{"id":18196,"date":"2021-04-19T09:29:54","date_gmt":"2021-04-19T12:29:54","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=18196"},"modified":"2021-04-18T22:32:31","modified_gmt":"2021-04-19T01:32:31","slug":"nem-homem-nem-mulher-justica-da-direito-a-pessoa-de-registrar-que-seu-genero-e-neutro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2021\/04\/19\/nem-homem-nem-mulher-justica-da-direito-a-pessoa-de-registrar-que-seu-genero-e-neutro\/","title":{"rendered":"NEM HOMEM, NEM MULHER: Justi\u00e7a d\u00e1 direito a pessoa de registrar que seu g\u00eanero \u00e9 neutro"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/1200px-Gender_Neutral_13777_-_The_Noun_Project.svg_-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-18197\" srcset=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/1200px-Gender_Neutral_13777_-_The_Noun_Project.svg_-1024x1024.png 1024w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/1200px-Gender_Neutral_13777_-_The_Noun_Project.svg_-300x300.png 300w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/1200px-Gender_Neutral_13777_-_The_Noun_Project.svg_-150x150.png 150w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/1200px-Gender_Neutral_13777_-_The_Noun_Project.svg_-768x768.png 768w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/1200px-Gender_Neutral_13777_-_The_Noun_Project.svg_.png 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Ilustrativa<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A Justi\u00e7a de Santa Catarina, em uma das primeiras decis\u00f5es sobre a mat\u00e9ria no Brasil, reconheceu o direito da pessoa declarar que seu g\u00eanero \u00e9 neutro. O caso concreto envolve certa complexidade. Quando nasceu, a pessoa foi registrada como sendo do g\u00eanero masculino, mas nunca se identificou como tal e tampouco com o g\u00eanero feminino. Extrajudicialmente, tentou mudar na certid\u00e3o de nascimento o nome e o sexo&nbsp;para &#8220;n\u00e3o identificado&#8221;, com informa\u00e7\u00e3o de necess\u00e1ria an\u00e1lise judicial sobre o g\u00eanero neutro. Por isso, ingressou na Justi\u00e7a e seu caso foi julgado pela ju\u00edza V\u00e2nia Petermann.<\/p>\n\n\n\n<p>O principal ponto a ser enfrentado na decis\u00e3o era saber se seria poss\u00edvel&nbsp;reconhecer, juridicamente, o g\u00eanero neutro com base na Constitui\u00e7\u00e3o. Para tanto, foi necess\u00e1rio analisar se o pleito estava em contraste com a norma infraconstitucional &#8211;&nbsp;artigo 54, \u00a7 2\u00ba, da Lei 6.015\/1973 &#8211; que prescreve sobre o registro civil, essencial para todos os atos de cidadania.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de argumenta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica ampla, a magistrada proferiu a senten\u00e7a com base em dados hist\u00f3ricos, antropol\u00f3gicos, sociol\u00f3gicos, filos\u00f3ficos, biol\u00f3gicos, psicanal\u00edticos e psicol\u00f3gicos, sem abrir m\u00e3o de uma an\u00e1lise sobre a trajet\u00f3ria de g\u00eanero e sexualidade no Brasil e no exterior.&nbsp; Diante disso, admitiu a judicializa\u00e7\u00e3o do tema e reconheceu &#8211; no caso concreto &#8211;&nbsp; a fratura no ordenamento jur\u00eddico p\u00e1trio, segundo a teoria dos formantes legais, &#8220;entre o&nbsp;formante legislativo (lei infraconstitucional dos registros da pessoa humana no Brasil) e os demais formantes doutrinal e jurisprudencial&#8221;. Para tanto, a ju\u00edza analisou a quest\u00e3o pelo vi\u00e9s interno, chegando \u00e0 conclus\u00e3o de que h\u00e1 criototipo segundo a Teoria do Direito Mudo, ou seja, h\u00e1 uma voz muda na hist\u00f3ria da sociedade, e igualmente do legislador, sobre a identifica\u00e7\u00e3o neutra (na lei consta o item sexo e n\u00e3o os sexos biol\u00f3gicos, destacou).<\/p>\n\n\n\n<p>Ausente jurisprud\u00eancia firmada no Brasil, a magistrada justificou a possibilidade de utilizar decis\u00f5es de pa\u00edses com sistemas compat\u00edveis, para compor o formante jurisprudencial. As doutrinas citadas s\u00e3o nacionais e estrangeiras. Para a ju\u00edza, a decomposi\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas formantes da lei possibilita melhor conhecer a norma infraconstitucional, al\u00e9m de dar vida aos direitos contempor\u00e2neos ainda n\u00e3o legislados, como no caso. Ainda, pela teoria cr\u00edtica do direito comparado, exerceu o controle de constitucionalidade concreto, ao considerar que prevalecem os princ\u00edpios que afirmam o direito fundamental da pessoa ag\u00eanero ser assim juridicamente reconhecida.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e2nia explicou&nbsp;que o Judici\u00e1rio \u00e9 o guardi\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o, na qual o princ\u00edpio da dignidade da pessoa humana \u00e9 pilar fundamental e sustenta outras prote\u00e7\u00f5es, como o direito de liberdade de express\u00e3o e de autodeterminar-se, o que tamb\u00e9m consta de tratados internacionais de que o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio.&nbsp;Ela lembrou que o&nbsp;g\u00eanero neutro \u00e9 um conceito adotado pela ONU, para as &#8220;pessoas que nascem com caracter\u00edsticas sexuais que n\u00e3o se encaixam nas defini\u00e7\u00f5es t\u00edpicas do sexo masculino e feminino&#8221;. A magistrada pontuou ainda que o Supremo Tribunal Federal j\u00e1 se manifestou a favor da possibilidade de mudar o registro do sexo, independentemente do \u00f3rg\u00e3o sexual f\u00edsico.&nbsp;&nbsp;<\/p><div class=\"vlcgr69e93afa1145b\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.vlcgr69e93afa1145b {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.vlcgr69e93afa1145b {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.vlcgr69e93afa1145b {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.vlcgr69e93afa1145b {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.vlcgr69e93afa1145b {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.vlcgr69e93afa1145b {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"oohnj69e93afa11442\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.oohnj69e93afa11442 {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.oohnj69e93afa11442 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.oohnj69e93afa11442 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.oohnj69e93afa11442 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.oohnj69e93afa11442 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.oohnj69e93afa11442 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>Para a ju\u00edza, &#8220;o Poder Judici\u00e1rio, diante dos casos concretos, deve funcionar como respaldo jur\u00eddico, freando a discrimina\u00e7\u00e3o das minorias e garantindo a todos o exerc\u00edcio pleno de uma vida digna&#8221;.&nbsp;E prosseguiu: &#8220;Impedir as pessoas&nbsp;de serem o que sentem que s\u00e3o \u00e9 uma afronta \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o&#8221;. O importante, segundo a magistrada, \u00e9 garantir a elas &#8220;o direito fundamental \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, livre de qualquer esp\u00e9cie de preconceito, opress\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o&#8221;.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda, a ju\u00edza analisou os impactos na l\u00edngua brasileira, frisando que n\u00e3o se pode negar um direito de n\u00e3o identifica\u00e7\u00e3o de sexo em raz\u00e3o de um anseio que brota da sociedade em escala mundial, n\u00e3o s\u00f3 no Brasil. Ressaltou que a adequa\u00e7\u00e3o encontrar\u00e1 espa\u00e7o, seja na voz da sociedade ou da legisla\u00e7\u00e3o, o que depender\u00e1 do devido tempo, como ocorre em outros pa\u00edses que n\u00e3o t\u00eam o pronome neutro. Tamb\u00e9m informou que o Estado possui outros meios de identifica\u00e7\u00e3o das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>E concluiu: &#8220;Os ideais de igualdade e dignidade, o vi\u00e9s protetivo da\u00a0personalidade,\u00a0previstos em nossa Constitui\u00e7\u00e3o, dependem do avan\u00e7o legislativo para atender a din\u00e2mica evolutiva da vida em Sociedade. Diante de uma lei que n\u00e3o faz mais sentido, da norma infraconstitucional, e da falta do avan\u00e7o no fluxo do que est\u00e1 pulsando, n\u00e3o cabe denegar os mais intr\u00ednsecos direitos inerentes a todo ser humano&#8221;. A ju\u00edza admitiu ainda a mudan\u00e7a do\u00a0nome, conforme pedido na inicial. O caso corre em segredo de justi\u00e7a e est\u00e1 sujeito a recurso.<\/p>\n\n\n\n<p>TJSC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Justi\u00e7a de Santa Catarina, em uma das primeiras decis\u00f5es sobre a mat\u00e9ria no Brasil, reconheceu o direito da pessoa declarar que seu g\u00eanero \u00e9 neutro. O caso concreto envolve certa complexidade. Quando nasceu, a pessoa foi registrada como sendo do g\u00eanero masculino, mas nunca se identificou como tal e tampouco com o g\u00eanero feminino.<br \/><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2021\/04\/19\/nem-homem-nem-mulher-justica-da-direito-a-pessoa-de-registrar-que-seu-genero-e-neutro\/\">Mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":18197,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18196"}],"collection":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18196"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18196\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18198,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18196\/revisions\/18198"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18197"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18196"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18196"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18196"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}