{"id":22116,"date":"2021-10-08T16:00:00","date_gmt":"2021-10-08T19:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=22116"},"modified":"2021-10-08T15:19:23","modified_gmt":"2021-10-08T18:19:23","slug":"stf-veta-showmicio-mas-permite-apresentacao-para-arrecadar-recursos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2021\/10\/08\/stf-veta-showmicio-mas-permite-apresentacao-para-arrecadar-recursos\/","title":{"rendered":"STF veta showm\u00edcio, mas permite apresenta\u00e7\u00e3o para arrecadar recursos"},"content":{"rendered":"\n<p>A proibi\u00e7\u00e3o de showm\u00edcios se justifica para resguardar a paridade de armas entre os candidatos a cargos eletivos. E a medida n\u00e3o afeta a liberdade de express\u00e3o, pois n\u00e3o impede que artistas manifestem suas opini\u00f5es pol\u00edticas em apresenta\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/img\/b\/dias-toffoli43.jpeg\" alt=\"\"\/><figcaption>Ministro Dias Toffoli&nbsp;disse que veda\u00e7\u00e3o a showm\u00edcios n\u00e3o configura censura pr\u00e9via<br><sup>G.Dettmar\/Ag\u00eancia CNJ<\/sup><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Com esse entendimento, o Plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal, por 8 votos a 2, manteve nesta quinta-feira (7\/10) a proibi\u00e7\u00e3o de showm\u00edcios por candidatos em elei\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, a Corte, por 7 votos a 3, concluiu que apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas em eventos de arrecada\u00e7\u00e3o de campanha n\u00e3o contrariam a Constitui\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m por 7 a 3, o STF decidiu que o entendimento vale para as elei\u00e7\u00f5es de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>A A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade 5.970 questionou dos dispositivos. O primeiro foi o artigo 39, par\u00e1grafo 7\u00ba, da Lei 9.504\/1999, acrescentado pela Lei 11.300\/2006, que pro\u00edbe &#8220;a realiza\u00e7\u00e3o de showm\u00edcio e de evento assemelhado para promo\u00e7\u00e3o de candidatos&#8221; e a apresenta\u00e7\u00e3o, &#8220;remunerada ou n\u00e3o&#8221;, de artistas para animar com\u00edcios e reuni\u00f5es eleitorais.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo ponto em discuss\u00e3o era o artigo 23, par\u00e1grafo 4\u00ba, inciso V, que disp\u00f5e que as doa\u00e7\u00f5es poder\u00e3o ser efetuadas por meio de &#8220;promo\u00e7\u00e3o de eventos de arrecada\u00e7\u00e3o realizados diretamente pelo candidato ou pelo partido pol\u00edtico&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O relator do caso, ministro Dias Toffoli,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2021-out-06\/tres-ministros-stf-votam-manutencao-proibicao-showmicios\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">votou<\/a>&nbsp;nesta quarta (6\/10) para negar o pedido de declara\u00e7\u00e3o de inconstitucionalidade parcial do artigo 39, par\u00e1grafo 7\u00ba, da Lei 9.504\/1997, e manter a proibi\u00e7\u00e3o de showm\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Toffoli, a proibi\u00e7\u00e3o de showm\u00edcios &#8220;buscou evitar o abuso de poder econ\u00f4mico no \u00e2mbito das elei\u00e7\u00f5es e resguardar a paridade de armas entre os candidatos&#8221;. E isso tamb\u00e9m vale para apresenta\u00e7\u00f5es gratuitas, pois h\u00e1 consider\u00e1vel benef\u00edcio ao candidato, que recebe um servi\u00e7o que pode ser quantificado em dinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, showm\u00edcios podem ser considerados oferecimentos de vantagens aos eleitores, que podem associar o entretenimento \u00e0 figura do pol\u00edtico homenageado. &#8220;Nesse sentido, a norma protege, tamb\u00e9m, a livre forma\u00e7\u00e3o de vontade do eleitor&#8221;, declarou o relator. Os showm\u00edcios, segundo o ministro, tamb\u00e9m conferem vantagem na disputa eleitoral, que pode desequilibrar a paridade de armas entre os candidatos.<\/p>\n\n\n\n<p>A veda\u00e7\u00e3o dos showm\u00edcios n\u00e3o configura censura pr\u00e9via, pois n\u00e3o impede manifesta\u00e7\u00f5es de cunho pol\u00edticos de artistas, desde que sejam feitas em apresenta\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, avaliou Toffoli. O entendimento foi seguido na quarta por Nunes Marques e Alexandre de Moraes.