{"id":23104,"date":"2021-11-26T13:33:00","date_gmt":"2021-11-26T16:33:00","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=23104"},"modified":"2021-11-26T12:55:44","modified_gmt":"2021-11-26T15:55:44","slug":"nova-decisao-do-stj-sobre-veto-de-airbnb-em-condominios-divide-advogados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2021\/11\/26\/nova-decisao-do-stj-sobre-veto-de-airbnb-em-condominios-divide-advogados\/","title":{"rendered":"Nova decis\u00e3o do STJ sobre veto de Airbnb em condom\u00ednios divide advogados"},"content":{"rendered":"\n<p>A&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2021-nov-23\/locacao-temporada-via-airbnb-limitada-condominio\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">decis\u00e3o<\/a>&nbsp;da 3\u00aa Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, que na ter\u00e7a-feira (25\/11) julgou que a loca\u00e7\u00e3o por temporada por curta temporada no modelo praticado pelo Airbnb pode ser proibida pelos condom\u00ednios, gerou rea\u00e7\u00f5es divididas entre juristas consultados pela&nbsp;<strong>ConJur<\/strong>. Enquanto alguns a consideram acertada, outros apontam para as consequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"600\" height=\"200\" src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/aplicativo-aluguel.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-561\" srcset=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/aplicativo-aluguel.png 600w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/aplicativo-aluguel-300x100.png 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption>Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Trata-se do segundo precedente da corte sobre o tema. Em abril, a 4\u00aa Turma tamb\u00e9m apreciou&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2021-abr-20\/locacao-airbnb-nao-residencial-vedada-predio\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">e decidiu no mesmo sentido<\/a>, em favor dos condom\u00ednios que, eventualmente, possam definir em assembleia pela proibi\u00e7\u00e3o de loca\u00e7\u00e3o de suas unidades por curta temporada. Tamb\u00e9m aquela decis\u00e3o repercutiu entre advogados,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2021-abr-21\/decisao-stj-airbnb-ainda-nao-definitiva-dizem-advogados\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">como mostrou a<strong>&nbsp;ConJur<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso julgado pela 3\u00aa Turma, um condom\u00ednio de Londrina (PR) incluiu um item em sua conven\u00e7\u00e3o para proibir o aluguel por temporada de suas respectivas unidades por qualquer per\u00edodo inferior a 90 dias. Na a\u00e7\u00e3o, um dos cond\u00f4minos se insurgia contra a regra. O pedido foi negado pelo STJ.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Faz sentido<\/strong><br>Para&nbsp;<strong>Kizzy De Paula Mota<\/strong>, especialista em Direito Imobili\u00e1rio no escrit\u00f3rio&nbsp;<strong>Peixoto &amp; Cury Advogados<\/strong>, o resultado est\u00e1 em conson\u00e2ncia com a Lei de Loca\u00e7\u00f5es (<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8245.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lei 8.245\/1991<\/a>), bem como algumas decis\u00f5es j\u00e1 proferidas pelo STJ privilegiam a quest\u00e3o da destina\u00e7\u00e3o original do im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A loca\u00e7\u00e3o por meio de plataforma digitais se assemelha \u00e0 natureza jur\u00eddica de hotelaria, como at\u00e9 pontuou a ministra Nancy Andrighi, que exp\u00f4s que o Airbnb configura um contrato at\u00edpico de hospedagem, incompat\u00edvel com a destina\u00e7\u00e3o residencial que s\u00f3 poderia ser alterada, como prev\u00ea o artigo 1.351 do C\u00f3digo Civil, pela unanimidade dos cond\u00f4minos&#8221;, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>R\u00f4mulo Pinto de Lacerda Santana<\/strong>, advogado do&nbsp;<strong>RMS Advogados<\/strong>, vai na mesma linha e aponta a decis\u00e3o do STJ como &#8220;adequada \u00e0 realidade atual e coerente com o ordenamento jur\u00eddico vigente&#8221;, ao compatibilizar o desejo dos cond\u00f4minos, reunidos em assembleia, com o respeito por cada morador quanto \u00e0s normas e regras para uma conviv\u00eancia pac\u00edfica e harmoniosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele destaca um ponto que pontuou os dois julgamentos do STJ sobre o tema: &#8220;o direito constitucional de propriedade n\u00e3o \u00e9 absoluto e pode ser restringido em situa\u00e7\u00f5es justific\u00e1veis como esta, desde que se atinja o quorum respectivo previsto no C\u00f3digo Civil&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fica a d\u00favida<\/strong><br>J\u00e1 o advogado&nbsp;<strong>Andr\u00e9 Abelha,<\/strong>&nbsp;da \u00e1rea de Direito Imobili\u00e1rio e s\u00f3cio do escrit\u00f3rio<strong>&nbsp;Longo Abelha Advogados<\/strong>, diz que o precedente, &#8220;embora no caso concreto parece ter sido tomada com acerto, gera inseguran\u00e7a no mercado por dar a impress\u00e3o de que a proibi\u00e7\u00e3o de tais loca\u00e7\u00f5es pode ocorrer aprioristicamente e sem crit\u00e9rios&#8221;<strong>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, o caso mant\u00e9m algumas d\u00favidas no ar. E se a loca\u00e7\u00e3o de curta temporada for ajustada sem o uso de plataforma virtual? A proibi\u00e7\u00e3o ser\u00e1 l\u00edcita mesmo quando o cond\u00f4mino-locador n\u00e3o causar inc\u00f4modo, inseguran\u00e7a, risco \u00e0 sa\u00fade, nem violar os bons costumes? O que ser\u00e1 considerada loca\u00e7\u00e3o de curta temporada?