{"id":21256,"date":"2021-08-30T13:15:25","date_gmt":"2021-08-30T16:15:25","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=21256"},"modified":"2021-08-30T13:15:25","modified_gmt":"2021-08-30T16:15:25","slug":"divulgar-conversa-de-whatsapp-sem-autorizacao-gera-dever-de-indenizar-diz-stj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2021\/08\/30\/divulgar-conversa-de-whatsapp-sem-autorizacao-gera-dever-de-indenizar-diz-stj\/","title":{"rendered":"Divulgar conversa de WhatsApp sem autoriza\u00e7\u00e3o gera dever de indenizar, diz STJ"},"content":{"rendered":"\n<p>Terceiros somente podem ter acesso \u00e0s conversas de WhatsApp mediante consentimento dos participantes ou autoriza\u00e7\u00e3o judicial, pois elas est\u00e3o protegidas pela garantia constitucional da inviolabilidade das comunica\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas. A divulga\u00e7\u00e3o il\u00edcita gera o dever de indenizar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/img\/b\/whatsapp9.jpeg\" alt=\"\"\/><figcaption>Conversa de Whatsapp foi divulgada sem autoriza\u00e7\u00e3o dos membros do grupo<br><sup>Reprodu\u00e7\u00e3o<\/sup><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Com esse entendimento, a 3\u00aa Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a negou provimento ao recurso especial ajuizado por um homem que deu&nbsp;<em>print screen<\/em>&nbsp;(capturou a tela) em um grupo no qual participava no WhatsApp e, sem autoriza\u00e7\u00e3o dos outros usu\u00e1rios, divulgou as conversas publicamente.<\/p>\n\n\n\n<p>O autor dos&nbsp;<em>prints<\/em>&nbsp;e outros integrantes do grupo faziam parte da diretoria do Coritiba, e a divulga\u00e7\u00e3o das conversas, com cr\u00edticas \u00e0 administra\u00e7\u00e3o do clube de futebol, gerou crise interna. Por conta do vazamento, ele foi condenado pelas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias a pagar indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 5 mil a um dos ofendidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao STJ, ele afirmou que o registro das conversas n\u00e3o constitui ato il\u00edcito e que seu conte\u00fado era de interesse p\u00fablico. Relatora, a ministra Nancy Andrighi concordou com a primeira afirma\u00e7\u00e3o. De fato, a simples grava\u00e7\u00e3o da conversa por um dos interlocutores sem a ci\u00eancia do outro n\u00e3o representa afronta ao ordenamento jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<p>A divulga\u00e7\u00e3o, no entanto, \u00e9 um problema. Isso porque as conversas travadas pelo WhatsApp s\u00e3o resguardadas pelo sigilo das comunica\u00e7\u00f5es. Inclusive, o aplicativo utiliza criptografia de ponta a ponta para protege-las do acesso indevido de terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, \u00e9 poss\u00edvel concluir que quem manda mensagens pelo aplicativo tem a expectativa de que ela n\u00e3o ser\u00e1 lida por terceiros, muito menos divulgada ao p\u00fablico por qualquer meio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/img\/b\/nancy-andrighi-2020.jpeg\" alt=\"\"\/><figcaption>Divulga\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 il\u00edcita se for usada para resguardar direito do autor, disse ministra Nancy Andrighi<br><sup>Gustavo Lima\/STJ<\/sup><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Ao levar a conhecimento p\u00fablico conversa privada, tamb\u00e9m estar\u00e1 configurada a viola\u00e7\u00e3o \u00e0 leg\u00edtima expectativa, \u00e0 privacidade e \u00e0 intimidade do emissor. Significa dizer que, nessas circunst\u00e2ncias, a privacidade prepondera em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade de informa\u00e7\u00e3o&#8221;, dise a ministra Nancy Andrighi.<\/p><div class=\"kepue69ec9ce624554\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.kepue69ec9ce624554 {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.kepue69ec9ce624554 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.kepue69ec9ce624554 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.kepue69ec9ce624554 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.kepue69ec9ce624554 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.kepue69ec9ce624554 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"jjtcf69ec9ce624538\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.jjtcf69ec9ce624538 {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.jjtcf69ec9ce624538 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.jjtcf69ec9ce624538 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.jjtcf69ec9ce624538 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.jjtcf69ec9ce624538 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.jjtcf69ec9ce624538 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>&#8220;Dessa forma, caso a publiciza\u00e7\u00e3o das conversas cause danos ao emissor, ser\u00e1 cab\u00edvel a responsabiliza\u00e7\u00e3o daquele que procedeu \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o&#8221;, concluiu.<\/p>\n\n\n\n<p>O voto da relatora ainda prev\u00ea uma exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra: a ilicitude poder\u00e1 ser descaracterizada quando a divulga\u00e7\u00e3o das mensagens for feita no exerc\u00edcio da autodefesa: quando tiver como objetivo resguardar um direito pr\u00f3prio do receptor.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foi o que aconteceu no caso julgado. &#8220;Como ponderado pela Corte local, as mensagens enviadas pelo WhatsApp s\u00e3o sigilosas e t\u00eam car\u00e1ter privado. Ao divulg\u00e1-las, portanto, o recorrente (r\u00e9u) violou a privacidade do recorrido (autor) e quebrou a leg\u00edtima expectativa de que as cr\u00edticas e opini\u00f5es manifestadas no grupo ficariam restritas aos seus membros&#8221;, resumiu a ministra.<\/p>\n\n\n\n<p>A vota\u00e7\u00e3o foi un\u00e2nime. Acompanharam a ministra Nancy Andrighi os ministros Paulo de Tarso Sanseverino, Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Marco Aur\u00e9lio Bellizze e Moura Ribeiro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Clique\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/dl\/stj-print-screen-whatsapp.pdf\" target=\"_blank\">aqui<\/a>\u00a0para ler o ac\u00f3rd\u00e3o<br>REsp 1.903.273<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conjur<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Terceiros somente podem ter acesso \u00e0s conversas de WhatsApp mediante consentimento dos participantes ou autoriza\u00e7\u00e3o judicial, pois elas est\u00e3o protegidas pela garantia constitucional da inviolabilidade das comunica\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas. A divulga\u00e7\u00e3o il\u00edcita gera o dever de indenizar. 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