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta quinta, tamb\u00e9m seguiram o relator nesse ponto os ministros Edson Fachin, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Luiz Fux.<\/p>\n\n\n\n<p>Fachin apontou que a liberdade de express\u00e3o \u00e9 \u201cum pilar da democracia\u201d. Como todos os outros direitos, contudo, n\u00e3o \u00e9 ilimitada. Assim, os showm\u00edcios podem ser proibidos em elei\u00e7\u00f5es para resguardar a igualdade na disputa e frear a influ\u00eancia do poder econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa mesma linha, Rosa Weber avaliou que a proibi\u00e7\u00e3o de apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas em com\u00edcios de candidatos \u00e9 compat\u00edvel com a Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA proibi\u00e7\u00e3o de showm\u00edcios n\u00e3o configura censura pr\u00e9via ou veda\u00e7\u00e3o ao engajamento pol\u00edtico dos artistas\u201d, declarou Lewandowski. Afinal, a pr\u00e1tica visa assegurar a igualdade de condi\u00e7\u00e3o dos candidatos a cargos eletivos e garantir a livre escolha dos eleitores, disse o ministro.<\/p>\n\n\n\n<p>Gilmar Mendes opinou que, no conflito entre a liberdade de manifesta\u00e7\u00e3o e a igualdade na disputa eleitoral, este princ\u00edpio tem mais peso com rela\u00e7\u00e3o aos showm\u00edcios. Isso porque a veda\u00e7\u00e3o se destina a evitar distor\u00e7\u00f5es no pleito e o abuso do poder econ\u00f4mico. E os artistas continuam livres para expor suas prefer\u00eancias pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente do STF, Luiz Fux, ressaltou que o objetivo das apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas em eventos eleitorais \u00e9 captar as emo\u00e7\u00f5es dos cidad\u00e3os. \u201cNingu\u00e9m vai a um showm\u00edcio para assistir pol\u00edtico falando\u201d. Dessa maneira, os shows desequilibram as elei\u00e7\u00f5es, pois sua organiza\u00e7\u00e3o, mesmo n\u00e3o remunerada, exige recursos elevados, disse Fux, defendendo a necessidade de respeitar a vontade do legislador.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Liberdade de manifesta\u00e7\u00e3o<\/strong><br>Ficaram vencidos quanto \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o de apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas em eventos de campanha os ministros Lu\u00eds Roberto Barroso e C\u00e1rmen L\u00facia, que votaram pela permiss\u00e3o de showm\u00edcios n\u00e3o remunerados.<\/p>\n\n\n\n<p>Barroso disse que a veda\u00e7\u00e3o configura &#8220;viola\u00e7\u00e3o desproporcional da liberdade de express\u00e3o&#8221;. A seu ver, se a proibi\u00e7\u00e3o de showm\u00edcios se destina a evitar o abuso do poder econ\u00f4mico, n\u00e3o deveria incidir nas hip\u00f3teses de participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o remunerada dos artistas. &#8220;A\u00ed \u00e9 espont\u00e2neo exerc\u00edcio da liberdade de manifesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o ministro apontou que a restri\u00e7\u00e3o \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos em eventos eleitorais \u00e9 &#8220;totalmente discriminat\u00f3ria&#8221;. &#8220;Jogador de futebol, jornalista, ex-presidente pode participar de eventos eleitorais. Mas m\u00fasico n\u00e3o? Dizer que uma pessoa ou grupo de pessoas n\u00e3o pode se manifestar em determinado momento e lugar evidentemente \u00e9 um cerceamento da liberdade de express\u00e3o&#8221;, afirmou Barroso, ressaltando que tal direito pode ser restringido para um fim leg\u00edtimo \u2014&nbsp;o que n\u00e3o acontece no caso.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se o m\u00fasico \u00e9 algu\u00e9m que influencia a sociedade, como o escritor ou o cineasta, n\u00e3o vejo como impedi-lo de participar de manifesta\u00e7\u00e3o c\u00edvica. O que ele faz \u00e9 uma exposi\u00e7\u00e3o sobre o que pensa sobre o mundo. Seria extremamente dif\u00edcil e preconceituoso dizer que s\u00f3 ele n\u00e3o pode falar&#8221;, disse C\u00e1rmen L\u00facia, ressaltando que, hoje em dia, influenciadores digitais t\u00eam mais alcan\u00e7am mais pessoas do que artistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Shows para arrecada\u00e7\u00e3o<\/strong><br>Dias Toffoli votou para conferir interpreta\u00e7\u00e3o conforme \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o ao artigo 23, par\u00e1grafo 4\u00ba, inciso V, da Lei 9.504\/1997, para permitir apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas em eventos de arrecada\u00e7\u00e3o de recursos para campanhas eleitorais.