{"id":21528,"date":"2021-09-12T11:59:00","date_gmt":"2021-09-12T14:59:00","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=21528"},"modified":"2021-09-11T20:04:13","modified_gmt":"2021-09-11T23:04:13","slug":"cachorros-nao-podem-constar-como-parte-em-acao-judicial-diz-tj-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2021\/09\/12\/cachorros-nao-podem-constar-como-parte-em-acao-judicial-diz-tj-sp\/","title":{"rendered":"Cachorros n\u00e3o podem constar como parte em a\u00e7\u00e3o judicial, diz TJ-SP"},"content":{"rendered":"\n<p>O ordenamento jur\u00eddico brasileiro&nbsp;ainda n\u00e3o contempla animais como sujeitos de direito e, portanto, \u00e9&nbsp;inconceb\u00edvel a tentativa de inseri-los como parte&nbsp;em processo judicial.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/img\/b\/briga-caes-cachorros-cachorro-ca.jpeg\" alt=\"\"\/><figcaption><sup>Bigstock<\/sup>Cachorros n\u00e3o podem constar como parte em a\u00e7\u00e3o judicial, diz TJ-SP<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Com esse entendimento, a 11\u00aa C\u00e2mara de Direito Privado do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo negou&nbsp;a inclus\u00e3o de 30 c\u00e3es no polo passivo de uma a\u00e7\u00e3o&nbsp;de rescis\u00e3o contratual cumulada com reintegra\u00e7\u00e3o de posse.<\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o foi ajuizada pela&nbsp;Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de S\u00e3o Paulo (CDHU) contra os propriet\u00e1rios dos animais. Em primeiro grau, foi determinada&nbsp;a reintegra\u00e7\u00e3o de posse de um im\u00f3vel em raz\u00e3o de inadimpl\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao recorrer da senten\u00e7a, os r\u00e9us defenderam que os cachorros teriam&nbsp;capacidade de ser parte nos autos, devidamente assistidos pelos representantes processuais. Por\u00e9m, o argumento foi afastado pela turma julgadora, que tamb\u00e9m manteve a reintegra\u00e7\u00e3o de posse.<\/p>\n\n\n\n<p>O relator, desembargador&nbsp;Gilberto Santos, criticou o pedido para incluir os c\u00e3es no polo passivo. Ele classificou de &#8220;profundamente lament\u00e1vel&#8221; a linha adotada pela defesa dos r\u00e9us, destoando&nbsp;do que &#8220;se imp\u00f5e e se espera do nobre exerc\u00edcio da advocacia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O desempenho dessa elevada fun\u00e7\u00e3o exige seriedade e respeito, sem&nbsp;espa\u00e7o para inven\u00e7\u00f5es ou gracinhas, tais como a que aqui se v\u00ea na peti\u00e7\u00e3o, que serve para suposta &#8216;contesta\u00e7\u00e3o&#8217;&nbsp;por parte de &#8216;animais caninos&#8217;&nbsp;ou nas pr\u00f3prias raz\u00f5es de apela\u00e7\u00e3o, onde incrivelmente se procura defender a &#8216;capacidade processual de animais'&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>O profissional do Direito, afirmou o desembargador, tem o dever de observar e cumprir estritamente o ordenamento jur\u00eddico. E, neste cen\u00e1rio, Santos disse que o&nbsp;direito brasileiro, em especial o Direito Privado, por enquanto contempla apenas a pessoa,&nbsp;e n\u00e3o os animais.<\/p><div class=\"igotg69df6edb0ca1f\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.igotg69df6edb0ca1f {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.igotg69df6edb0ca1f {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.igotg69df6edb0ca1f {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.igotg69df6edb0ca1f {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.igotg69df6edb0ca1f {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.igotg69df6edb0ca1f {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"rdzxk69df6edb0ca00\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.rdzxk69df6edb0ca00 {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.rdzxk69df6edb0ca00 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.rdzxk69df6edb0ca00 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.rdzxk69df6edb0ca00 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.rdzxk69df6edb0ca00 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.rdzxk69df6edb0ca00 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>&#8220;E assim porque a sociedade \u00e9 constitu\u00edda de pessoas&#8221;, explicou o magistrado, citando ainda o artigo 70 do C\u00f3digo de Processo Civil. &#8220;A tentativa de justificar a suposta &#8216;capacidade processual dos animais&#8217;&nbsp;mediante invoca\u00e7\u00e3o do Decreto&nbsp;24.645, de 10\/7\/1934, n\u00e3o prospera&#8221;, acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o relator,&nbsp;o&nbsp;Decreto&nbsp;24.645\/1934, al\u00e9m de j\u00e1 ter sido&nbsp;revogado em 1991, nunca atribuiu efetiva capacidade processual para os animais, mas simplesmente disp\u00f4s que eles&nbsp;seriam &#8220;assistidos&#8221; em ju\u00edzo pelos representantes do Minist\u00e9rio P\u00fablico, seus substitutos legais e pelos membros das sociedades protetoras de animais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;No caso, por\u00e9m, com todo respeito, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias da necessidade de interven\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico, uma vez que tamb\u00e9m n\u00e3o deflagradas as hip\u00f3teses legais elencadas no artigo 178 do C\u00f3digo de Processo Civil, nem na lei extravagante ou mesmo na Constitui\u00e7\u00e3o Federal&#8221;, afirmou o desembargador.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, no caso presente, para Santos, &#8220;nem mesmo com a melhor das boas vontades \u00e9 poss\u00edvel ver discuss\u00e3o de &#8216;direitos dos animais'&#8221;, visto que a a\u00e7\u00e3o \u00e9 de rescis\u00e3o de contrato cumulada com reintegra\u00e7\u00e3o posse de im\u00f3vel, &#8220;o que nem de longe se confunde com o direito de prote\u00e7\u00e3o aos animais&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os animais, ali\u00e1s, nada compraram nem t\u00eam nenhuma posse a ser protegida&#8221;, finalizou o magistrado, afastando o argumento da defesa de que os cachorros poderiam constar como parte na a\u00e7\u00e3o, pois ficariam desabrigados e sem moradia em caso de despejo de seus propriet\u00e1rios. A decis\u00e3o foi por unanimidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Processo 1000235-72.2020.8.26.0252<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conjur<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ordenamento jur\u00eddico brasileiro&nbsp;ainda n\u00e3o contempla animais como sujeitos de direito e, portanto, \u00e9&nbsp;inconceb\u00edvel a tentativa de inseri-los como parte&nbsp;em processo judicial. 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