{"id":18201,"date":"2021-04-19T11:14:30","date_gmt":"2021-04-19T14:14:30","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=18201"},"modified":"2021-04-19T11:14:30","modified_gmt":"2021-04-19T14:14:30","slug":"covid-19-juiz-reconhece-morte-pela-doenca-como-acidente-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2021\/04\/19\/covid-19-juiz-reconhece-morte-pela-doenca-como-acidente-de-trabalho\/","title":{"rendered":"Covid-19: juiz reconhece morte pela doen\u00e7a como acidente de trabalho"},"content":{"rendered":"\n<p>A Justi\u00e7a do Trabalho mineira reconheceu como acidente de trabalho a morte por covid-19 do motorista de uma transportadora.&nbsp; A empregadora foi condenada a pagar indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais, no valor total de R$ 200 mil, que ser\u00e1 dividido igualmente entre a filha e a vi\u00fava, e, ainda, indeniza\u00e7\u00e3o por danos materiais em forma de pens\u00e3o. A decis\u00e3o \u00e9 do juiz do Trabalho Luciano Jos\u00e9 de Oliveira, que analisou o caso na vara do Trabalho de Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es\/MG.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/img2.migalhas.uol.com.br\/_MEDPROC_\/https__img1.migalhas.uol.com.br__SL__gf_base__SL__empresas__SL__MIGA__SL__imagens__SL__2021__SL__04__SL__19__SL__1e73c53a-de53-45aa-a31e-678e1f304002.jpg._PROC_CP75.jpg\" alt=\"(Imagem: Pexels)\" title=\"(Imagem: Pexels)\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>(Imagem: Pexels)<\/p>\n\n\n\n<p>A fam\u00edlia, que requereu judicialmente a repara\u00e7\u00e3o compensat\u00f3ria, alegou que o trabalhador foi contaminado pelo coronav\u00edrus no exerc\u00edcio de suas fun\u00e7\u00f5es, foi internado e veio a \u00f3bito ap\u00f3s complica\u00e7\u00f5es da doen\u00e7a. O motorista come\u00e7ou a sentir os primeiros sintomas em 15 de maio de 2020, ap\u00f3s realizar uma viagem de 10 dias da cidade de Extrema, Minas Gerais, para Macei\u00f3, Alagoas, e, na sequ\u00eancia, para Recife, Pernambuco.<\/p>\n\n\n\n<p>Em defesa, a empresa alegou que o caso n\u00e3o se enquadra na esp\u00e9cie de acidente de trabalho. Informou que sempre cumpriu as normas atinentes \u00e0 seguran\u00e7a de seus trabalhadores, ap\u00f3s a declara\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o de pandemia. Disse ainda que sempre forneceu os EPIs necess\u00e1rios, orientando os empregados quanto aos riscos de contamina\u00e7\u00e3o e \u00e0s medidas profil\u00e1ticas que deveriam ser adotadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, ao avaliar o caso, o juiz deu raz\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia do motorista. Na senten\u00e7a, o magistrado chamou a aten\u00e7\u00e3o para recente decis\u00e3o do STF, pela qual o plen\u00e1rio referendou medida cautelar proferida em ADIn&nbsp;<a href=\"http:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=5880968\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">6.342<\/a>, que suspendeu a efic\u00e1cia do artigo 29 da MP&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2019-2022\/2020\/mpv\/mpv927.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">927\/20<\/a>, que dizia que os &#8220;casos de contamina\u00e7\u00e3o pelo coronav\u00edrus n\u00e3o seriam considerados ocupacionais&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o magistrado, a ado\u00e7\u00e3o da teoria da responsabiliza\u00e7\u00e3o objetiva, no caso, \u00e9 inteiramente pertinente, pois adv\u00e9m do dever de assumir o risco por eventuais infort\u00fanios sofridos pelo empregado ao submet\u00ea-lo ao trabalho durante a pandemia do coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>Na vis\u00e3o do juiz, o motorista ficou suscet\u00edvel \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o nas instala\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias, muitas vezes prec\u00e1rias, existentes nos pontos de parada, nos p\u00e1tios de carregamento dos colaboradores e clientes e, ainda, na sede ou filiais da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>Prova testemunhal revelou, ainda, que o caminh\u00e3o poderia ser conduzido por terceiros, que assumiam, como manobristas, a dire\u00e7\u00e3o nos p\u00e1tios de carga e descarga. Situa\u00e7\u00e3o que, segundo o juiz, aumenta o grau de exposi\u00e7\u00e3o, sobretudo porque n\u00e3o consta nos autos demonstra\u00e7\u00e3o de que as medidas profil\u00e1ticas e de sanitiza\u00e7\u00e3o da cabine eram levadas a efeito todas as vezes que a altern\u00e2ncia acontecia.