{"id":14840,"date":"2020-11-25T14:01:38","date_gmt":"2020-11-25T17:01:38","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=14840"},"modified":"2020-11-25T13:07:48","modified_gmt":"2020-11-25T16:07:48","slug":"o-limite-do-ministerio-publico-na-colaboracao-premiada-por-fernanda-pereira-machado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2020\/11\/25\/o-limite-do-ministerio-publico-na-colaboracao-premiada-por-fernanda-pereira-machado\/","title":{"rendered":"O limite do Minist\u00e9rio P\u00fablico na colabora\u00e7\u00e3o premiada, por Fernanda Pereira Machado"},"content":{"rendered":"\n<p>A lei que regulamenta a colabora\u00e7\u00e3o premiada estabelece que o papel do Minist\u00e9rio P\u00fablico na realiza\u00e7\u00e3o do acordo de colabora\u00e7\u00e3o se inicia com o recebimento da proposta para formaliza\u00e7\u00e3o de acordo de colabora\u00e7\u00e3o e termina com formaliza\u00e7\u00e3o do acordo com o investi\u2013gado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"936\" height=\"625\" src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Procurador-Municipal.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3265\" srcset=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Procurador-Municipal.jpg 936w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Procurador-Municipal-300x200.jpg 300w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Procurador-Municipal-768x513.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 936px) 100vw, 936px\" \/><figcaption>Ilustrativa<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a assinatura do acordo de colabora\u00e7\u00e3o, o Minist\u00e9rio P\u00fablico tem o dever de peticionar em ju\u00edzo requerendo a homologa\u00e7\u00e3o do acordo de colabora\u00e7\u00e3o pelo juiz competente, anexando aos autos para an\u00e1lise o respectivo termo, as declara\u00e7\u00f5es do colaborador e c\u00f3pia da investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A participa\u00e7\u00e3o do juiz no acordo de colabora\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o somente a fase da homologa\u00e7\u00e3o do acordo, onde dever\u00e1 verificar a legalidade, a regularidade do acordo de colabora\u00e7\u00e3o e a voluntariedade do colaborador ao celebrar o acordo.<\/p>\n\n\n\n<p>O momento em que o juiz deve verificar a regularidade e legalidade, adequa\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios pactuados, adequa\u00e7\u00e3o dos resultados da colabora\u00e7\u00e3o, e a voluntariedade da manifesta\u00e7\u00e3o de vontade \u00e9 na audi\u00eancia em que ouvir\u00e1 sigilosamente o colaborador, antes da homologa\u00e7\u00e3o do acordo celebrado entre o investigado e o&nbsp;<em>Parquet.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O \u00a7 7\u00ba da&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2013\/lei\/l12850.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lei 12.850\/2013<\/a>&nbsp;estabelece que o juiz deve ouvir sigilosamente o colaborador, acompanhado de seu defensor, onde verificar\u00e1 os aspectos legais do acordo e a manifesta\u00e7\u00e3o de vontade do colaborador, podendo se recusar a homologar a proposta se n\u00e3o atender os requisitos legais, devolvendo-a \u00e0s partes para adequa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa previs\u00e3o legal busca, acima de tudo, garantir que o colaborador n\u00e3o foi coagido, seja com amea\u00e7as&nbsp;<em>Lawfare<\/em>, contra si e familiares, seja com as j\u00e1 fartamente documentadas intermin\u00e1veis pris\u00f5es preventivas, a aceitar os termos de um acordo imposto pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 narrativa, \u00e0s penas corporais.<\/p>\n\n\n\n<p>Nosso Ordenamento Penal estabelece que a confiss\u00e3o obtida em sede de inqu\u00e9rito ou investiga\u00e7\u00e3o seja confirmada em ju\u00edzo, se n\u00e3o \u00e9 imprest\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>O colaborador confessa n\u00e3o apenas os fatos que participou, mas todos os que tomou conhecimento. \u00c9 portanto, ao mesmo tempo r\u00e9u confesso, informante e testemunha, devendo seu acordo ser objeto de profunda e criteriosa an\u00e1lise pelo Ju\u00edzo quanto a voluntariedade da manifesta\u00e7\u00e3o da vontade, sob o imenso e nefasto risco de que um acordo imposto sob coa\u00e7\u00e3o leve a X n\u00fameros de \u201ca\u00e7\u00f5es penais dirigidas e manipuladas\u201d pelo \u00f3rg\u00e3o de persecu\u00e7\u00e3o penal ou autoridade policial.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que existem colabora\u00e7\u00f5es que est\u00e3o sendo homologadas com a participa\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico, ato que \u00e9 exclusivo do juiz. Explica-se:<\/p>\n\n\n\n<p>O juiz tem convocado o Minist\u00e9rio P\u00fablico e o pretenso colaborador, que dever\u00e1 estar acompanhado de seu advogado, para a audi\u00eancia sigilosa entre o juiz e o colaborador, prevista no 7\u00a7 do art. 4\u00ba, da Lei 12.850\/2013, onde se verifica a legalidade do acordo celebrado e a manifesta\u00e7\u00e3o da vontade e voluntariedade do colaborador. Sendo inadmiss\u00edvel que o \u00f3rg\u00e3o de persecu\u00e7\u00e3o penal esteja presente justamente quando se verifica os aspectos legais do acordo.<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a do Minist\u00e9rio P\u00fablico ou da autoridade policial nessa audi\u00eancia antes da homologa\u00e7\u00e3o do acordo torna o acordo homologado, salvo melhor entendimento, nulo.