{"id":17502,"date":"2021-03-19T15:03:07","date_gmt":"2021-03-19T18:03:07","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=17502"},"modified":"2021-03-19T14:35:37","modified_gmt":"2021-03-19T17:35:37","slug":"juiz-da-bronca-ao-nao-reconhecer-vinculo-de-emprego-fanfarrao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2021\/03\/19\/juiz-da-bronca-ao-nao-reconhecer-vinculo-de-emprego-fanfarrao\/","title":{"rendered":"Juiz d\u00e1 bronca ao n\u00e3o reconhecer v\u00ednculo de emprego: &#8220;fanfarr\u00e3o&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p>Em decis\u00e3o dura e cheia de sarcasmo, o juiz do Trabalho Leonardo Aliaga Betti, de Mogi das Cruzes\/SP, chamou um trabalhador de &#8220;fanfarr\u00e3o&#8221; ao negar pedido de reconhecimento de v\u00ednculo de emprego. O magistrado considerou que o rapaz atuava como s\u00f3cio, e n\u00e3o como subordinado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/img2.migalhas.uol.com.br\/_MEDPROC_\/https__img1.migalhas.uol.com.br__SL__gf_base__SL__empresas__SL__MIGA__SL__imagens__SL__2021__SL__03__SL__19__SL__0be67144-f5e4-4c86-b27a-f263543c98a8.jpg._PROC_CP75.jpg\" alt=\"(Imagem: Arte Migalhas)\" title=\"(Imagem: Arte Migalhas)\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>(Imagem: Arte Migalhas)<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 Justi\u00e7a, o reclamante afirmou que manteve rela\u00e7\u00e3o de emprego no per\u00edodo de 23\/5\/19 a 3\/2\/20, no cargo de gerente. Alegou, ainda, que, a despeito do v\u00ednculo empregat\u00edcio entre as partes, a reclamada jamais efetuou o registro do contrato ou pagou as verbas dele decorrentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A suposta empregadora apresentou defesa, acompanhada de documentos, na qual argumenta que \u00e9 parte ileg\u00edtima e que jamais manteve com o reclamante v\u00ednculo de natureza empregat\u00edcia, postulando, em fun\u00e7\u00e3o disso, a improced\u00eancia de todos os pedidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela diz, tamb\u00e9m, que encerrou suas atividades justamente na data em que o autor alega haver sido contratado como seu empregado. Narra que, no local respectivo, iniciou-se atividade empresarial distinta, afastando-se a acionada do neg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do caso, o juiz considerou que n\u00e3o houve rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica entre as partes.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;De acordo com o Dicion\u00e1rio Michaelis (dispon\u00edvel em https:\/\/michaelis.uol.com.br), constitui fanfarrice &#8216;ato, dito ou modos de fanfarr\u00e3o; parada, presepada, rodamontada; ostenta\u00e7\u00e3o de bravura e valentia, geralmente exagerada e mentirosa; baz\u00f3fia, bravada, jact\u00e2ncia&#8217;. O presente feito \u00e9 uma verdadeira fanfarrice. O reclamante, um fanfarr\u00e3o.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Como o magistrado chegou a essa conclus\u00e3o? Pegue uma pipoca e acompanhe.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esmigalhando o caso<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Junto com a defesa, a suposta empregadora juntou boletim de ocorr\u00eancia lavrado a pedido de um homem chamado &#8220;Nino&#8221; (n\u00e3o o saudoso Nino do Castelo R\u00e1-TimBum), em que este afirma que, meses antes, decidiu pactuar contrato de sociedade com a reclamada, a fim de inaugurar um novo neg\u00f3cio no local em que por d\u00e9cadas instalou-se a empresa envolvida na controversa.<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo boletim, Nino afirmou expressamente que assumiu a reforma completa do local, sob o pacto de que se tornaria propriet\u00e1rio de 50% do estabelecimento, que veio a ser inaugurado em 30\/11\/19, quando mudou de nome e de atividade. Nino ali deixa claro que arcou com todas as despesas a partir de ent\u00e3o dedicadas ao neg\u00f3cio, tanto no que se refere \u00e0 reforma do local como no que tange \u00e0 atividade exercida (despesas de uso e de estoque).<\/p>\n\n\n\n<p>O autor da a\u00e7\u00e3o, entretanto, n\u00e3o incluiu Nino no polo passivo da demanda. Por qu\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Afinal, se Nino assumira o neg\u00f3cio e confessara dele ser propriet\u00e1rio, d\u00favidas n\u00e3o existiriam de que, \u00e0 luz da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, teria (&#8230;) total interesse que o patrim\u00f4nio do novo s\u00f3cio se somasse ao da reclamada para fins de futura execu\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/em><\/p><div class=\"mradc69e704b939455\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.mradc69e704b939455 {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.mradc69e704b939455 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.mradc69e704b939455 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.mradc69e704b939455 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.mradc69e704b939455 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.mradc69e704b939455 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"avrzr69e704b939436\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.avrzr69e704b939436 {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.avrzr69e704b939436 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.avrzr69e704b939436 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.avrzr69e704b939436 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.avrzr69e704b939436 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.avrzr69e704b939436 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>Na an\u00e1lise do juiz, a negativa (ou melhor, a expressa recusa) do autor da a\u00e7\u00e3o foi sintom\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;O fanfarr\u00e3o n\u00e3o quer justi\u00e7a. Quer proteger o amigo Nino, pois sabe que, de fato, foi especificamente com ele que manteve v\u00ednculo (societ\u00e1rio, vale frisar), liame que jamais contou com qualquer participa\u00e7\u00e3o, m\u00ednima que seja, da reclamada.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o magistrado, j\u00e1 no in\u00edcio de seu depoimento, o fanfarr\u00e3o afirmou que &#8220;&#8216;o Sr. Nino n\u00e3o manteve qualquer interesse em abrir um neg\u00f3cio no local em que estava estabelecida a trattoria&#8217;. \u00d3bvio que a\u00ed se encontra a primeira e grande mentira do processo, pois, como mencionado, o pr\u00f3prio Nino se declarara como tal no boletim de ocorr\u00eancia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, testemunhas afirmaram que o neg\u00f3cio passou a ser tocado por Nino e pelo fanfarr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;A\u00ed est\u00e1, portanto, o fato determinante que leva \u00e0 improced\u00eancia total desta demanda: o fanfarr\u00e3o jamais foi empregado do reclamado (ou mesmo de Nino); ingressou como s\u00f3cio na empreitada; s\u00f3cio de Nino, que foi quem assumiu formalmente e de fato a propriedade do neg\u00f3cio.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Para o juiz, o fanfarr\u00e3o agia como verdadeiro dono do neg\u00f3cio (n\u00e3o mero gerente), tanto que n\u00e3o precisava pedir autoriza\u00e7\u00e3o para adquirir material ou mesmo para as diretrizes sobre o andamento da obra.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Ora: e por que a reclamada (e seu marido) acompanhavam de perto o neg\u00f3cio? Pelo simples fato de que, formalmente, ainda eram propriet\u00e1rios do estabelecimento, tanto que a pessoa jur\u00eddica ainda permanecia ativa.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Conforme entendeu o julgador, a reclamada limitou-se a participar da inaugura\u00e7\u00e3o, n\u00e3o mais aparecendo no local, que ficara sob a batuta do pr\u00f3prio fanfarr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Enfim: est\u00e1 bastante claro que: 1) (&#8230;), o fanfarr\u00e3o, n\u00e3o foi contratado, subordinado ou assalariado pela reclamada; 2) o fanfarr\u00e3o manteve v\u00ednculo societ\u00e1rio exclusivamente com Nino, a quem defende exaustivamente, n\u00e3o por acaso; e 3) se, formalmente, a reclamada continua \u00e0 frente do estabelecimento, de fato n\u00e3o participa do empreendimento h\u00e1 muito, precisamente desde maio de 2019, justamente por ocasi\u00e3o do fanfarr\u00e3o.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Assim, julgou os pedidos improcedentes e condenou o fanfarr\u00e3o ao pagamento de multa de R$ 10 mil, por m\u00e1-f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>O advogado H\u00e9rio Nagoshi atua na causa.<\/p>\n\n\n\n<ul><li>Processo:&nbsp;<a href=\"https:\/\/pje.trt2.jus.br\/consultaprocessual\/detalhe-processo\/1000175-45.2020.5.02.0373\/1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">1000175-45.2020.5.02.0373<\/a><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Leia a\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.migalhas.com.br\/arquivos\/2021\/3\/75be4b865f7746_decisao-vinculo-emprego-fanfar.pdf\" target=\"_blank\">decis\u00e3o<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Migalhas <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em decis\u00e3o dura e cheia de sarcasmo, o juiz do Trabalho Leonardo Aliaga Betti, de Mogi das Cruzes\/SP, chamou um trabalhador de &#8220;fanfarr\u00e3o&#8221; ao negar pedido de reconhecimento de v\u00ednculo de emprego. O magistrado considerou que o rapaz atuava como s\u00f3cio, e n\u00e3o como subordinado. (Imagem: Arte Migalhas) \u00c0 Justi\u00e7a, o reclamante afirmou que manteve<br \/><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2021\/03\/19\/juiz-da-bronca-ao-nao-reconhecer-vinculo-de-emprego-fanfarrao\/\">Mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":13607,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17502"}],"collection":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17502"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17502\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17503,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17502\/revisions\/17503"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13607"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17502"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17502"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17502"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}