{"id":24317,"date":"2022-02-02T11:20:00","date_gmt":"2022-02-02T14:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=24317"},"modified":"2022-02-02T09:21:55","modified_gmt":"2022-02-02T12:21:55","slug":"operacao-liberta-trabalhadoras-domesticas-de-situacao-analoga-a-escravidao-em-natal-e-em-mossoro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2022\/02\/02\/operacao-liberta-trabalhadoras-domesticas-de-situacao-analoga-a-escravidao-em-natal-e-em-mossoro\/","title":{"rendered":"Opera\u00e7\u00e3o liberta trabalhadoras dom\u00e9sticas de situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o em Natal e em Mossor\u00f3"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma a\u00e7\u00e3o conjunta resgatou duas trabalhadoras dom\u00e9sticas de condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o na \u00faltima quarta-feira (26), no Rio Grande do Norte. A primeira delas foi resgatada em Mossor\u00f3, na regi\u00e3o Oeste, e a segunda em Natal, capital do estado. As ocorr\u00eancias foram as primeiras relativas a trabalho dom\u00e9stico em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o em 27 anos de registro de casos dessa natureza pela Subsecretaria de Inspe\u00e7\u00e3o do Trabalho (SIT), do Minist\u00e9rio do Trabalho e Previd\u00eancia.<br><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Al\u00e9m da explora\u00e7\u00e3o irregular do trabalho, ainda observamos, nos dois casos, maus tratos e, no caso de Natal, amea\u00e7as, abusos e excesso de poder disciplinar. No caso de Mossor\u00f3, houve ainda o ass\u00e9dio sexual, o que torna as condi\u00e7\u00f5es ainda mais indignas. Psicologicamente eram situa\u00e7\u00f5es muito degradantes&#8221;, explica a procuradora Cec\u00edlia Am\u00e1lia Santos, do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT), que participou da opera\u00e7\u00e3o no Rio Grande do Norte. Integraram a a\u00e7\u00e3o fiscal, al\u00e9m da Inspe\u00e7\u00e3o do Trabalho e do MPT, a Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o (DPU) e a Pol\u00edcia Federal (PF).<br><\/p>\n\n\n\n<p>O resgate em Mossor\u00f3 ocorreu ap\u00f3s a constata\u00e7\u00e3o de trabalhos for\u00e7ados, condi\u00e7\u00f5es degradantes, jornadas exaustivas e restri\u00e7\u00e3o de liberdade. De acordo com o relat\u00f3rio da a\u00e7\u00e3o, a v\u00edtima foi morar e trabalhar na resid\u00eancia da fam\u00edlia aos 16 anos de idade, o que est\u00e1 em desacordo com a legisla\u00e7\u00e3o brasileira, que pro\u00edbe o trabalho infantil dom\u00e9stico, listado como uma das piores formas de trabalho infantil pelo Decreto n\u00ba 6.481\/2008. A equipe de fiscaliza\u00e7\u00e3o constatou que ela n\u00e3o tinha v\u00ednculo de emprego na carteira de trabalho, nunca recebeu sal\u00e1rios, n\u00e3o gozou de f\u00e9rias, trabalhava regularmente aos finais de semana e n\u00e3o teve o FGTS recolhido.<br><\/p><div class=\"xfwva69df29a8bb1d2\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.xfwva69df29a8bb1d2 {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.xfwva69df29a8bb1d2 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.xfwva69df29a8bb1d2 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.xfwva69df29a8bb1d2 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.xfwva69df29a8bb1d2 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.xfwva69df29a8bb1d2 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"xaqtq69df29a8bb1bf\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.xaqtq69df29a8bb1bf {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.xaqtq69df29a8bb1bf {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.xaqtq69df29a8bb1bf {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.xaqtq69df29a8bb1bf {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.xaqtq69df29a8bb1bf {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.xaqtq69df29a8bb1bf {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>&#8220;O trabalho dom\u00e9stico an\u00e1logo ao de escravo \u00e9 invisibilizado porque \u00e9 normalizado. Infelizmente ainda \u00e9 muito comum que fam\u00edlias peguem meninas no in\u00edcio da adolesc\u00eancia para criar, em troca de oferecimento de estudos. S\u00f3 que essa oportunidade de estudo nunca vem e essas meninas acabam ficando para sempre cuidando daquela fam\u00edlia, exercendo atividades de cuidado, todos os dias, sem controle de jornada, sem finais de semana, f\u00e9rias ou recebimento de sal\u00e1rio. Isso durante d\u00e9cadas. O que percebemos \u00e9 a normaliza\u00e7\u00e3o de uma cultura patriarcal que diz que a atividade de cuidado n\u00e3o merece remunera\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o \u00e9 verdade&#8221;, pontua a procuradora Cec\u00edlia Santos.