<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m suscitam saber se essa possibilidade se aplica a condom\u00ednios situados em \u00e1reas com voca\u00e7\u00e3o tur\u00edstica, se condom\u00ednio de casas deve ser visto de forma diferente e como fazer quando tal loca\u00e7\u00e3o j\u00e1 era costumeira no condom\u00ednio. &#8220;Quais ser\u00e3o os crit\u00e9rios para se averiguar eventual abuso do direito de proibir?&#8221;, indaga o advogado.<\/p><div class=\"wxwck69ded0a23aab8\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.wxwck69ded0a23aab8 {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.wxwck69ded0a23aab8 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.wxwck69ded0a23aab8 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.wxwck69ded0a23aab8 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.wxwck69ded0a23aab8 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.wxwck69ded0a23aab8 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"cfgro69ded0a23aaa4\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.cfgro69ded0a23aaa4 {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.cfgro69ded0a23aaa4 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.cfgro69ded0a23aaa4 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.cfgro69ded0a23aaa4 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.cfgro69ded0a23aaa4 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.cfgro69ded0a23aaa4 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p><strong>E o Supremo?<\/strong><br>Para a constitucionalista&nbsp;<strong>Vera Chemim<\/strong>, a quest\u00e3o \u00e9 controversa e precisa ser analisada pelo Supremo Tribunal Federal, independentemente das discuss\u00f5es sobre a natureza dessa loca\u00e7\u00e3o (se comercial ou mesmo at\u00edpica para os costumes atuais).<\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque o caso op\u00f5e a liberdade de o propriet\u00e1rio locar seu apartamento para quem quiser (direito de propriedade) e direito coletivo \u00e0 seguran\u00e7a e sossego dos demais cond\u00f4minos. Isso remete a valores constitucionais, inclusive ao artigo 5\u00ba, que prev\u00ea tamb\u00e9m a necessidade de a propriedade ter uma &#8220;fun\u00e7\u00e3o social&#8221;, sinalizando que os direitos fundamentais n\u00e3o s\u00e3o absolutos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Trata-se, indiscutivelmente, de uma an\u00e1lise que dever\u00e1 ser pautada sob uma interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do texto constitucional, eliminando de vez, qualquer compreens\u00e3o que venha a afrontar a Lei Fundamental&#8221;, apontou.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dois processos j\u00e1 julgados pelo STJ podem chegar ao Supremo em recurso extraordin\u00e1rio. O&nbsp;<strong>REsp 1.819.075<\/strong>&nbsp;aguarda julgamento de embargos de declara\u00e7\u00e3o na 4\u00aa Turma. J\u00e1 o&nbsp;<strong>REsp 1.884.483<\/strong>, muito recente, sequer teve o ac\u00f3rd\u00e3o publicado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nota oficial<\/strong><br>Em nota, o Airbnb afirmou que &#8220;o julgamento se refere a uma situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica em um condom\u00ednio no Paran\u00e1 e a decis\u00e3o n\u00e3o determina a proibi\u00e7\u00e3o da loca\u00e7\u00e3o via Airbnb ou outras plataformas digitais em condom\u00ednios de maneira geral&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>E acrescentou que &#8220;o aluguel por temporada no Brasil \u00e9 legal, expressamente previsto na Lei do Inquilinato e n\u00e3o configura atividade hoteleira&#8221;. &#8220;Proibir ou restringir a loca\u00e7\u00e3o por temporada viola o direito constitucional de propriedade de quem aluga o seu im\u00f3vel.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a rela\u00e7\u00e3o do locat\u00e1rio com o Airbnb, especificamente, n\u00e3o tenha sido alvo do julgamento, a empresa de tecnologia foi admitida como assistente simples e fez sustenta\u00e7\u00e3o oral no processo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>REsp 1.819.075<br>REsp 1.884.483<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conjur<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A&nbsp;decis\u00e3o&nbsp;da 3\u00aa Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, que na ter\u00e7a-feira (25\/11) julgou que a loca\u00e7\u00e3o por temporada por curta temporada no modelo praticado pelo Airbnb pode ser proibida pelos condom\u00ednios, gerou rea\u00e7\u00f5es divididas entre juristas consultados pela&nbsp;ConJur. Enquanto alguns a consideram acertada, outros apontam para as consequ\u00eancias. 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