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o ministro, tais eventos s\u00e3o voltados a eleitores que, conscientemente, contribu\u00edram com uma candidatura. &#8220;Ou seja, o comparecimento do eleitor \u00e0 ocasi\u00e3o tem o prop\u00f3sito definido de financiar o projeto pol\u00edtico de sua escolha&#8221;, disse Toffoli, apontando que tal medida permite que os cidad\u00e3os viabilizem as propostas que apoiam.<\/p>\n\n\n\n<p>Alexandre de Moraes o acompanhou na sess\u00e3o de quarta. O voto do relator foi seguido nesse ponto na quinta por Barroso, Fachin, Rosa Weber, C\u00e1rmen L\u00facia e Lewandowski.<\/p>\n\n\n\n<p>Barroso declarou contradit\u00f3rio permitir apresenta\u00e7\u00f5es em eventos de arrecada\u00e7\u00e3o e proibir showm\u00edcios n\u00e3o remunerados.<\/p>\n\n\n\n<p>Fachin, por sua vez, analisou que atos para levantar recursos n\u00e3o podem ser equiparados a atos de campanha. Isso por os atos de campanha t\u00eam o objetivo de obter voto. E quem vai a um evento de arrecada\u00e7\u00e3o j\u00e1 tem seu candidato e busca apoi\u00e1-lo.<\/p><div class=\"cokss69e6d4d558be5\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.cokss69e6d4d558be5 {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.cokss69e6d4d558be5 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.cokss69e6d4d558be5 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.cokss69e6d4d558be5 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.cokss69e6d4d558be5 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.cokss69e6d4d558be5 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"ipoxl69e6d4d558bce\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.ipoxl69e6d4d558bce {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.ipoxl69e6d4d558bce {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.ipoxl69e6d4d558bce {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.ipoxl69e6d4d558bce {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.ipoxl69e6d4d558bce {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.ipoxl69e6d4d558bce {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>Uma vez que a legisla\u00e7\u00e3o eleitoral n\u00e3o pro\u00edbe expressamente a realiza\u00e7\u00e3o de shows em atos para levantar fundos para candidato, a pr\u00e1tica \u00e9 permitida, disse Rosa Weber.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O sil\u00eancio dos artistas tem custado muito caro \u00e0 democracia brasileira&#8221;, declarou C\u00e1rmen L\u00facia, defendendo a constitucionalidade das apresenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Lewandowski avaliou que o eleitor que vai a um show de arrecada\u00e7\u00e3o de fundos contribui para o projeto pol\u00edtico de sua escolha. Assim, o ministro votou pela permiss\u00e3o da pr\u00e1tica, observadas as limita\u00e7\u00f5es observadas na legisla\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria quanto \u00e0s limita\u00e7\u00f5es de doa\u00e7\u00f5es de bens e servi\u00e7os e candidatos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Risco de desequil\u00edbrio<\/strong><br>Nunes Marques abriu, na quarta, a diverg\u00eancia quanto a shows em eventos de arrecada\u00e7\u00e3o, entendendo que essas performances tamb\u00e9m atraem pessoas que possivelmente n\u00e3o iriam a tal ato, desequilibrando a disputa. Por isso, votou para negar o pedido de libera\u00e7\u00e3o dessas apresenta\u00e7\u00f5es. A diverg\u00eancia foi seguida na quinta por Gilmar Mendes e Luiz Fux.