{"id":30235,"date":"2023-01-30T14:09:00","date_gmt":"2023-01-30T17:09:00","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=30235"},"modified":"2023-01-30T11:57:35","modified_gmt":"2023-01-30T14:57:35","slug":"bairro-seguro-lei-que-autorizava-bloqueio-em-ruas-de-natal-e-julgada-inconstitucional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2023\/01\/30\/bairro-seguro-lei-que-autorizava-bloqueio-em-ruas-de-natal-e-julgada-inconstitucional\/","title":{"rendered":"\u201cBairro seguro\u201d: lei que autorizava bloqueio em ruas de Natal \u00e9 julgada inconstitucional"},"content":{"rendered":"\n<p>O Tribunal Pleno do TJRN julgou como inconstitucional a Lei n. 531\/2018, editada pela C\u00e2mara Municipal de Natal, que instituiu o programa \u201cBairro seguro\u201d, na qual se autorizava o bloqueio ou fechamento de ruas localizadas na capital. Normativo esse que, conforme o julgamento, incorre na inconstitucionalidade formal por v\u00edcio de iniciativa, em afronta ao artigo 61, da constitui\u00e7\u00e3o federal e, por simetria, os artigos 2\u00ba e 46, da constitui\u00e7\u00e3o potiguar, ao estabelecer novas atribui\u00e7\u00f5es \u00e0 Secretaria municipal de Transporte e Tr\u00e2nsito Urbano \u2013 STTU e \u00e0 administra\u00e7\u00e3o municipal direta.<\/p>\n\n\n\n<p>O julgamento apenas registrou diverg\u00eancias quanto ao prazo de 60 dias para se desfazer as limita\u00e7\u00f5es de acesso \u00e0s vias p\u00fablicas fechadas pelo condom\u00ednio que as executou. A diverg\u00eancia se deu diante do entendimento dos desembargadores Dilermando Mota, Zeneide Bezerra, Glauber R\u00eago, Lourdes Azev\u00eado e Am\u00edlcar Maia, no sentido de que o Poder P\u00fablico deve arcar com os custos. O que n\u00e3o foi entendido pela maioria.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"350\" height=\"289\" src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/concurso-PM-RN.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-774\" srcset=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/concurso-PM-RN.jpg 350w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/concurso-PM-RN-300x248.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><figcaption>Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>De acordo com a decis\u00e3o, a mat\u00e9ria \u00e9 de iniciativa legislativa do chefe do poder executivo e tal lei &#8211; ao permitir que moradores de uma determinada regi\u00e3o, bairro ou localidade, restrinjam o livre ingresso de indiv\u00edduos atrav\u00e9s da instala\u00e7\u00e3o \u201cautorizada\u201d de bloqueios f\u00edsicos &#8211; afronta diretamente a garantia constitucional de livre locomo\u00e7\u00e3o em territ\u00f3rio nacional. Desta forma, o dispositivo, conforme o colegiado decidiu, por unanimidade, \u00e9 incompat\u00edvel com as diretrizes das pol\u00edticas urbanas insertas no artigo 116, da Constitui\u00e7\u00e3o estadual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Condom\u00ednios de fato<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O voto do relator ainda ressaltou que, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, se intensificou o surgimento de loteamentos chamados de \u201ccondom\u00ednios de fato\u201d, com uma modalidade diversa daquela originariamente disciplinada pela Lei 6.766\/1979. \u201cA partir do seu fechamento por muros ou cercas e a instala\u00e7\u00e3o de mecanismos de controle de acesso (portarias ou cancelas), as \u00e1reas primitivamente p\u00fablicas ficaram restritas ao usufruto dos indiv\u00edduos residentes nas \u00e1reas intramuros\u201d, esclarece.<\/p><div class=\"smjlz69e4ac9aab617\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.smjlz69e4ac9aab617 {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.smjlz69e4ac9aab617 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.smjlz69e4ac9aab617 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.smjlz69e4ac9aab617 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.smjlz69e4ac9aab617 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.smjlz69e4ac9aab617 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"ahrat69e4ac9aab602\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.ahrat69e4ac9aab602 {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.ahrat69e4ac9aab602 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.ahrat69e4ac9aab602 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.ahrat69e4ac9aab602 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.ahrat69e4ac9aab602 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.ahrat69e4ac9aab602 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o ainda ressaltou que a mudan\u00e7a tem a subscri\u00e7\u00e3o de 85% dos moradores da localidade, deixando de observar que as ruas municipais, por serem bens de uso comum do povo, t\u00eam por objetivo espec\u00edfico servir \u00e0 livre circula\u00e7\u00e3o, ao livre tr\u00e2nsito e \u00e0 livre locomo\u00e7\u00e3o de pessoas (ainda que por meio de ve\u00edculos automotores).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm outras palavras, as vias municipais asseguram o direito constitucional fundamental de \u2018ir e vir\u2019 do cidad\u00e3o em geral\u201d, define o desembargador Gilson Barbosa, ao citar o entendimento de juristas sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<p>O relator acrescenta que, diferente de outros julgamentos, a Lei impugnada n\u00e3o se busca a regulariza\u00e7\u00e3o de loteamentos fechados a serem implantados na municipalidade, diversamente, cria uma autoriza\u00e7\u00e3o para que, em ruas hoje de regular circula\u00e7\u00e3o comum a todos, possam ser instaladas barreiras (muros, guaritas, cancelas) por liberalidade de 85% dos moradores ali residentes, pelo que inaplic\u00e1veis as conclus\u00f5es lan\u00e7adas em decis\u00f5es anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cS\u00e3o diferentes do julgamento da A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade n. 2014.025826-4, da Relatora do Desembargador Am\u00edlcar Maia, e na A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade n. 2010.005200-0, de minha relatoria\u201d, pontua Gilson Barbosa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade N\u00ba 0802791-42.2021.8.20.0000)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Tribunal Pleno do TJRN julgou como inconstitucional a Lei n. 531\/2018, editada pela C\u00e2mara Municipal de Natal, que instituiu o programa \u201cBairro seguro\u201d, na qual se autorizava o bloqueio ou fechamento de ruas localizadas na capital. 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