{"id":21646,"date":"2021-09-16T17:28:00","date_gmt":"2021-09-16T20:28:00","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=21646"},"modified":"2021-09-16T11:29:16","modified_gmt":"2021-09-16T14:29:16","slug":"juizes-trabalhistas-substituem-partes-e-resistem-a-acordos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2021\/09\/16\/juizes-trabalhistas-substituem-partes-e-resistem-a-acordos\/","title":{"rendered":"Ju\u00edzes trabalhistas substituem partes e resistem a acordos"},"content":{"rendered":"\n<p>A livre negocia\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho foi um dos principais pontos da reforma trabalhista \u2014 em parte respons\u00e1vel por reduzir o n\u00famero de novos processos na Justi\u00e7a do Trabalho quase pela metade entre 2017 e 2020, chegando a 2,5 milh\u00f5es de novos casos. Os acordos judiciais atingem hoje 45% do total de processos, e o &#8220;acordo extrajudicial&#8221;&nbsp;se consolidou, movimentando mais de&nbsp;<a href=\"https:\/\/ww2.trt2.jus.br\/noticias\/noticias\/noticia\/news\/acordos-extrajudiciais-movimentaram-mais-de-r-900-milhoes-em-homologacoes-na-justica-do-trabalho-de\/?tx_news_pi1%5Bcontroller%5D=News&amp;tx_news_pi1%5Baction%5D=detail&amp;cHash=39f072d585923982756637bcae8f1d7a\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">R$ 1 bilh\u00e3o<\/a>&nbsp;no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2\u00aa Regi\u00e3o, com atua\u00e7\u00e3o na Grande S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/img\/b\/acordo-telexfree-41020132.jpeg\" alt=\"\"\/><figcaption>Legenda<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Muitos acordos ainda s\u00e3o rejeitados por alguns ju\u00edzes. Presos a uma vis\u00e3o exageradamente &#8220;paternalista&#8221;&nbsp;da Justi\u00e7a do Trabalho, esses julgadores resistem a aceitar a livre negocia\u00e7\u00e3o entre as partes. A resist\u00eancia ocorre, por vezes, contra o interesse do pr\u00f3prio trabalhador, e em processos de fundamenta\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil.<\/p>\n\n\n\n<p>A 8\u00aa Turma do TRT da 4\u00aa Regi\u00e3o foi fustigada esta semana, acusada de fazer o mal em nome do bem. Segundo o juiz de Passo Fundo,&nbsp;<strong>Evandro Luiz Arnau<\/strong>, o colegiado &#8220;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2021-set-14\/determinacao-trt-juiz-recusa-transcrever-audiencia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">que possui fama de proteger os trabalhadores<\/a>&#8220;, na pr\u00e1tica, os prejudica com &#8220;atos de of\u00edcio para atrasar a presta\u00e7\u00e3o jurisdicional e, por corol\u00e1rio, atrasar o exerc\u00edcio de direitos de cidadania daqueles que teriam que ser protegidos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso que irritou Arnau, chamou aten\u00e7\u00e3o o fato de, no processo espec\u00edfico em que n\u00e3o foi ouvida nenhuma testemunha, incrivelmente, consta da ata de audi\u00eancia o resumo dos depoimentos pessoais \u2014 o que levou o juiz ga\u00facho a comunicar o fato \u00e0 Presid\u00eancia do TRT e \u00e0 Corregedoria do TST, &#8220;com men\u00e7\u00e3o expressa de que n\u00e3o houve produ\u00e7\u00e3o de prova testemunhal, para as provid\u00eancias cab\u00edveis&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O juiz Arnau parece saber do que fala. Em outro caso recente, julgado pela mesma 8\u00aa Turma, sob a relatoria do desembargador&nbsp;<strong>Marcelo Jos\u00e9 Ferlin D&#8217;Ambroso<\/strong>, viu-se a mesma contradi\u00e7\u00e3o. Um trabalhador de 63 anos pediu \u00e0 Justi\u00e7a trabalhista R$ 86.940 em raz\u00e3o de uma suposta doen\u00e7a ocupacional. O empregador apresentou exame feito por dois m\u00e9dicos, atestando que o colaborador n\u00e3o tinha problemas de sa\u00fade quando foi demitido.<\/p>\n\n\n\n<p>O laudo pericial apresentado em primeira inst\u00e2ncia indicou artrose e bursite, com perda f\u00edsica leve, concluindo &#8220;n\u00e3o haver rela\u00e7\u00e3o de nexo t\u00e9cnico entre o quadro cl\u00ednico do reclamante com o seu trabalho na reclamada&#8221;. O laudo sugeria quadro de origem degenerativa (envelhecimento natural) e pr\u00f3prio do organismo do reclamante, como fatores heredit\u00e1rios e gen\u00e9ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em recurso, a 8\u00aa Turma do TRT da 4\u00aa Regi\u00e3o anulou a senten\u00e7a e pediu laudo ergon\u00f4mico, que acabou inconclusivo. Para o perito nomeado em primeira inst\u00e2ncia, a ergonomia apenas avalia a presen\u00e7a de riscos laborais, mas &#8220;deixa de analisar fatores important\u00edssimos na g\u00eanese de uma patologia, como individualidades heredit\u00e1rias, gen\u00e9ticas [&#8230;] tempo de exposi\u00e7\u00e3o aos eventuais fatores de risco, tempo de atividade laboral e principalmente a idade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A reclama\u00e7\u00e3o foi mais uma vez negada pela primeira inst\u00e2ncia, mas o caso voltou ao tribunal. Empregador e empregado chegaram a acordo correspondente a mais de metade do pedido inicial feito na a\u00e7\u00e3o. O desembargador D\u00b4Ambroso ignorou a vontade das partes e determinou o pagamento das verbas indenizat\u00f3rias em valor muitas vezes superior ao pedido original.