<\/em><img src=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0?ui=2&amp;ik=46136d5545&amp;attid=0.1&amp;permmsgid=msg-f:1723649171046398818&amp;th=17eba1c9ed9dfb62&amp;view=fimg&amp;fur=ip&amp;sz=s0-l75-ft&amp;attbid=ANGjdJ-6W2yYYVwyxdfYgz9ZNIhgO4yVx9hnjUFxzGhHU6qafegX37w8Y4kQYFvicFsLjOfcaGsko818i8qCITXLWh6i3JZLFlKPXF1X2heIznyVLxHIlOZwhRBW0c0&amp;disp=emb\"><br>Reprodu\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>No resgate realizado em Natal, a equipe constatou que a empregada dom\u00e9stica trabalhava havia cinco anos na resid\u00eancia, de segunda-feira a domingo, ficando \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da empregadora 24 horas por dia e descansando apenas a cada 15 dias. Ela nunca teve f\u00e9rias e trabalhava normalmente nos feriados. A trabalhadora dormia no quarto da empregadora, num colch\u00e3o no ch\u00e3o. Tamb\u00e9m estava sem registro em carteira de trabalho, recebendo um sal\u00e1rio de R$ 500 por m\u00eas. Todos os seus pertences ficavam dentro de uma mochila.<br><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Durante o per\u00edodo em que estiveram com essas fam\u00edlias, essas mulheres n\u00e3o tiveram acesso a nenhum tipo de curso de profissionaliza\u00e7\u00e3o \u2013 ou seja, a promessa original de estudo nunca foi cumprida e ambas permanecem analfabetas&#8221;, registra a procuradora. De acordo com ela, essas mulheres tamb\u00e9m perderam o direito \u00e0 socializa\u00e7\u00e3o. &#8220;\u00c9 um dano existencial, que vai al\u00e9m do dano moral; aquilo que foi perdido durante a adolesc\u00eancia e a juventude n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter de volta. Por mais que consigamos indenizar essas trabalhadoras, o tempo de vida n\u00e3o tem como ser compensado&#8221;, explica.<br>Os empregadores foram notificados, ap\u00f3s o resgate, a regularizar o v\u00ednculo de emprego com as trabalhadoras e a quitar suas verbas rescis\u00f3rias, recolher o FGTS e as contribui\u00e7\u00f5es sociais previstas em lei. As empregadas dom\u00e9sticas resgatadas t\u00eam direito ao recebimento de tr\u00eas parcelas do Seguro-Desemprego Especial do Trabalhador Resgatado e foram encaminhadas ao Centro de Refer\u00eancia da Mulher para atendimento priorit\u00e1rio a mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, nos termos da Lei Complementar n\u00ba 150\/2015 e da Lei Maria da Penha.<br><strong>Trabalho escravo dom\u00e9stico \u2013<\/strong>\u00a0Um dos tipos de trabalho escravo mais identificadas em \u00e1reas urbanas em 2021 foi o trabalho escravo dom\u00e9stico, que afeta principalmente mulheres negras. Segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA) de 2019, mais de 6 milh\u00f5es de brasileiros e brasileiras dedicam-se a servi\u00e7os dom\u00e9sticos. Desse total, 92% s\u00e3o mulheres \u2013 em sua maioria negras, de baixa escolaridade e oriundas de fam\u00edlias de baixa renda. O aumento de den\u00fancias de trabalhadoras dom\u00e9sticas nos \u00faltimos anos e, consequentemente, de resgates, deve-se a um conjunto de fatores, dentre eles o empoderamento da categoria das empregadas dom\u00e9sticas ao longo da \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma a\u00e7\u00e3o conjunta resgatou duas trabalhadoras dom\u00e9sticas de condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o na \u00faltima quarta-feira (26), no Rio Grande do Norte. A primeira delas foi resgatada em Mossor\u00f3, na regi\u00e3o Oeste, e a segunda em Natal, capital do estado. 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