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o magistrado refor\u00e7ou que n\u00e3o foi apontada a quantidade fornecida do \u00e1lcool em gel e de m\u00e1scara, &#8220;n\u00e3o sendo poss\u00edvel confirmar se era suficiente para uso di\u00e1rio e regular durante os trajetos percorridos&#8221;. Ele lembrou, ainda, que n\u00e3o foram apresentados tamb\u00e9m comprovantes de participa\u00e7\u00e3o da v\u00edtima e seus colegas em cursos lecionados periodicamente sobre as medidas de preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o juiz, \u00e9 irrefut\u00e1vel que o motorista falecido, em raz\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o e da \u00e9poca em que desenvolveu as atividades, estava exposto a perigo maior do que aquele comum aos demais empregados, &#8220;n\u00e3o sendo proporcional, nesta mesma medida, promover tratamento igual ao que conferido a estes quando da imputa\u00e7\u00e3o da responsabilidade civil&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o julgador, tais peculiaridades, seguindo o que prescreve o artigo 8\u00ba, caput e par\u00e1grafo 1\u00ba da&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto-lei\/del5452.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CLT<\/a>, atraem a aplica\u00e7\u00e3o do disposto no par\u00e1grafo \u00fanico do artigo 927 do C\u00f3digo Civil brasileiro, &#8220;ficando assim prejudicada a alega\u00e7\u00e3o da defesa de que n\u00e3o teria existido culpa, e que isso seria suficiente para obstar sua responsabiliza\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p><div class=\"vqtxv69e96b22061c5\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.vqtxv69e96b22061c5 {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.vqtxv69e96b22061c5 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.vqtxv69e96b22061c5 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.vqtxv69e96b22061c5 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.vqtxv69e96b22061c5 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.vqtxv69e96b22061c5 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"eqrwq69e96b22061a2\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.eqrwq69e96b22061a2 {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.eqrwq69e96b22061a2 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.eqrwq69e96b22061a2 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.eqrwq69e96b22061a2 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.eqrwq69e96b22061a2 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.eqrwq69e96b22061a2 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>Na vis\u00e3o do juiz, n\u00e3o se nega que a culpa exclusiva da v\u00edtima seria fator de causa excludente do nexo de causalidade.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Entretanto, no caso examinado, n\u00e3o h\u00e1 elementos que possam incutir na conclus\u00e3o de que ela teria se verificado da maneira alegada pela empresa, por inobserv\u00e2ncia contundente de regras e orienta\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias, valendo registrar que o \u00f4nus na comprova\u00e7\u00e3o competia \u00e0 reclamada e deste encargo n\u00e3o se desvencilhou.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Assim, diante de todo o quadro, o juiz entendeu que ficaram evidenciados os requisitos para imputa\u00e7\u00e3o \u00e0 empresa do dever de indenizar. Para o julgador, a responsabilidade civil da empresa restaria prejudicada em absoluto, pelo afastamento do nexo causal, se, e t\u00e3o somente se, houvesse comprova\u00e7\u00e3o total de que adotou postura de proatividade e zelo em rela\u00e7\u00e3o aos seus empregados, aderindo ao conjunto de medidas capazes de, sen\u00e3o neutralizar, ao menos, minimizar o risco imposto aos motoristas e demais colaboradores. &#8220;<em>Por\u00e9m, n\u00e3o foi essa a concep\u00e7\u00e3o que defluiu do conjunto probat\u00f3rio vertido&#8221;<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, visando a assegurar a coer\u00eancia entre a aplica\u00e7\u00e3o e a finalidade do direito, garantindo a sua utiliza\u00e7\u00e3o