{"id":25880,"date":"2022-05-03T18:09:00","date_gmt":"2022-05-03T21:09:00","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=25880"},"modified":"2022-05-03T16:55:05","modified_gmt":"2022-05-03T19:55:05","slug":"stj-anula-julgamento-em-que-desembargador-chamou-reu-de-animal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2022\/05\/03\/stj-anula-julgamento-em-que-desembargador-chamou-reu-de-animal\/","title":{"rendered":"STJ anula julgamento em que desembargador chamou r\u00e9u de &#8220;animal&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p>O uso de palavras desrespeitosas sobre o r\u00e9u configura nulidade por parcialidade do julgador, mesmo que n\u00e3o tenham sido registradas por escrito no voto proferido. Ainda que nenhum juiz seja axiologicamentre neutro, n\u00e3o se pode negar que o envolvimento emocional com o fato apurado pode interferir na sua imparcialidade, atributo que faz parte do devido processo legal.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"680\" height=\"382\" src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/CAF8748F04366BA854D310F46072236A80B3_stj.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6777\" srcset=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/CAF8748F04366BA854D310F46072236A80B3_stj.jpg 680w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/CAF8748F04366BA854D310F46072236A80B3_stj-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><figcaption>Ilustrativa<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Com esse entendimento, a 6\u00aa Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a concedeu a ordem em Habeas Corpus para anular um julgamento de apela\u00e7\u00e3o proferido em que o Tribunal de Justi\u00e7a do Paran\u00e1 manteve a condena\u00e7\u00e3o de um homem pelo crime de estupro de vulner\u00e1vel contra a pr\u00f3pria filha.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso foi julgado pela 3\u00aa C\u00e2mara Criminal do TJ-PR. O relator, desembargador Gamaliel Seme Scaff, identificou que as provas levantaram incongru\u00eancias e deixavam d\u00favidas, e com isso votou pela absolvi\u00e7\u00e3o por insufici\u00eancia probat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Abriu a diverg\u00eancia o desembargador Paulo Vasconcelos, que votou por manter a condena\u00e7\u00e3o por entender que a narrativa da acusa\u00e7\u00e3o foi l\u00facida, segura e consonante com outros elementos de prova, como os depoimentos de psic\u00f3loga e pedagoga envolvidas no caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sess\u00e3o de julgamento, Vasconcelos disse que ficou horrorizado com o relato da v\u00edtima, crian\u00e7a que teria sido abusada no per\u00edodo entre os 6 e 11 anos de idade. Chamou o r\u00e9u de &#8220;suposto pai, porque nem pai podia ser&#8230; Uma pessoa dessas \u00e9 um animal! Um animal!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Disse que o caso o lembrou da pr\u00f3pria neta, uma crian\u00e7a de tenra idade. &#8220;N\u00e3o me conformo! N\u00e3o me conformo!&#8221;, afirmou. &#8220;Ent\u00e3o, olha, isso a\u00ed me emociona e eu como magistrado jamais absolveria um cidad\u00e3o desse!&#8221;, bradou.<\/p><div class=\"uvwpr69de5924abe03\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.uvwpr69de5924abe03 {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.uvwpr69de5924abe03 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.uvwpr69de5924abe03 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.uvwpr69de5924abe03 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.uvwpr69de5924abe03 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.uvwpr69de5924abe03 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"bsmsj69de5924abde4\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.bsmsj69de5924abde4 {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.bsmsj69de5924abde4 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.bsmsj69de5924abde4 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.bsmsj69de5924abde4 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.bsmsj69de5924abde4 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.bsmsj69de5924abde4 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>&#8220;Absolver um animal desse! Esse cara foi um animal! Pra mim, um animal!&#8221;, complementou. O voto divergente se sagrou vencedor, e a condena\u00e7\u00e3o foi mantida. As ofensas ao r\u00e9u n\u00e3o foram inclu\u00eddas por escrito no voto vencedor.<\/p>\n\n\n\n<p>Relator no STJ, o desembargador convocado Olindo Menezes destacou que a Lei Org\u00e2nica da Magistratura Nacional exige que o julgador trate os envolvidos no processo com urbanidade. E apontou que as falas do desembargador Paulo Vasconcelos extrapolaram em muito essa previs\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As desrespeitosas express\u00f5es que lhe foram dirigidas oralmente na sess\u00e3o de julgamento da apela\u00e7\u00e3o exorbitam claramente de uma mera quest\u00e3o de falta de urbanidade, parar configurar vis\u00edvel falta de imparcialidade e, portanto, caso de nulidade por suspei\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao chamar o r\u00e9u de porco e dizer que jamais absolveria &#8220;um animal desses&#8221;, o julgador ofendeu a garantia constitucional da imparcialidade, componente do devido processo legal e que deve ser observada em todo e qualquer julgamento em um sistema acusat\u00f3rio. A conclus\u00e3o da 6\u00aa Turma foi un\u00e2nime.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>HC 718.525<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conjur<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O uso de palavras desrespeitosas sobre o r\u00e9u configura nulidade por parcialidade do julgador, mesmo que n\u00e3o tenham sido registradas por escrito no voto proferido. 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