<\/p><div class=\"utjbx69e1485139280\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.utjbx69e1485139280 {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.utjbx69e1485139280 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.utjbx69e1485139280 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.utjbx69e1485139280 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.utjbx69e1485139280 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.utjbx69e1485139280 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"ajdxs69e148513926a\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.ajdxs69e148513926a {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.ajdxs69e148513926a {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.ajdxs69e148513926a {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.ajdxs69e148513926a {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.ajdxs69e148513926a {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.ajdxs69e148513926a {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>A lei \u00e9 clara quanto ao sigilo, e quem dever\u00e1 estar presente na audi\u00eancia, vejamos: \u201cD<em>evendo o juiz ouvir sigilosamente o colaborador, acompanhado de seu defensor, oportunidade em que analisar\u00e1 os seguintes aspectos na homologa\u00e7\u00e3o: regularidade e legalidade, adequa\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios, adequa\u00e7\u00e3o dos resultados, e voluntariedade da manifesta\u00e7\u00e3o de vontade, especialmente nos casos em que o colaborador est\u00e1 ou esteve sob efeito de medidas cautelares<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A lei \u00e9 precisa ao dispor \u201c<em>especialmente nos casos em que o colaborador est\u00e1 ou esteve sob efeito de medidas cautelares\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao, na \u00fanica oportunidade prevista na lei para manifestar ao Ju\u00edzo sua narrativa sobre como foi conduzido o acordo de colabora\u00e7\u00e3o, o colaborador se v\u00ea frente ao \u201cagente da coa\u00e7\u00e3o ou tortura\u201d, convocado pelo ju\u00edzo, ficando claro a ele o alinhamento entre o magistrado e \u00f3rg\u00e3o de persecu\u00e7\u00e3o penal, inibindo qualquer manifesta\u00e7\u00e3o sobre a legalidade ou coa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente uma colabora\u00e7\u00e3o premiada ganhou repercuss\u00e3o nacional devido aos&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.poder360.com.br\/justica\/em-depoimento-procuradores-induzem-delator-a-mudar-versao-sobre-contratos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">v\u00eddeos vazados pela imprensa<\/a>, em que mostra o colaborador sendo dirigido pelo&nbsp;<em>Parquet,&nbsp;<\/em>sendo que em muitos momentos \u00e9 a procuradora que explica ao colaborador o que ele<em>&nbsp;\u201cquis dizer\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Neste caso espec\u00edfico, a audi\u00eancia sigilosa entre o juiz e o colaborador, acompanhado de seu advogado, contou com a participa\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, e na mesma assentada o juiz proferiu a decis\u00e3o que homologou o acordo de colabora\u00e7\u00e3o premiada.<\/p>\n\n\n\n<p>Dito isto, questiona-se a legalidade da colabora\u00e7\u00e3o premiada em que o&nbsp;<em>Parquet<\/em>&nbsp;participa da audi\u00eancia, em que se verifica os aspectos legais do acordo e a voluntariedade do colaborador, sem que haja previs\u00e3o legal da sua participa\u00e7\u00e3o. E al\u00e9m disso, questiona-se a presen\u00e7a do&nbsp;<em>Parquet&nbsp;<\/em>ao lado do juiz na homologa\u00e7\u00e3o da colabora\u00e7\u00e3o, haja vista a homologa\u00e7\u00e3o do acordo foi proferida em audi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A homologa\u00e7\u00e3o do acordo sem pr\u00e9via audi\u00eancia do juiz com o colaborador, ainda que a princ\u00edpio menos gravosa que a discutida em comento, projeta nos colaboradores a vis\u00e3o que o juiz n\u00e3o se interessa em escut\u00e1-lo porque est\u00e1 de forma concreta pendendo a balan\u00e7a de forma desequilibrada em dire\u00e7\u00e3o ao \u00f3rg\u00e3o de persecu\u00e7\u00e3o penal. Ao colaborador apenas resta aceitar o que lhe \u00e9 imposto, mesmo que n\u00e3o represente a express\u00e3o da verdade ou a exata manifesta\u00e7\u00e3o de sua vontade.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, ju\u00edzes que de forma constante homologaram acordos sem ouvir o colaborador, entregam de forma consciente ou n\u00e3o ao MPF uma ferramenta para impor acordos fort\u00edssima, um recado claro que n\u00e3o se preocupe com os meios, mas apenas com o fim.<\/p>\n\n\n\n<p>O colaborador que n\u00e3o tem seu direito de ser ouvido pelo Ju\u00edzo, ou o tem na irregular presen\u00e7a do MPF ou autoridade policial, quando na homologa\u00e7\u00e3o de seu acordo, foi tolhido de prote\u00e7\u00e3o penal e processual penal, que prevista em lei, e pior, a outros colaboradores em outros ju\u00edzos ou pelo pr\u00f3prio que n\u00e3o o quis ouvi-lo, em clara e ilegal\u00a0 caso de aplica\u00e7\u00e3o do Direito Penal do Inimigo, sendo portanto nulo o acordo.<\/p>\n\n\n\n<p>Poder 360<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A lei que regulamenta a colabora\u00e7\u00e3o premiada estabelece que o papel do Minist\u00e9rio P\u00fablico na realiza\u00e7\u00e3o do acordo de colabora\u00e7\u00e3o se inicia com o recebimento da proposta para formaliza\u00e7\u00e3o de acordo de colabora\u00e7\u00e3o e termina com formaliza\u00e7\u00e3o do acordo com o investi\u2013gado. 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