{"id":18114,"date":"2021-04-15T12:26:50","date_gmt":"2021-04-15T15:26:50","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=18114"},"modified":"2021-04-15T10:29:08","modified_gmt":"2021-04-15T13:29:08","slug":"lei-que-instituiu-contribuicoes-previdenciarias-por-poderes-sobre-proventos-de-inativos-e-declarada-inconstitucional-no-rn","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2021\/04\/15\/lei-que-instituiu-contribuicoes-previdenciarias-por-poderes-sobre-proventos-de-inativos-e-declarada-inconstitucional-no-rn\/","title":{"rendered":"Lei que instituiu contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias por Poderes sobre proventos de inativos \u00e9 declarada inconstitucional no RN"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"750\" height=\"500\" src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/TJRN-6.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-615\" srcset=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/TJRN-6.jpg 750w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/TJRN-6-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption>Reprodu\u00e7\u00e3o <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O Pleno do Tribunal de Justi\u00e7a do RN, \u00e0 unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade formal da Lei Complementar Estadual n\u00ba 623\/2018, que alterou dispositivos da LCE n.\u00ba 308\/2005, reestruturando o Regime Pr\u00f3prio de Previd\u00eancia Social (RPPS) do Estado do Rio Grande do Norte. A altera\u00e7\u00e3o instituiu a contribui\u00e7\u00e3o a cargo do Judici\u00e1rio, do Legislativo (inclu\u00eddo o TCE\/RN) e do Minist\u00e9rio P\u00fablico incidente sobre os proventos dos respectivos servidores inativos e pens\u00f5es dos dependentes dos seus servidores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Diante da mudan\u00e7a, o Procurador-Geral de Justi\u00e7a prop\u00f4s A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade da Lei Complementar Estadual n\u00ba 623\/2018 alegando que vigora, desde a Emenda Constitucional n\u00ba 41\/2003, o princ\u00edpio da unicidade de regime e gest\u00e3o do sistema previdenci\u00e1rio, sendo o Instituto de Previd\u00eancia dos Servidores do Estado do Rio Grande do Norte (IPERN) o gestor \u00fanico do RPPS no \u00e2mbito estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>Defendeu que a lei impugnada, em rota de colis\u00e3o com o preceito legal exposto no artigo 29, \u00a7 22, da Constitui\u00e7\u00e3o Estadual, repassou aos titulares do Poder Judici\u00e1rio, Poder Legislativo, nele inclu\u00eddo o Tribunal de Contas do Estado, e Minist\u00e9rio P\u00fablico parte da atividade de gest\u00e3o do regime previdenci\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o PGJ, a LCE n\u00ba 623\/2018 pretende repassar a outros Poderes\/\u00d3rg\u00e3os a responsabilidade pelo pagamento da contribui\u00e7\u00e3o incidente sobre os proventos dos servidores inativos e as pens\u00f5es dos dependentes de seus servidores, ou seja, a chamada contribui\u00e7\u00e3o patronal. Segundo ele, tal responsabilidade \u00e9 inerente \u00e0 atividade de gest\u00e3o dos variados componentes do regime, de forma que n\u00e3o podem ser distribu\u00eddos entre outras entidades\/\u00f3rg\u00e3os, sob pena de viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio constitucional da unicidade de regime e gest\u00e3o do sistema previdenci\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O Procurador-Geral explicou que, segundo o sistema constitucional de reparti\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias, o Estado do Rio Grande do Norte somente pode editar normas que suplementem a legisla\u00e7\u00e3o federal sobre regras gerais de previd\u00eancia social, sendo-lhe vedado disciplinar a mat\u00e9ria de modo diverso ou inovar sem amparo em norma federal. Assim, para ele, a LCE n\u00ba 623\/2018 transbordou os limites permitidos pela norma geral nacional que rege o tema (Lei n\u00ba 9.717\/1998).