<\/p><div class=\"oipkb69e74fcaaa816\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.oipkb69e74fcaaa816 {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.oipkb69e74fcaaa816 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.oipkb69e74fcaaa816 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.oipkb69e74fcaaa816 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.oipkb69e74fcaaa816 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.oipkb69e74fcaaa816 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"mfklu69e74fcaaa7f2\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.mfklu69e74fcaaa7f2 {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.mfklu69e74fcaaa7f2 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.mfklu69e74fcaaa7f2 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.mfklu69e74fcaaa7f2 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.mfklu69e74fcaaa7f2 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.mfklu69e74fcaaa7f2 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>Sem que houvesse pedido do trabalhador, o juiz decidiu fixar indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 450 mil por dano moral e cerca de R$ 150 mil como pens\u00e3o aliment\u00edcia, em parcela \u00fanica. Como a prova vai contra a reclama\u00e7\u00e3o, a empresa decidiu recorrer e o reclamante sexagen\u00e1rio, se for receber, vai esperar bastante \u2014 diferentemente do acordo.<\/p>\n\n\n\n<p>Procurado pela&nbsp;<strong>ConJur<\/strong>&nbsp;para comentar a decis\u00e3o, D&#8217;Ambroso apenas se limitou a dizer que, &#8220;como o caso est\u00e1 na Justi\u00e7a e irei apreci\u00e1-lo, a Loman me veda de comentar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Em diferentes graus, casos semelhantes t\u00eam&nbsp;ocorrido em homologa\u00e7\u00e3o&nbsp;de acordos extrajudiciais. \u00c9 o que ocorreu em acordo feito por um ex-diretor de uma empresa sediada no exterior, que fechou acordo para quitar algumas pend\u00eancias do contrato.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s ser desligado da empresa e receber os valores da rescis\u00e3o, o ex-diretor buscou a representante da empresa reclamando o pagamento de f\u00e9rias e b\u00f4nus. A empresa sugeriu ao ex-diretor a pactua\u00e7\u00e3o de um acordo, com o pagamento de uma indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 98 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>Distribu\u00eddo a uma das varas do TRT da 2\u00aa Regi\u00e3o, a ju\u00edza recusou-se a homologar o acordo, que implicava a extin\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o de emprego. Entendeu que n\u00e3o seria poss\u00edvel &#8220;conferir chancela judicial de tamanha abrang\u00eancia&#8221;, pelo fato de o acordo contemplar apenas o pagamento de b\u00f4nus. Ou seja, n\u00e3o poderia tratar da extin\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o de emprego em sentido amplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em&nbsp;<a href=\"https:\/\/portal.trt3.jus.br\/internet\/conheca-o-trt\/comunicacao\/noticias-juridicas\/justica-do-trabalho-nega-homologacao-de-acordo-extrajudicial-por-constatar-lesao-por-renuncia-a-direitos-trabalhistas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">caso recente<\/a>, o&nbsp;juiz M\u00e1rcio Jos\u00e9 Zebende, titular da 23\u00aa Vara do Trabalho de Belo Horizonte, negou a homologa\u00e7\u00e3o de acordo extrajudicial celebrado entre empregado e empregador, por entender que implicava ren\u00fancia a verbas rescis\u00f3rias.&nbsp;Segundo o juiz, o valor do acordo correspondia apenas \u00e0 multa de 40% do Fundo de Garantia por Tempo de Servi\u00e7o (FGTS), sem pagamento de aviso-pr\u00e9vio, f\u00e9rias proporcionais e 13\u00ba sal\u00e1rio proporcional. Para&nbsp;ele,&nbsp;n\u00e3o houve negocia\u00e7\u00e3o real, pois o empregado praticamente se limitou a renunciar ao recebimento das verbas rescis\u00f3rias<\/p>\n\n\n\n<p>A falta de um entendimento definitivo sobre a abrang\u00eancia dos acordos extrajudiciais traz inseguran\u00e7a e gera epis\u00f3dios como os apontados pelo juiz de Passo Fundo. No\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/ww2.trt2.jus.br\/institucional\/o-trt-2\/portal-da-conciliacao\/nucleo-permanente-de-metodos-consensuais-de-solucao-de-disputas-conflitos-individuais\/\" target=\"_blank\">TRT da 2\u00aa Regi\u00e3o<\/a>\u00a0h\u00e1 orienta\u00e7\u00e3o da Cejusc no sentido de que &#8220;a transa\u00e7\u00e3o interpreta-se restritivamente, n\u00e3o sendo poss\u00edvel a quita\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica de verbas&#8221;. No Tribunal Superior do Trabalho (TST) h\u00e1 precedentes aceitando a quita\u00e7\u00e3o integral, mas n\u00e3o h\u00e1 posi\u00e7\u00e3o definitiva. No TST, a jurisprud\u00eancia \u00e9 flutuante. A 4\u00aa Turma, por exemplo,\u00a0defende a &#8220;\u00e1lgebra buliana&#8221;\u00a0nas homologa\u00e7\u00f5es: sim ou n\u00e3o. O que n\u00e3o se aceita \u00e9 a homologa\u00e7\u00e3o parcial.<\/p>\n\n\n\n<p>Conjur<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A livre negocia\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho foi um dos principais pontos da reforma trabalhista \u2014 em parte respons\u00e1vel por reduzir o n\u00famero de novos processos na Justi\u00e7a do Trabalho quase pela metade entre 2017 e 2020, chegando a 2,5 milh\u00f5es de novos casos. 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