{"id":2765,"date":"2019-10-02T09:20:08","date_gmt":"2019-10-02T12:20:08","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=2765"},"modified":"2019-10-02T07:58:30","modified_gmt":"2019-10-02T10:58:30","slug":"stf-mantem-condenacao-de-adulto-por-beijo-lascivo-em-crianca-de-5-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2019\/10\/02\/stf-mantem-condenacao-de-adulto-por-beijo-lascivo-em-crianca-de-5-anos\/","title":{"rendered":"STF mant\u00e9m condena\u00e7\u00e3o de adulto por beijo lascivo em crian\u00e7a de 5 anos"},"content":{"rendered":"\n<p>A 1\u00aa turma do STF, por maioria de votos, manteve a condena\u00e7\u00e3o de um adulto em raz\u00e3o de um beijo lascivo dado em uma crian\u00e7a de cinco anos de idade. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O r\u00e9u foi condenado pelo ju\u00edzo da 1\u00aa Vara Criminal de Igarapava\/SP a oito anos de reclus\u00e3o, em regime inicial semiaberto, por estupro de vulner\u00e1vel. Em exame de apela\u00e7\u00e3o penal, o TJ\/SP desqualificou o ato para a contraven\u00e7\u00e3o penal de molestamento e imp\u00f4s ainda pena de multa. O MP interp\u00f4s recurso e o relator no STJ deu provimento para restabelecer a condena\u00e7\u00e3o proferida em primeira inst\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pena desproporcional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No habeas corpus impetrado no STF, a defesa afirmava que a pena \u00e9 desproporcional \u00e0 conduta, pois o ato praticado foi um \u00fanico beijo em lugar pr\u00f3ximo a outras pessoas. De acordo com a defesa, embora a conduta do r\u00e9u seja \u201cconden\u00e1vel e reprov\u00e1vel\u201d, n\u00e3o teria havido conota\u00e7\u00e3o sexual no beijo ou danos psicol\u00f3gicos permanentes \u00e0 v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p>A PGR se manifestou pela manuten\u00e7\u00e3o da condena\u00e7\u00e3o em primeira inst\u00e2ncia. De acordo com o parecer, a conduta de beijar uma crian\u00e7a de cinco anos na boca se qualifica como ato libidinoso, o que configura estupro de vulner\u00e1vel. N\u00e3o seria vi\u00e1vel, assim desqualificar o ato para uma simples contraven\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pedofilia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/www.globalframe.com.br\/gf_base\/empresas\/MIGA\/imagens\/CA4EA4B36706C35DD960C31C3B0B5B5E1537_MORAES.jpg\" alt=\"t\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Em voto proferido em dezembro \u00faltimo, o ministro&nbsp;<strong>Alexandre de Moraes<\/strong>&nbsp;afastou a ocorr\u00eancia de ilegalidade ou de constrangimento ilegal na decis\u00e3o do STJ que manteve a condena\u00e7\u00e3o e observou que houve um ato cl\u00e1ssico de pedofilia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o ministro, o fato definido como crime na lei (ter conjun\u00e7\u00e3o carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 anos) existiu, e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel desclassificar a conduta para molestamento. Na ocasi\u00e3o, afirmou:<\/p><div class=\"upyct69eef8d5bde3a\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.upyct69eef8d5bde3a {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.upyct69eef8d5bde3a {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.upyct69eef8d5bde3a {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.upyct69eef8d5bde3a {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.upyct69eef8d5bde3a {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.upyct69eef8d5bde3a {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"xidmv69eef8d5bde25\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.xidmv69eef8d5bde25 {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.xidmv69eef8d5bde25 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.xidmv69eef8d5bde25 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.xidmv69eef8d5bde25 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.xidmv69eef8d5bde25 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.xidmv69eef8d5bde25 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>\u201c<em>N\u00e3o \u00e9 caso aqui de retroatividade de lei ben\u00e9fica. S\u00e3o tipos penais absolutamente diversos e as pr\u00f3prias elementares do artigo 215-A demonstram isso. (&#8230;) O artigo 215-A n\u00e3o quis transformar ato libidinoso diverso da conjun\u00e7\u00e3o carnal em tipo menos grave. Ele criou um tipo, um tipo que n\u00e3o exige nenhuma participa\u00e7\u00e3o ativa da v\u00edtima. Este \u00e9 o tipo penal: praticar contra algu\u00e9m, n\u00e3o com algu\u00e9m. Praticar contra algu\u00e9m e sem a sua anu\u00eancia ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a pr\u00f3pria lasciva.<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro destacou que a conota\u00e7\u00e3o sexual, para determinadas faixas et\u00e1rias, \u00e9 uma quest\u00e3o de abuso de poder e de confian\u00e7a, pois, embora uma crian\u00e7a de cinco anos n\u00e3o entenda a quest\u00e3o sexual, os reflexos ser\u00e3o sentidos na adolesc\u00eancia, dificultando que tenham confian\u00e7a em outras pessoas no momento de se relacionar.&nbsp;\u201c<em>N\u00e3o houve conjun\u00e7\u00e3o carnal, mas houve abuso de confian\u00e7a para um ato sexual<\/em>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O julgamento foi retomado na sess\u00e3o desta ter\u00e7a-feira, 1\u00ba\/10, com o voto-vista do ministro Luiz Fux pela manuten\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a, por entender que o ato configura o delito de estupro de vulner\u00e1vel. A ministra Rosa Weber votou no mesmo sentido.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Beijo lascivo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na sess\u00e3o de dezembro, o relator do HC, ministro Marco Aur\u00e9lio, votou pela manuten\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o do TJ, pois considera que o chamado beijo lascivo n\u00e3o configura estupro. O ministro observou que, anteriormente, havia dois tipos penais \u2013 estupro e atentado violento ao pudor \u2013 com penas diversas. Mas, que com a altera\u00e7\u00e3o no CP introduzida pela lei 12.015\/09, as duas condutas foram reunidas no conceito mais abrangente de estupro de vulner\u00e1vel, estipulando pena de 8 a 15 anos de reclus\u00e3o para o delito de constranger menor de 14 anos a conjun\u00e7\u00e3o carnal ou a pr\u00e1tica de ato libidinoso diverso.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo S.Exa., a conduta do r\u00e9u restringiu-se \u00e0 consuma\u00e7\u00e3o de beijo lascivo, o que n\u00e3o se equipara \u00e0 penetra\u00e7\u00e3o ou ao contato direto com a genit\u00e1lia da v\u00edtima, situa\u00e7\u00f5es em que o constrangimento \u00e9 maior e a submiss\u00e3o \u00e0 vontade do agressor \u00e9 total.<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro Lu\u00eds Roberto Barroso tamb\u00e9m considerou a pena excessiva e votou pela concess\u00e3o do HC para desclassificar a conduta e determinar que o ju\u00edzo de primeira inst\u00e2ncia emita nova senten\u00e7a com base no artigo 215-A do CP (praticar contra algu\u00e9m e sem a sua anu\u00eancia ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a pr\u00f3pria lasc\u00edvia ou a de terceiro), cuja pena varia de um a cinco anos de reclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>MIGALHAS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O r\u00e9u foi condenado pelo ju\u00edzo da 1\u00aa Vara Criminal de Igarapava\/SP a oito anos de reclus\u00e3o<br \/><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2019\/10\/02\/stf-mantem-condenacao-de-adulto-por-beijo-lascivo-em-crianca-de-5-anos\/\">Mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":583,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2765"}],"collection":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2765"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2765\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2766,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2765\/revisions\/2766"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/583"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2765"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2765"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2765"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}