{"id":18411,"date":"2021-04-28T12:00:13","date_gmt":"2021-04-28T15:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=18411"},"modified":"2021-04-28T10:37:46","modified_gmt":"2021-04-28T13:37:46","slug":"trt15-nao-homologa-acordo-entre-uber-e-motorista-e-reconhece-vinculo-empregaticio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2021\/04\/28\/trt15-nao-homologa-acordo-entre-uber-e-motorista-e-reconhece-vinculo-empregaticio\/","title":{"rendered":"TRT15 n\u00e3o homologa acordo entre Uber e motorista e reconhece v\u00ednculo empregat\u00edcio"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"652\" height=\"408\" src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/uber.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1194\" srcset=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/uber.jpg 652w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/uber-300x188.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 652px) 100vw, 652px\" \/><figcaption>Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A 6\u00aa Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 15\u00aa Regi\u00e3o (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/trt15?amp\">TRT15<\/a>) reconheceu v\u00ednculo empregat\u00edcio entre um motorista e a Uber, e n\u00e3o homologou acordo que a empresa havia feito com o motorista um dia antes do julgamento. O tribunal, por unanimidade, entendeu que houve tentativa de fraude trabalhista por parte da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/tributos?utm_source=Banner+site&amp;utm_medium=Artigos&amp;utm_campaign=CTA_Tributos_materias&amp;amp\"><\/a>Em novembro de 2019, o motorista ajuizou reclama\u00e7\u00e3o trabalhista pedindo o reconhecimento de v\u00ednculo empregat\u00edcio, bem com o pagamento de verbas rescis\u00f3rias e de dano moral. Em primeira inst\u00e2ncia, o pedido foi negado, e o trabalhador recorreu. O julgamento foi marcado para 20 de abril de 2021, mas no dia anterior, as partes informaram ao tribunal que haviam entrado em acordo. A 6\u00aa Turma do TRT15 negou homologar o acordo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O desembargador relator, Jo\u00e3o Batista Martins C\u00e9sar, apontou que o valor do acordo, de R$ 35 mil, \u201cn\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel, considerando o valor de remunera\u00e7\u00e3o apontado (R$ 3.000,00), o tempo do contrato de trabalho (aproximadamente um ano) e os direitos incidentes \u00e0 hip\u00f3tese\u201d. Foi destacado que, na primeira inst\u00e2ncia, a Uber n\u00e3o havia apresentado nenhuma proposta de concilia\u00e7\u00e3o, e por isso o desembargador vislumbrou ind\u00edcios de que a empresa se utilizou do acordo para impedir o julgamento. Para os magistrados, n\u00e3o h\u00e1 direito l\u00edquido e certo quanto \u00e0 homologa\u00e7\u00e3o do acordo no \u00e2mbito judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao v\u00ednculo empregat\u00edcio, a 6\u00aa Turma entendeu que, com a formaliza\u00e7\u00e3o de acordos judiciais, as empresas de caronas por aplicativo \u201cdirigem jurisprud\u00eancia em um \u00fanico sentido, que n\u00e3o corresponde, necessariamente, ao que a ci\u00eancia do Direito vem construindo a respeito do tema, provocando acesso desigual \u00e0 Justi\u00e7a e v\u00edcio na constru\u00e7\u00e3o da jurisprud\u00eancia como espa\u00e7o democr\u00e1tico de forma\u00e7\u00e3o dos direitos, para ent\u00e3o reproduzir, nos processos, o argumento de que \u2018a jurisprud\u00eancia \u00e9 firme no sentido de afastar o v\u00ednculo de emprego entre os motoristas parceiros e a Uber\u2019\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para o TRT15, a finalidade da ado\u00e7\u00e3o dessa estrat\u00e9gia de concilia\u00e7\u00e3o seletiva n\u00e3o \u00e9 firmar&nbsp;acordos, mas impedir a forma\u00e7\u00e3o de jurisprud\u00eancia reconhecedora de direitos trabalhistas aos motoristas, \u201cmanipulando e obstruindo a pluralidade de entendimentos jurisdicionais sobre o tema\u201d, o que seria um abuso do direito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O colegiado entendeu que est\u00e3o presentes todos os requisitos para caracterizar o v\u00ednculo empregat\u00edcio, como a pessoalidade, subordina\u00e7\u00e3o, habitualidade, onerosidade e a fixa\u00e7\u00e3o de regras pela empresa ao trabalhador.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 subordina\u00e7\u00e3o, de acordo com documentos e testemunhas, o tribunal trabalhista entendeu que ela se manifesta de v\u00e1rias maneiras, como nas cobran\u00e7as sofridas pelos motoristas, de modo a realizar o maior n\u00famero poss\u00edvel de viagens; no fato de os motoristas conhecerem o destino da viagem apenas no seu in\u00edcio, nunca antes, o que esvazia a sua autonomia com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o da atividade, j\u00e1 que o poder sobre a distribui\u00e7\u00e3o das viagens pertence \u00e0 plataforma; e no recebimento de reclama\u00e7\u00f5es dos clientes e aplica\u00e7\u00e3o de penalidades aos motoristas, exercendo poder disciplinar por meio de advert\u00eancias, suspens\u00f5es e desligamento da plataforma.