justa, por analogia, o magistrado aplicou ao caso os comandos dos artigos 501 e 502 da CLT. &#8220;Imputada a responsabilidade civil sobre a empregadora, reputo razo\u00e1vel e proporcional a redu\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o de reparar os danos \u00e0 raz\u00e3o da metade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso dos autos, o juiz entendeu que o dano moral \u00e9 evidente e presumido, importando a estipula\u00e7\u00e3o de um crit\u00e9rio para fixa\u00e7\u00e3o da compensa\u00e7\u00e3o pela dor e pelo sofrimento experimentado pelos familiares. Para o julgador, as figuras paterna e materna possuem papel decisivo no desenvolvimento da crian\u00e7a, do adolescente e dos jovens, seja nos momentos mais simples, para atos da vida cotidiana, seja nos momentos mais complexos, como na atua\u00e7\u00e3o para educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter.<em>&nbsp;&#8220;Ademais, a perda do ente querido priva os membros da fam\u00edlia da conviv\u00eancia e do desfrutar do contato e da companhia&#8221;<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante disso, o juiz entendeu ser proporcional, razo\u00e1vel e equitativo fixar a indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais no valor de R$ 100 mil para cada uma das autoras, o que totaliza R$ 200 mil. Em sua decis\u00e3o, o magistrado levou em considera\u00e7\u00e3o o grau de risco a que o empregado se expunha recorrentemente, o bem jur\u00eddico afetado e as vicissitudes do caso como, por exemplo, o qu\u00e3o tr\u00e1gico foi o falecimento, a inviabilidade de se poder ao menos fazer um vel\u00f3rio, al\u00e9m da natureza jur\u00eddica do empregador e de seu porte econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao dano material, o juiz determinou o pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o em forma de pensionamento para a filha e a vi\u00fava. Na vis\u00e3o do julgador, as provas dos autos indicaram que o motorista era o \u00fanico provedor do lar e, por consequ\u00eancia, a perda sum\u00e1ria e precoce proporcionou efeitos delet\u00e9rios nefastos \u00e0 fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Especificamente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 filha, o juiz determinou que a obriga\u00e7\u00e3o de indenizar se conservar\u00e1 at\u00e9 que ela complete idade suficiente para garantir a pr\u00f3pria subsist\u00eancia, ou seja, at\u00e9 os 24 anos de idade, conforme sugerido pela jurisprud\u00eancia predominante.<\/p>\n\n\n\n<p>No tocante \u00e0 vi\u00fava, o dever de pensionamento se estender\u00e1 at\u00e9 que o motorista completasse 76,7 anos de idade, de acordo com a \u00faltima expectativa m\u00e9dia de vida divulgada pelo IBGE.<\/p>\n\n\n\n<ul><li>Processo:&nbsp;<a href=\"https:\/\/pje.trt3.jus.br\/consultaprocessual\/detalhe-processo\/0010626-21.2020.5.03.0147\/1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">0010626-21.2020.5.03.0147<\/a><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Informa\u00e7\u00f5es: TRT-3.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Justi\u00e7a do Trabalho mineira reconheceu como acidente de trabalho a morte por covid-19 do motorista de uma transportadora.&nbsp; A empregadora foi condenada a pagar indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais, no valor total de R$ 200 mil, que ser\u00e1 dividido igualmente entre a filha e a vi\u00fava, e, ainda, indeniza\u00e7\u00e3o por danos materiais em forma de<br \/><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2021\/04\/19\/covid-19-juiz-reconhece-morte-pela-doenca-como-acidente-de-trabalho\/\">Mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":9269,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18201"}],"collection":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18201"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18201\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18202,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18201\/revisions\/18202"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9269"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18201"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18201"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18201"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}