<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, defendeu que o art. 2.\u00ba, \u00a7 1.\u00ba, da Lei n.\u00ba 9.917\/1998 prescreve que o Estado \u00e9 o respons\u00e1vel pela cobertura de eventuais insufici\u00eancias financeiras do seu RPPS, mas a lei impugnada, contrariando tal preceito, repassa uma obriga\u00e7\u00e3o que cabe ao ente federativo (Estado do Rio Grande do Norte) para os demais Poderes e para o Minist\u00e9rio P\u00fablico, no que, na sua vis\u00e3o, inovou na ordem jur\u00eddica, incidindo em inconstitucionalidade formal por usurpar compet\u00eancia reservada \u00e0 lei federal, sendo, pois, incompat\u00edvel com o que disp\u00f5e o art. 20, XII, da CE.<\/p><div class=\"mawfr69e722ec04059\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img 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inadmiss\u00edvel inova\u00e7\u00e3o, em ofensa ao que disp\u00f5e o art. 20, XII, e \u00a7 1.\u00ba da CE.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o relator compreendeu que a inova\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o n\u00e3o se constitui no repasse de uma obriga\u00e7\u00e3o que caberia ao ente federativo (Estado do Rio Grande do Norte) para os demais Poderes e para o Minist\u00e9rio P\u00fablico \u2013 interpreta\u00e7\u00e3o que, para ele, n\u00e3o parece ser poss\u00edvel extrair do texto legal sob an\u00e1lise \u2013, mas sim no fato de que a LCE n.\u00ba 623\/2018 criou fonte de custeio para o regime previdenci\u00e1rio n\u00e3o prevista na Lei n.\u00ba 9.717\/1998.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, o desembargador Am\u00edlcar Maia n\u00e3o observou ofensa ao artigo 29, \u00a7 22, da CE por parte da LCE n.\u00ba 623\/2018, pois tamb\u00e9m n\u00e3o compreendeu que ela feriu o princ\u00edpio da unicidade de regime e gest\u00e3o do sistema previdenci\u00e1rio, eis que no preceito impugnado n\u00e3o h\u00e1 qualquer indica\u00e7\u00e3o de que o RPPS\/RN v\u00e1 ser dividido, retirando-se compet\u00eancias do seu gestor, o IPERN.<\/p>\n\n\n\n<p>Explicou que, de acordo com o sistema constitucional de reparti\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias, cabe \u00e0 Uni\u00e3o legislar sobre normas gerais atinentes \u00e0 previd\u00eancia social e, aos Estados, exercer a compet\u00eancia legislativa suplementar, podendo editar normas que complementem a legisla\u00e7\u00e3o federal sobre previd\u00eancia social, mas n\u00e3o que colidam com esta ou que tragam inova\u00e7\u00f5es n\u00e3o previstas nela.<\/p>\n\n\n\n<p>Disse que o teor da lei estadual deve, por exig\u00eancia do dispositivo constitucional estadual, moldar-se conforme as normas gerais preconizadas pela Uni\u00e3o. \u201cLogo, o legislador estadual, ao se afastar dos crit\u00e9rios fixados na Lei n.\u00ba 9.717\/1998, terminou por usurpar a compet\u00eancia legislativa da Uni\u00e3o, ofendendo diretamente ao disposto no \u00a7 1.\u00ba do art. 20 da CE, pois ultrapassou os limites de sua compet\u00eancia suplementar para legislar sobre previd\u00eancia social (art. 20, XII, da CE)\u201d, concluiu.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Processo n\u00ba 0802234-60.2018.8.20.0000)&nbsp;<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Pleno do Tribunal de Justi\u00e7a do RN, \u00e0 unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade formal da Lei Complementar Estadual n\u00ba 623\/2018, que alterou dispositivos da LCE n.\u00ba 308\/2005, reestruturando o Regime Pr\u00f3prio de Previd\u00eancia Social (RPPS) do Estado do Rio Grande do Norte. 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