverso? N\u00e3o faz qualquer sentido!<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, no contexto envolvendo o ANPP, \u00e9 razo\u00e1vel afirmar que, se o Minist\u00e9rio P\u00fablico deixa de oferecer o acordo por meio de manifesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o fundamentadas, cabe ao Poder Judici\u00e1rio, quando provocado para tanto, determinar uma nova an\u00e1lise acerca do oferecimento do ANPP, sem que nela sejam sopesadas as justificativas consideradas inid\u00f4neas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Isso quer dizer que, uma vez preenchidos os requisitos previstos no artigo 28-A do C\u00f3digo de Processo Penal, caso advenha recusa ministerial baseada em fundamenta\u00e7\u00e3o inid\u00f4nea, o judici\u00e1rio pode (e deve) determinar a desconsidera\u00e7\u00e3o dos ent\u00e3o argumentos equivocados e, assim, solicitar nova manifesta\u00e7\u00e3o ministerial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 justamente nesse sentido que os tribunais v\u00eam se posicionando, a fim de garantir ao acusado criminal o pleno direito \u00e0 motiva\u00e7\u00e3o e fundamenta\u00e7\u00e3o nos casos de recusa ao oferecimento do ANPP.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, vale destacar que, no resultado (por ora parcial) do julgamento do <strong>HC 185.913\/DF<\/strong> (no qual se discute, no Pleno do Supremo, a possibilidade do ANPP em processo que j\u00e1 se encontra em fase recursal, com condena\u00e7\u00e3o proferida), os Ministros <strong>Gilmar Mendes (Relator), Edson Fachin, Dias Toffoli e Cristiano Zanin<\/strong> votaram para conceder o Habeas Corpus de of\u00edcio, com a fixa\u00e7\u00e3o de algumas teses que regulariam a quest\u00e3o, dentre elas:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201c[&#8230;] [b] O arguido n\u00e3o tem o direito subjetivo ao Acordo de N\u00e3o Persecu\u00e7\u00e3o Penal, mas sim o direito subjetivo \u00e0 devida motiva\u00e7\u00e3o e fundamenta\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 negativa. A recusa ao Acordo de N\u00e3o Persecu\u00e7\u00e3o Penal deve ser motivada concretamente, com a indica\u00e7\u00e3o tang\u00edvel dos requisitos objetivos e subjetivos ausentes [\u00f4nus argumentativo do legitimado ativo da a\u00e7\u00e3o penal], especialmente as circunst\u00e2ncias que tornam insuficientes \u00e0 reprova\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o do crime [&#8230;]\u201d&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, nessa linha argumentativa, n\u00e3o pode o Minist\u00e9rio P\u00fablico recusar a propositura do ANPP por entender que o acusado merece ser preso; que o acordo \u00e9 mais favor\u00e1vel ao r\u00e9u; que o acusado tem que cumprir pena de pris\u00e3o; ou fazer prevalecer o entendimento pessoal do agente ministerial. Para recusar a propositura do acordo, o Minist\u00e9rio P\u00fablico dever\u00e1 declinar fundamento jur\u00eddico objetivo, baseado em crit\u00e9rios eminentemente legais, sob pena de o Poder Judici\u00e1rio n\u00e3o aceitar a recusa.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marcus Barros e Felipe Cortez O acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal \u2013 ANPP, introduzido pelo Pacote Anticrime (Lei n\u00ba 13.964\/2019), \u00e9 um dos institutos jur\u00eddicos em mat\u00e9ria criminal mais importante dos \u00faltimos tempos.&nbsp; O ANPP se trata de um mecanismo de solu\u00e7\u00e3o consensual celebrado entre o Minist\u00e9rio P\u00fablico (titular da a\u00e7\u00e3o penal) e o<br \/><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2024\/03\/19\/artigo-advogados-defendem-acordo-de-nao-persecucao-penal\/\">Mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36221"}],"collection":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36221"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36221\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":36224,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36221\/revisions\/36224"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36221"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36221"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36221"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}