{"id":16101,"date":"2021-01-20T14:16:16","date_gmt":"2021-01-20T17:16:16","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=16101"},"modified":"2021-01-20T13:20:26","modified_gmt":"2021-01-20T16:20:26","slug":"menor-e-absolvido-de-acusacao-de-estupro-com-base-na-lei-de-romeu-e-julieta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2021\/01\/20\/menor-e-absolvido-de-acusacao-de-estupro-com-base-na-lei-de-romeu-e-julieta\/","title":{"rendered":"Menor \u00e9 absolvido de acusa\u00e7\u00e3o de estupro com base na &#8220;Lei de Romeu e Julieta&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p>Adolescente que faz sexo com menor de 14 anos n\u00e3o comete ato infracional equiparado a estupro de vulner\u00e1vel, desde que a rela\u00e7\u00e3o tenha sido consensual, sem registro de viol\u00eancia e sem provocar traumas psicol\u00f3gicos. Nesse caso, em fun\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a&nbsp;de menos de cinco anos entre os envolvidos, cabe a aplica\u00e7\u00e3o da &#8220;exce\u00e7\u00e3o de Romeu e Julieta&#8221;, que relativiza a presun\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/img\/b\/namoro-adolescentes.jpeg\" alt=\"\"\/><figcaption><br><sup>Reprodu\u00e7\u00e3o<\/sup><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Com esse entendimento, a 8\u00aa C\u00e2mara C\u00edvel do Tribunal de Justi\u00e7a do Rio Grande do Sul reformou senten\u00e7a que aplicou medida socioeducativa a um adolescente denunciado por ato equivalente a estupro. Os desembargadores entenderam que, devido \u00e0s circunst\u00e2ncia, mostra-se &#8220;descabida e desnecess\u00e1ria&#8221;&nbsp;a imposi\u00e7\u00e3o de qualquer medida socioeducativa ao &#8220;representado&#8221;, por falta de necessidade pedag\u00f3gica a ser atendida em sede judicial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Medida socioeducativa<\/strong><br>O Minist\u00e9rio P\u00fablico estadual protocolou representa\u00e7\u00e3o contra o adolescente pela pr\u00e1tica de ato infracional equiparado ao delito previsto no artigo 217-A,&nbsp;<em>caput,<\/em>&nbsp;do C\u00f3digo Penal (CP) \u2014 fazer sexo com menor de 14 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Como resposta, o Juizado da Inf\u00e2ncia e Juventude da Comarca de Lavras do Sul (RS) julgou procedente a representa\u00e7\u00e3o e aplicou ao menor a medida socioeducativa de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os \u00e0 comunidade, pelo prazo de seis meses, \u00e0 raz\u00e3o de oito horas semanais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pouca diferen\u00e7a<\/strong><br>Em combate \u00e0 senten\u00e7a, a defesa do menor interp\u00f4s apela\u00e7\u00e3o no Tribunal de Justi\u00e7a. Em s\u00edntese, pediu que o caso fosse analisado com cautela, pois, embora o fato se enquadre formalmente na figura t\u00edpica de&nbsp;ato infracional equiparado a&nbsp;crime de estupro de vulner\u00e1vel, \u00e9 preciso&nbsp;considerar que o adolescente e a v\u00edtima t\u00eam pouca diferen\u00e7a de idade. Esse detalhe os coloca em situa\u00e7\u00e3o de proximidade em rela\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento f\u00edsico e psicol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>A defesa alegou que o adolescente, assim como a v\u00edtima, est\u00e1 descobrindo a sua sexualidade, defendendo a aplica\u00e7\u00e3o da chamada&nbsp;<em>Romeo and Juliet Law<\/em>&nbsp;(Lei de Romeu e Julieta). Argumentou, por fim, que o adolescente n\u00e3o pode ser responsabilizado apenas porque a m\u00e3e da v\u00edtima n\u00e3o aceita que ela tenha rela\u00e7\u00f5es sexuais com 12 anos. Pediu a improced\u00eancia da representa\u00e7\u00e3o ou, alternativamente, a aplica\u00e7\u00e3o de medida socioeducativa mais branda.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Troca de afeto<\/strong><br>O relator da apela\u00e7\u00e3o na Corte estadual, desembargador Rui Portanova, constatou que o menor n\u00e3o teve a vontade livre e deliberada de cometer um delito, ou seja, n\u00e3o agiu com dolo. Pelo contr\u00e1rio, a seu ver, tratou-se de uma verdadeira troca de afeto entre o casal.<\/p><div class=\"wanzb69f32520b34f6\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.wanzb69f32520b34f6 {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.wanzb69f32520b34f6 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.wanzb69f32520b34f6 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.wanzb69f32520b34f6 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.wanzb69f32520b34f6 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.wanzb69f32520b34f6 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"nduoz69f32520b34d7\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.nduoz69f32520b34d7 {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.nduoz69f32520b34d7 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.nduoz69f32520b34d7 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.nduoz69f32520b34d7 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.nduoz69f32520b34d7 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.nduoz69f32520b34d7 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>&#8220;Aqui, como no exemplo cl\u00e1ssico, tem-se que ambos vivenciaram uma fase de descoberta da sexualidade. Assim, a incrimina\u00e7\u00e3o fere, no m\u00ednimo, o bom senso. Por isso, poss\u00edvel pensar-se na aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da a\u00e7\u00e3o socialmente adequada, em face das peculiaridades pr\u00f3prias do costume e da forma com viviam as partes&#8221;, ponderou, julgando improcedente a representa\u00e7\u00e3o contra o menor.<\/p>\n\n\n\n<p>Em refor\u00e7o \u00e0 fundamenta\u00e7\u00e3o, Portanova adotou, como raz\u00f5es de decidir, o parecer da representante do Minist\u00e9rio P\u00fablico no colegiado, procuradora Synara Jacques Butelli G\u00f6elzer. Afinal, ressaltou no voto, o parecer &#8220;oferece solu\u00e7\u00e3o t\u00e3o adequada como coincidente com o entendimento deste relator&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Para G\u00f6elzer, em casos como esse a lei precisa se adequar \u00e0 realidade f\u00e1tica da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o se pode fechar os olhos para o fato de que os adolescentes, hoje em dia, iniciam a sua vida sexual cada vez mais cedo. E com a v\u00edtima e com o representado n\u00e3o foi diferente. Tanto \u00e9 verdade que ambos os adolescentes, em ju\u00edzo, informaram a exist\u00eancia de um relacionamento pr\u00e9vio, que teve in\u00edcio em 2018, contra a vontade da genitora da v\u00edtima, que n\u00e3o admite que a filha tenha rela\u00e7\u00f5es sexuais com essa idade&#8221;, afirmou a procuradora.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Clique\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/dl\/acordao-camara-civel-tj-rs-livra-menor.pdf\" target=\"_blank\">aqui<\/a>\u00a0para ler o ac\u00f3rd\u00e3o<br>70.084.660.364<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conjur<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adolescente que faz sexo com menor de 14 anos n\u00e3o comete ato infracional equiparado a estupro de vulner\u00e1vel, desde que a rela\u00e7\u00e3o tenha sido consensual, sem registro de viol\u00eancia e sem provocar traumas psicol\u00f3gicos. 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