<\/p>\n\n\n\n<p>Gilmar opinou que a permiss\u00e3o de shows em eventos de arrecada\u00e7\u00e3o pode ser uma forma de burlar a decis\u00e3o do Supremo que proibiu as doa\u00e7\u00f5es eleitorais de pessoas jur\u00eddicas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Imagino que uma empresa possa comprar todos os ingressos de um almo\u00e7o ou show de uma pequena reuni\u00e3o de arrecada\u00e7\u00e3o de campanha e distribuir aos seus empregados, que podem ou n\u00e3o ir. Isso j\u00e1 resulta em um tipo de financiamento por pessoa jur\u00eddica&#8221;, destacou, ressaltando que a pr\u00e1tica pode configurar &#8220;uma esp\u00e9cie de cashback do crime embalado musicalmente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O decano da Corte ainda lembrou que, se um cantor cobra R$ 500 mil por show, esse \u00e9 o valor da doa\u00e7\u00e3o que est\u00e1 fazendo ao candidato ao se apresentar em evento de sua campanha. Assim, tais apresenta\u00e7\u00f5es podem ultrapassar o teto de doa\u00e7\u00f5es feitas por pessoas f\u00edsicas, de at\u00e9 10% do rendimento bruto obtido no ano anterior. Ainda ressaltou que muitos artistas s\u00e3o contratados como pessoas jur\u00eddicas \u2014&nbsp;e doa\u00e7\u00f5es por tais entidades foram vedadas pelo STF.<\/p>\n\n\n\n<p>Fux afirmou que a arrecada\u00e7\u00e3o via apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas gera desigualdade entre os candidatos. O presidente do Supremo tamb\u00e9m destacou que a permiss\u00e3o da pr\u00e1tica dificultaria a fiscaliza\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a Eleitoral, que teria que apurar se n\u00e3o houve doa\u00e7\u00f5es ilegais ou lavagem de dinheiro nesses eventos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Elei\u00e7\u00f5es de 2022<\/strong><br>O Supremo, por 7 votos a 3, decidiu que a decis\u00e3o de permitir shows em eventos de arrecada\u00e7\u00e3o para candidatos n\u00e3o viola o princ\u00edpio da anualidade eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa garantia consta do artigo 16 da Constitui\u00e7\u00e3o, que tem a seguinte reda\u00e7\u00e3o: &#8220;A lei que alterar o processo eleitoral entrar\u00e1 em vigor na data de sua publica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se aplicando \u00e0 elei\u00e7\u00e3o que ocorra at\u00e9 um ano da data de sua vig\u00eancia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Prevaleceu o voto de Dias Toffoli, para quem n\u00e3o se aplica o dispositivo no caso porque n\u00e3o houve modifica\u00e7\u00e3o legislativa, apenas determina\u00e7\u00e3o de interpreta\u00e7\u00e3o conforme \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o ao artigo 23, par\u00e1grafo 4\u00ba, inciso V, da Lei 9.504\/1997, para permitir apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas em eventos de arrecada\u00e7\u00e3o de recursos para campanhas eleitorais.<\/p>\n\n\n\n<p>Ficaram vencidos nesse ponto os ministros Nunes Marques, Gilmar Mendes e Luiz Fux, que entenderam que houve modifica\u00e7\u00e3o nas regras eleitorais feitas a menos de um ano da disputa \u2014&nbsp;o primeiro turno do pleito de 2022 ocorrer\u00e1 em 2 de outubro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pedidos dos partidos<\/strong><br>O Partido Socialista Brasileiro (PSB), o Partido Socialismo e Liberdade (Psol) e o Partido dos Trabalhadores (PT)&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2018-jul-23\/partidos-questionam-stf-proibicao-showmicios-campanhas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ajuizaram<\/a>&nbsp;no Supremo Tribunal Federal a\u00e7\u00e3o contra regra da legisla\u00e7\u00e3o eleitoral que trata da organiza\u00e7\u00e3o de eventos de arrecada\u00e7\u00e3o de recursos e da proibi\u00e7\u00e3o de showm\u00edcios por candidatos.<\/p>\n\n\n\n<p>A pretens\u00e3o dos partidos \u00e9 que seja declarada a inconstitucionalidade parcial do artigo 39, par\u00e1grafo 7\u00ba, da Lei 9.504\/1997, quando as apresenta\u00e7\u00f5es forem gratuitas, sem cobran\u00e7a de cach\u00ea, mediante a supress\u00e3o da express\u00e3o &#8220;ou n\u00e3o&#8221; do texto legislativo. &#8220;\u00c9 proibida a realiza\u00e7\u00e3o de showm\u00edcio e de evento assemelhado para promo\u00e7\u00e3o de candidatos, bem como a apresenta\u00e7\u00e3o, remunerada ou n\u00e3o, de artistas com a finalidade de animar com\u00edcio e reuni\u00e3o eleitoral&#8221;, diz o dispositivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, as