{"id":20604,"date":"2021-08-05T15:22:00","date_gmt":"2021-08-05T18:22:00","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=20604"},"modified":"2021-08-05T13:23:38","modified_gmt":"2021-08-05T16:23:38","slug":"brasil-il-il-globo-tera-de-indenizar-autor-de-vinheta-famosa-em-suas-transmissoes-esportivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2021\/08\/05\/brasil-il-il-globo-tera-de-indenizar-autor-de-vinheta-famosa-em-suas-transmissoes-esportivas\/","title":{"rendered":"BRASIL-IL-IL: Globo ter\u00e1 de indenizar autor de vinheta famosa em suas transmiss\u00f5es esportivas"},"content":{"rendered":"\n<p>Os direitos morais sobre uma obra autoral, por&nbsp;guardarem&nbsp;rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima com a personalidade de seu criador, n\u00e3o admitem transfer\u00eancia, uma vez que s\u00e3o irrenunci\u00e1veis. Com esse entendimento, a 3\u00aa&nbsp;Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a garantiu ao autor da vinheta &#8220;Brasil-il-il-il&#8221;,&nbsp;marca das transmiss\u00f5es esportivas da Rede Globo, o direito de ser indenizado pelo uso de sua cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/img\/b\/torcedor-brasil-futebol.jpeg\" alt=\"\"\/><figcaption>A vinheta criada por Barbedo ficou famosa nas transmiss\u00f5es esportivas da Globo<br><sup>Ag\u00eancia Brasil<\/sup><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O colegiado, no entanto,&nbsp;limitou o alcance retroativo da indeniza\u00e7\u00e3o aos tr\u00eas anos anteriores ao ajuizamento da a\u00e7\u00e3o, que ocorreu em 2011. Isso porque o artigo 24, I, da Lei 9.610\/1998 autoriza expressamente que a autoria de obra art\u00edstica seja reivindicada a qualquer tempo, mas a pretens\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o de danos decorrentes de afronta a direito autoral, no caso de il\u00edcito extracontratual, prescreve em tr\u00eas anos, conforme a jurisprud\u00eancia estabelecida pelas turmas de Direito Privado do STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>Ex-empregado do Grupo Globo,&nbsp;Jos\u00e9 Cl\u00e1udio Barbedo ajuizou a a\u00e7\u00e3o contra&nbsp;a Globo Comunica\u00e7\u00e3o e Participa\u00e7\u00f5es S\/A para reivindicar o reconhecimento da autoria da vinheta e a indeniza\u00e7\u00e3o pelo seu uso n\u00e3o autorizado.<\/p>\n\n\n\n<p>A Globo, em sua defesa, alegou que houve prescri\u00e7\u00e3o do direito, mas o Tribunal de Justi\u00e7a do Rio de Janeiro afastou essa tese por entender que a pretens\u00e3o da a\u00e7\u00e3o era totalmente amparada no direito moral de autor, e, portanto, imprescrit\u00edvel, a despeito dos reflexos patrimoniais.<\/p>\n\n\n\n<p>No recurso especial apresentado ao STJ, a Globo insistiu na&nbsp;tese de que a pretens\u00e3o do autor estava integralmente prescrita, pois, desde a data da alegada cria\u00e7\u00e3o da obra, em 1969, j\u00e1 decorreu o prazo de cinco anos previsto no artigo 178, par\u00e1grafo 10, VII, do C\u00f3digo Civil de 1916.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, no entender da relatora do caso, ministra Nancy Andrighi, os direitos morais do autor possuem v\u00ednculo especial, de natureza extrapatrimonial, que une o criador \u00e0 sua cria\u00e7\u00e3o. Entre esses direitos est\u00e1 o de ser reconhecido como criador da obra.<\/p><div class=\"ozhym69dbb0373810a\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.ozhym69dbb0373810a {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.ozhym69dbb0373810a {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.ozhym69dbb0373810a {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.ozhym69dbb0373810a {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.ozhym69dbb0373810a {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.ozhym69dbb0373810a {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"amrqi69dbb037380ed\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.amrqi69dbb037380ed {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.amrqi69dbb037380ed {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.amrqi69dbb037380ed {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.amrqi69dbb037380ed {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.amrqi69dbb037380ed {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.amrqi69dbb037380ed {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>A relatora acrescentou que a pretens\u00e3o de reivindicar a autoria de obra sujeita \u00e0 prote\u00e7\u00e3o especial da legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 afetada pelo transcurso do tempo, &#8220;motivo pelo qual andou bem o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido no que concerne ao reconhecimento da imprescritibilidade da pretens\u00e3o declarat\u00f3ria de autoria&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Outra situa\u00e7\u00e3o<\/strong><br>No entanto, ressalvou a relatora, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 distinta quando se trata de pretens\u00e3o de cunho indenizat\u00f3rio decorrente do uso n\u00e3o autorizado de cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Nesse caso, segundo Andrighi, quando se discute il\u00edcito extracontratual, a jurisprud\u00eancia do STJ firmou-se no sentido de que \u00e9 de tr\u00eas anos o prazo de prescri\u00e7\u00e3o relativo \u00e0 pretens\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o de danos decorrentes de afronta a direito autoral.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Importa registrar que o dispositivo legal precitado n\u00e3o faz distin\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 natureza do direito cuja viola\u00e7\u00e3o deu origem \u00e0 pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria: \u00e9 dizer, tratando-se de dano moral ou de dano material, o prazo prescricional incidente \u00e9 o mesmo&#8221;, acrescentou a ministra.<\/p>\n\n\n\n<p>A relatora observou ainda que, quando h\u00e1 viola\u00e7\u00e3o continuada, mediante a pr\u00e1tica de atos que se sucedem no tempo, como ocorreu na hip\u00f3tese em julgamento, &#8220;a prescri\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ter in\u00edcio na data da cria\u00e7\u00e3o da obra&#8221;, mas, sim, &#8220;quando da pr\u00e1tica de cada ato violador do direito reclamado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao dar parcial provimento ao recurso especial, Nancy Andrighi concluiu que &#8220;a pretens\u00e3o do recorrido de buscar a repara\u00e7\u00e3o pelos danos oriundos do uso n\u00e3o autorizado da obra cuja autoria pretende ver reconhecida deve ficar limitada ao per\u00edodo dos tr\u00eas anos anteriores ao ajuizamento da a\u00e7\u00e3o&#8221;.&nbsp;<em>Com informa\u00e7\u00f5es da assessoria de imprensa do STJ.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Clique&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/dl\/stj-acordao-globo-vinheta.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aqui<\/a>&nbsp;para ler o ac\u00f3rd\u00e3o<\/strong><br><strong>REsp 1.909.982<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os direitos morais sobre uma obra autoral, por&nbsp;guardarem&nbsp;rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima com a personalidade de seu criador, n\u00e3o admitem transfer\u00eancia, uma vez que s\u00e3o irrenunci\u00e1veis. 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