<\/p><div class=\"fhydn69e72290687e4\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.fhydn69e72290687e4 {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.fhydn69e72290687e4 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.fhydn69e72290687e4 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.fhydn69e72290687e4 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.fhydn69e72290687e4 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.fhydn69e72290687e4 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"crkxs69e72290687ca\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.crkxs69e72290687ca {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.crkxs69e72290687ca {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.crkxs69e72290687ca {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.crkxs69e72290687ca {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.crkxs69e72290687ca {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.crkxs69e72290687ca {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 onerosidade, os desembargadores afirmaram que a Uber concentra em seu poder a maior parte dos valores pagos pelos usu\u00e1rios. Al\u00e9m disso, de acordo com o contrato de Termos e Condi\u00e7\u00f5es da Uber, o motorista \u00e9 obrigado a cumprir regras previamente estipuladas pela empresa, como manter avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dia que exceda a m\u00e9dia m\u00ednima aceit\u00e1vel pela plataforma para o territ\u00f3rio, evitar o cancelamento de solicita\u00e7\u00f5es de viagens e aceitar, como forma de pagamento, o cart\u00e3o de cr\u00e9dito via aplicativo, al\u00e9m do c\u00e1lculo preestabelecido pela reclamada para o valor do servi\u00e7o, com proibi\u00e7\u00e3o de majora\u00e7\u00e3o dos valores e restri\u00e7\u00e3o aos descontos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 como demonstra\u00e7\u00e3o da pessoalidade, os desembargadores verificaram que o dispositivo da Uber \u00e9 de uso exclusivo do motorista, e de nenhuma outra pessoa, f\u00edsica ou jur\u00eddica. \u201cNote-se que a pessoalidade se d\u00e1 entre a empresa e o motorista e n\u00e3o entre o condutor e o passageiro. Em aten\u00e7\u00e3o \u00e0s raz\u00f5es recursais, acrescente-se que a possibilidade de que os servi\u00e7os sejam prestados por pessoas f\u00edsicas que ofere\u00e7am servi\u00e7os de transportes de passageiros ponto a ponto ou por empresas de transporte independentes que possuam um \u00fanico ve\u00edculo ou frota, n\u00e3o exclui e tampouco afasta o requisito pessoalidade, no caso, pois n\u00e3o h\u00e1 prova de que o autor tenha se valido da for\u00e7a de trabalho alheia para a execu\u00e7\u00e3o de suas atividades\u201d, afirma o relator no ac\u00f3rd\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA empresa instrumentaliza o servi\u00e7o durante todo o dia por meio de est\u00edmulo \u00e0s jornadas extensas, com pr\u00eamios. O algoritmo procura melhorar a remunera\u00e7\u00e3o desses trabalhadores nos hor\u00e1rios em que h\u00e1 maior necessidade dos usu\u00e1rios da plataforma. Passa-se da fic\u00e7\u00e3o do trabalhador-mercadoria para a fic\u00e7\u00e3o do trabalhador-livre\u201d, argumenta o relator.<\/p>\n\n\n\n<p>Na fundamenta\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o, o relator citou o artigo \u201c<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/opiniao-e-analise\/colunas\/o-mundo-fora-dos-autos\/com-motoristas-empregados-o-uber-acaba-01032021?amp\">Com motoristas empregados, o Uber acaba?<\/a>\u201c, de autoria do do procurador do Trabalho C\u00e1ssio Casagrande, colunista do&nbsp;<strong>JOTA<\/strong>&nbsp;e professor de Direito Constitucional da Universidade Federal Fluminense.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final, os desembargadores reconheceram o v\u00ednculo empregat\u00edcio entre o motorista e a Uber nos per\u00edodos de 10\/8\/2017 a 17\/7\/2018 e de 26\/7\/2019 a 24\/9\/2019, com sal\u00e1rio mensal de R$ 3.000,00.<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe recurso da decis\u00e3o, cujo processo tramita com o n\u00famero 0011710-15.2019.5.15.0032. Procurada, a Uber n\u00e3o se manifestou at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem.<\/p>\n\n\n\n<p>JOTA<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 6\u00aa Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 15\u00aa Regi\u00e3o (TRT15) reconheceu v\u00ednculo empregat\u00edcio entre um motorista e a Uber, e n\u00e3o homologou acordo que a empresa havia feito com o motorista um dia antes do julgamento. O tribunal, por unanimidade, entendeu que houve tentativa de fraude trabalhista por parte da empresa. Em novembro<br \/><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2021\/04\/28\/trt15-nao-homologa-acordo-entre-uber-e-motorista-e-reconhece-vinculo-empregaticio\/\">Mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":1194,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18411"}],"collection":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18411"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18411\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18412,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18411\/revisions\/18412"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1194"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18411"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18411"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18411"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}