{"id":18950,"date":"2021-05-20T18:16:59","date_gmt":"2021-05-20T21:16:59","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=18950"},"modified":"2021-05-20T18:16:59","modified_gmt":"2021-05-20T21:16:59","slug":"tj-sp-debate-conceito-de-mulher-para-negar-medida-protetiva-a-transexual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2021\/05\/20\/tj-sp-debate-conceito-de-mulher-para-negar-medida-protetiva-a-transexual\/","title":{"rendered":"TJ-SP debate conceito de &#8220;mulher&#8221; para negar medida protetiva a transexual"},"content":{"rendered":"\n<p>O conceito &#8220;mulher&#8221;&nbsp;\u00e9 usado na Constitui\u00e7\u00e3o Federal, e nada justifica que ele seja interpretado, ao menos em mat\u00e9ria penal,&nbsp;como diferente do &#8220;sentido cient\u00edfico&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/img\/b\/identidade-genero-homossexualidade.jpeg\" alt=\"\"\/><figcaption>10\u00aa C\u00e2mara de Direito Criminal do TJ-SP indeferiu recurso de mulher transexual que<br>teve medida protetiva contra o pai negada<br><sup>123RF<\/sup><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise foi feita pelos desembargadores da 10\u00aa C\u00e2mara de Direito Criminal do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo ao negar, por maioria de votos, recurso impetrado por uma mulher transexual que pedia uma medida protetiva contra o seu pai.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, a mulher alega que sofreu agress\u00f5es que deixaram marcas vis\u00edveis, constatadas por autoridade policial. Ela narra que o agressor chegou em casa alterado e, ao tentar sair da resid\u00eancia, foi imobilizada e jogada na parede, foi empurrada e bateu a cabe\u00e7a. Ainda foi amea\u00e7ada com um peda\u00e7o de madeira, mas conseguiu fugir.<\/p>\n\n\n\n<p>O pai, por sua vez, disse que estava seguindo a filha para ver com quem ela sa\u00eda e que, quando ela percebeu, se atirou na frente de uma viatura que passava e come\u00e7ou a acus\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>O recurso contra decis\u00e3o de 1\u00aa inst\u00e2ncia, proferida pela ju\u00edza Ana Carolina Gusm\u00e3o de Souza Costa, da comarca de Juqui\u00e1 (SP), negando a medida protetiva, foi apresentado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Na manifesta\u00e7\u00e3o do MP, o procurador Marco Ant\u00f4nio Ferreira Lima sustenta que &#8220;a&nbsp; Lei Maria da Penha (11.340\/06) n\u00e3o visa apenas a prote\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher, mas sim \u00e0 mulher que sofre viol\u00eancia de g\u00eanero, e \u00e9 como g\u00eanero feminino que a impetrante se apresenta social e psicologicamente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao analisar o caso, o relator, desembargador Francisco Bruno, entendeu de modo diverso. Ele alegou que os&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2017-mai-06\/frederico-messias-constituicao-veta-marginalizacao-transexuais\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Princ\u00edpios de Yogyakarta<\/a>, (vinculantes, como j\u00e1 deixou claro o STF), estabeleceram v\u00e1rios direitos considerados de n\u00edvel constitucional e inalien\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Todos esses direitos e obriga\u00e7\u00f5es s\u00e3o devidos; e, repito, ningu\u00e9m (de bom senso, \u00e9 claro) discordar\u00e1 disso. Por\u00e9m, nenhum deles d\u00e1 ao transg\u00eanero masculino o direito de ser considerado mulher; nenhum, para colocar de outra forma, autoriza a afirmativa de que &#8216;transg\u00eanero feminino = mulher&#8217;&nbsp;e &#8216;transg\u00eanero masculino = homem'&#8221;, escreveu em seu voto.<\/p><div class=\"lvbyd69eab181dc9d0\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.lvbyd69eab181dc9d0 {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.lvbyd69eab181dc9d0 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.lvbyd69eab181dc9d0 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.lvbyd69eab181dc9d0 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.lvbyd69eab181dc9d0 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.lvbyd69eab181dc9d0 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"hwrbm69eab181dc9b3\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.hwrbm69eab181dc9b3 {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.hwrbm69eab181dc9b3 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.hwrbm69eab181dc9b3 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.hwrbm69eab181dc9b3 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.hwrbm69eab181dc9b3 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.hwrbm69eab181dc9b3 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>O magistrado defende&nbsp;a cria\u00e7\u00e3o de legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para transexuais e que a &#8220;a equipara\u00e7\u00e3o do interessado a mulher (e a esta est\u00e1 vinculado o pedido) ofende o princ\u00edpio da tipicidade estrita e o da proibi\u00e7\u00e3o da analogia&nbsp;<em>in malam parten<\/em>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, argumenta que seria poss\u00edvel enquadrar o caso no artigo 319 do C\u00f3digo de Processo Penal, como sugerido pelo MP. Contudo, julgou que o caso concreto n\u00e3o disp\u00f5e de elementos para justificar o deferimento da medida protetiva, j\u00e1 que o pai, acusado,&nbsp;responde a um processo por desacato, mas nenhum relativo a crime com viol\u00eancia contra pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voto divergente<\/strong><br>Vencida, a \u00fanica mulher a compor o colegiado, desembargadora Maria de Lourdes Rachid Vaz de Almeida, proferiu voto divergente determinando a aplica\u00e7\u00e3o das medidas protetivas. Ela&nbsp;explicou que &#8220;n\u00e3o se pode uniformizar os conceitos de sexo, orienta\u00e7\u00e3o sexual e g\u00eanero, sendo necess\u00e1rio realizar a distin\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 abrang\u00eancia da assinalada prote\u00e7\u00e3o espec\u00edfica&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O que a legisla\u00e7\u00e3o em refer\u00eancia protege frente aos assinalados conceitos \u00e9 o g\u00eanero e este, respeitados os entendimentos contr\u00e1rios, possui m\u00e1xima dimens\u00e3o social\/cultural, n\u00e3o biol\u00f3gica&#8221;, prossegue. &#8220;Da\u00ed por que o resguardo legal n\u00e3o se restringe apenas ao sexo feminino, mas, sim, ao g\u00eanero feminino, o qual engloba n\u00e3o somente mulheres cisg\u00eanero como as transexuais, as travestis.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;De outro \u00e2ngulo, estender-se a prote\u00e7\u00e3o especial \u00e0s transexuais, que s\u00e3o socialmente vulner\u00e1veis em perspectiva de g\u00eanero, \u00e9 forma concreta de se garantir a m\u00e1xima amplitude e efetividade aos direitos fundamentais&#8221;, concluiu.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1500028-93.2021.8.26.0312<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conjur<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O conceito &#8220;mulher&#8221;&nbsp;\u00e9 usado na Constitui\u00e7\u00e3o Federal, e nada justifica que ele seja interpretado, ao menos em mat\u00e9ria penal,&nbsp;como diferente do &#8220;sentido cient\u00edfico&#8221;. A an\u00e1lise foi feita pelos desembargadores da 10\u00aa C\u00e2mara de Direito Criminal do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo ao negar, por maioria de votos, recurso impetrado por uma mulher transexual que<br \/><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2021\/05\/20\/tj-sp-debate-conceito-de-mulher-para-negar-medida-protetiva-a-transexual\/\">Mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":2283,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18950"}],"collection":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18950"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18950\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18951,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18950\/revisions\/18951"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2283"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18950"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18950"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18950"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}