{"id":34495,"date":"2023-11-06T12:57:00","date_gmt":"2023-11-06T15:57:00","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=34495"},"modified":"2023-11-06T12:27:59","modified_gmt":"2023-11-06T15:27:59","slug":"e-dever-do-juiz-perguntar-a-pessoa-trans-onde-ela-prefere-cumprir-pena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2023\/11\/06\/e-dever-do-juiz-perguntar-a-pessoa-trans-onde-ela-prefere-cumprir-pena\/","title":{"rendered":"\u00c9 dever do juiz perguntar a pessoa trans onde ela prefere cumprir pena"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00c9 dever do Judici\u00e1rio indagar \u00e0 pessoa autodeclarada transexual acerca da prefer\u00eancia pela cust\u00f3dia em unidade feminina, masculina ou espec\u00edfica, se houver, e, na unidade escolhida, prefer\u00eancia pela deten\u00e7\u00e3o no conv\u00edvio geral ou em alas ou celas espec\u00edficas.<ins><\/ins><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"700\" height=\"335\" src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Prisao-feminina-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32969\" srcset=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Prisao-feminina-1.jpg 700w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Prisao-feminina-1-300x144.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption>Judici\u00e1rio definiu regras espec\u00edficas para a defini\u00e7\u00e3o da forma de cumprimento de pena de pessoas transg\u00eanero condenadas<br><sup>Reprodu\u00e7\u00e3o<\/sup><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Com esse entendimento, o desembargador convocado ao Superior Tribunal de Justi\u00e7a Jesu\u00edno Rissato concedeu a ordem em Habeas Corpus para determinar a soltura de uma mulher transexual que cumpre pena no regime semiaberto em condi\u00e7\u00f5es incompat\u00edveis com sua realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela estava presa em Florian\u00f3polis quando obteve permiss\u00e3o para cumprir a pena no regime domiciliar harmonizado, em recolhimento integral e com monitoramento eletr\u00f4nico. Isso ocorreu porque o pres\u00eddio da capital n\u00e3o \u00e9 aparelhado para garantir a seguran\u00e7a da pessoa trans.<\/p>\n\n\n\n<p>A presa ent\u00e3o foi para Crici\u00fama, onde h\u00e1 pres\u00eddio apto a receber reclusos em regime semiaberto. O ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o penal deu duas op\u00e7\u00f5es \u00e0 apenada: se recolher em Crici\u00fama nas alas gerais ou retornar a Florian\u00f3polis para manter a pris\u00e3o domiciliar.<ins><\/ins><\/p>\n\n\n\n<p>A defesa, feita pela Defensoria P\u00fablica de Santa Catarina, pediu a reconsidera\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o, de maneira a permitir que ela fique em Crici\u00fama no regime domiciliar ou, alternativa, seja recolhida na penitenci\u00e1ria feminina local.<\/p>\n\n\n\n<p>O ju\u00edzo negou o pedido por considerar invi\u00e1vel manter uma apenada biologicamente masculina em uma unidade feminina, onde a privacidade das internas \u00e9 bastante reduzida. Destacou ainda que isso criaria constrangimento nas revistas para o banho de sol, realizadas em fila e em grupo, por policiais penais femininas.<\/p><div class=\"aoqdy69df74223294f\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.aoqdy69df74223294f {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.aoqdy69df74223294f {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.aoqdy69df74223294f {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.aoqdy69df74223294f {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.aoqdy69df74223294f {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.aoqdy69df74223294f {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"lakkb69df742232931\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.lakkb69df742232931 {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.lakkb69df742232931 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.lakkb69df742232931 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.lakkb69df742232931 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.lakkb69df742232931 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.lakkb69df742232931 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>Relator do HC, o desembargador convocado Jesu\u00edno Rissato destacou que o caso n\u00e3o trata da estrutura prisional para o cumprimento da pena em regime semiaberto, mas sim das condi\u00e7\u00f5es adequadas para resguardar a vida e a integridade f\u00edsica das pessoas trans custodiadas pelo Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele citou&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2021-mar-19\/barroso-permite-trans-travestis-escolham-onde-cumprir-pena\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">decis\u00e3o<\/a>&nbsp;do Supremo Tribunal Federal que permitiu a essa popula\u00e7\u00e3o escolher onde cumprir pena e a consequente Resolu\u00e7\u00e3o 366\/2021 do Conselho Nacional de Justi\u00e7a, que estabeleceu diretrizes que incluem a oitiva do apenado trans para saber de sua prefer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a escolha do local de cumprimento da pena pela pessoa trans n\u00e3o \u00e9 um exerc\u00edcio de livre discricionariedade do julgador, mas uma an\u00e1lise que busca resguardar a liberdade sexual e a integridade f\u00edsica dessa popula\u00e7\u00e3o vulnerabilizada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPortanto, \u00e9 dever do Judici\u00e1rio indagar \u00e0 pessoa autodeclarada parte da popula\u00e7\u00e3o transexual acerca da prefer\u00eancia pela cust\u00f3dia em unidade feminina, masculina ou espec\u00edfica, se houver, e, na unidade escolhida, prefer\u00eancia pela deten\u00e7\u00e3o no conv\u00edvio geral ou em alas ou celas espec\u00edficas\u201d, concluiu.<\/p>\n\n\n\n<p>A concess\u00e3o da ordem restabelece a primeira decis\u00e3o, que permitia \u00e0 presa cumprir pena no regime domiciliar, e determina exame das condi\u00e7\u00f5es da penitenci\u00e1ria feminina de Crici\u00fama para receber detenta mulher transg\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>HC 861.817<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 dever do Judici\u00e1rio indagar \u00e0 pessoa autodeclarada transexual acerca da prefer\u00eancia pela cust\u00f3dia em unidade feminina, masculina ou espec\u00edfica, se houver, e, na unidade escolhida, prefer\u00eancia pela deten\u00e7\u00e3o no conv\u00edvio geral ou em alas ou celas espec\u00edficas. 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