agremia\u00e7\u00f5es requereram o reconhecimento de que a proibi\u00e7\u00e3o de showm\u00edcios e eventos assemelhados n\u00e3o impediria a ocorr\u00eancia de eventos art\u00edsticos, inclusive shows musicais, feitos no intuito de arrecadar recursos para campanhas eleitorais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Diante da postura por vezes cens\u00f3ria da Justi\u00e7a Eleitoral, existe o elevado risco de que se adote a compreens\u00e3o de que tal preceito n\u00e3o abrange a realiza\u00e7\u00e3o de espet\u00e1culos art\u00edsticos, em raz\u00e3o da veda\u00e7\u00e3o aos showm\u00edcios e \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o de artistas para animar eventos eleitorais&#8221;, afirmaram as legendas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os partidos, tanto a proibi\u00e7\u00e3o dos showm\u00edcios n\u00e3o remunerados quanto a veda\u00e7\u00e3o de eventos art\u00edsticos de arrecada\u00e7\u00e3o eleitoral s\u00e3o incompat\u00edveis com a garantia constitucional da liberdade de express\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A primeira medida ofende, ainda, o princ\u00edpio da proporcionalidade, enquanto a segunda tamb\u00e9m viola a isonomia e o imperativo constitucional de valoriza\u00e7\u00e3o da cultura&#8221;, apontaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Os partidos destacaram que tanto a atividade art\u00edstica como as manifesta\u00e7\u00f5es de natureza pol\u00edtica comp\u00f5em o n\u00facleo essencial da liberdade de express\u00e3o. &#8220;M\u00fasica n\u00e3o \u00e9 apenas entretenimento, mas tamb\u00e9m um leg\u00edtimo e importante instrumento para manifesta\u00e7\u00f5es de teor pol\u00edtico&#8221;, sustentaram. &#8220;N\u00e3o \u00e9 leg\u00edtima a pretens\u00e3o legislativa de converter o embate pol\u00edtico-eleitoral numa esfera \u00e1rida, circunscrita \u00e0 troca fria de argumentos racionais entre os candidatos, partidos e seus apoiadores, sem espa\u00e7o para a emo\u00e7\u00e3o e para a arte.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica manifestou-se pela improced\u00eancia da ADI, sustentando que &#8220;o dispositivo questionado veicula importante mecanismo de controle sobre a propaganda eleitoral, com a finalidade de assegurar a igualdade entre os postulantes a cargos p\u00fablicos, combater o abuso do poder nas elei\u00e7\u00f5es e o uso indevido dos meios de comunica\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Clique\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/dl\/tres-ministros-stf-votam-manutencao.pdf\" target=\"_blank\">aqui<\/a>\u00a0para ler o voto de Dias Toffoli<br>Clique\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/dl\/voto-gilmar1.pdf\" target=\"_blank\">aqui<\/a>\u00a0para ler o voto de Gilmar Mendes<br>ADI 5.970<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conjur<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A proibi\u00e7\u00e3o de showm\u00edcios se justifica para resguardar a paridade de armas entre os candidatos a cargos eletivos. E a medida n\u00e3o afeta a liberdade de express\u00e3o, pois n\u00e3o impede que artistas manifestem suas opini\u00f5es pol\u00edticas em apresenta\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias. Com esse entendimento, o Plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal, por 8 votos a 2, manteve nesta<br \/><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2021\/10\/08\/stf-veta-showmicio-mas-permite-apresentacao-para-arrecadar-recursos\/\">Mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":8157,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22116"}],"collection":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22116"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22116\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22117,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22116\/revisions\/22117"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8157"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22116"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22116"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22116"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}