{"id":13371,"date":"2020-09-28T16:06:02","date_gmt":"2020-09-28T19:06:02","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=13371"},"modified":"2020-09-28T16:14:27","modified_gmt":"2020-09-28T19:14:27","slug":"aplica-se-o-principio-da-insignificancia-aos-atos-de-improbidade-administrativa-qual-a-posicao-mais-recente-do-stj-acerca-do-tema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2020\/09\/28\/aplica-se-o-principio-da-insignificancia-aos-atos-de-improbidade-administrativa-qual-a-posicao-mais-recente-do-stj-acerca-do-tema\/","title":{"rendered":"Aplica-se o princ\u00edpio da insignific\u00e2ncia aos atos de improbidade administrativa? Qual a posi\u00e7\u00e3o mais recente do STJ acerca do tema?"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Rodrigo Leite | Telegram: <\/strong><a href=\"https:\/\/t.me\/pilulasjuridicasSTFSTJ\"><strong>https:\/\/t.me\/pilulasjuridicasSTFSTJ<\/strong><\/a><br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" width=\"275\" height=\"183\" src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/download-4.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13372\"\/><figcaption>Ilustrativa<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Estamos diante de tema divergente na jurisprud\u00eancia e tamb\u00e9m na doutrina e que, possivelmente, ter\u00e1 repercuss\u00e3o do novo art. 17, \u00a7 1\u00ba, do Lei n. 8429\/1992 (artigo com reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n. 13.964\/2019 \u2013 Pacote Anticrime), que prev\u00ea que <em>\u201cas a\u00e7\u00f5es de que trata este artigo admitem a celebra\u00e7\u00e3o de acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o c\u00edvel, nos termos desta Lei.\u201d <\/em>A aplica\u00e7\u00e3o desse dispositivo (limites e poss\u00edvel aplica\u00e7\u00e3o dos contornos do art. 28-A do CPP) ser\u00e1 objeto de outra publica\u00e7\u00e3o. Aqui, por ora, lidaremos apenas quanto \u00e0 <strong>(in)aplicabilidade da insignific\u00e2ncia nas a\u00e7\u00f5es de improbidade.<\/strong>&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p>Quem defende a inaplicabilidade alega, em linhas gerais, que o bem jur\u00eddico tutelado (Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica) \u00e9 indispon\u00edvel e n\u00e3o comporta mitiga\u00e7\u00f5es. Seguindo esse racioc\u00ednio, o STJ editou, na \u00e1rea penal, a <strong>S\u00famula 599<\/strong>: \u201co princ\u00edpio da insignific\u00e2ncia \u00e9 inaplic\u00e1vel aos crimes contra a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica.\u201d Assim, <strong>a ess\u00eancia desse enunciado seria aplicada \u00e0s a\u00e7\u00f5es de improbidade<\/strong>.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Diz-se tamb\u00e9m que os princ\u00edpios administrativos n\u00e3o se sujeitam a \u201cquebrantamentos\u201d.<\/strong> Ou se fere a moralidade, impessoalidade por inteiro, por exemplo, ou n\u00e3o. N\u00e3o existiria ofensa pela metade ou em parte \u2013 nesse sentido \u00e9 o emblem\u00e1tico voto do <strong>Ministro Herman Benjamin<\/strong> no <strong>REsp 892.818\/RS, julgado em 11\/11\/2008<\/strong>. Na ocasi\u00e3o o STJ entendeu que:<br><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cComo o seu pr\u00f3prio nomen iuris indica, a Lei 8.429\/92 tem na moralidade administrativa o bem jur\u00eddico protegido por excel\u00eancia, valor abstrato e intang\u00edvel, nem sempre reduzido ou reduz\u00edvel \u00e0 moeda corrente. A conduta \u00edmproba n\u00e3o \u00e9 apenas aquela que causa dano financeiro ao Er\u00e1rio. Se assim fosse, a Lei da Improbidade Administrativa se resumiria ao art. 10, emparedados e esvaziados de sentido, por essa \u00f3tica, os arts. 9 e 11. Logo, sobretudo no campo dos princ\u00edpios administrativos, n\u00e3o h\u00e1 como aplicar a lei com calculadora na m\u00e3o, tudo expressando, ou querendo expressar, na forma de reais e centavos.\u201d<br><\/p>\n\n\n\n<p>Quem defende a aplica\u00e7\u00e3o, alega que o princ\u00edpio da insignific\u00e2ncia pode incidir <strong>a depender do caso concreto<\/strong> ou sobre qualquer bem jur\u00eddico (a an\u00e1lise \u00e9 casu\u00edstica, como se disse).<br><\/p><div class=\"efggh69df8198aaa96\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.efggh69df8198aaa96 {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.efggh69df8198aaa96 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.efggh69df8198aaa96 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.efggh69df8198aaa96 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.efggh69df8198aaa96 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.efggh69df8198aaa96 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"ikoag69df8198aaa75\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.ikoag69df8198aaa75 {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.ikoag69df8198aaa75 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.ikoag69df8198aaa75 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.ikoag69df8198aaa75 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.ikoag69df8198aaa75 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.ikoag69df8198aaa75 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito do STJ, h\u00e1 decis\u00f5es admitindo (<strong>REsp 1.536.895\/RJ<\/strong>, Primeira Turma, Rel. Min. Napole\u00e3o Nunes, julgado em 15\/12\/2015: caso envolvendo a contribui\u00e7\u00e3o do Munic\u00edpio do Rio de Janeiro para constru\u00e7\u00e3o de uma pequena igreja dedicada \u00e0 devo\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Jorge, na periferia da Cidade do Rio de Janeiro, no valor de R$ 150.000,00) e <strong>AgRg no REsp 968447\/PR<\/strong>, Primeira Turma, Rel. Min. Napole\u00e3o Nunes, julgado em 16\/04\/2015: caso que envolvia a conduta de Prefeito que \u201cdeixou de fornecer certid\u00e3o e outros documentos requeridos por cidad\u00e3o\u201d, <strong>mas a maior parte das decis\u00f5es n\u00e3o admite a aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio.<\/strong>&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o foi aplicado o princ\u00edpio da insignific\u00e2ncia no <strong>MS 15.917\/DF<\/strong>, Rel. Min. Castro Meira, Primeira Se\u00e7\u00e3o, julgado em 23\/05\/2012: caso envolvendo advogado da Uni\u00e3o que requerera, por v\u00e1rias vezes, progress\u00e3o na carreira com base em documentos falsos.<br><\/p>\n\n\n\n<p>No <strong>REsp 1.512.654\/SP<\/strong>, Rel. Min. Napole\u00e3o Nunes Maia Filho, Rel. p\/ Ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Benedito Gon\u00e7alves, Primeira Turma, julgado em 30\/11\/2017, caso que envolvia a \u201ccomercializa\u00e7\u00e3o de produtos em estabelecimento p\u00fablico sem o devido procedimento licitat\u00f3rio\u201d, e o STJ considerou que houve desrespeito aos princ\u00edpios da impessoalidade, da moralidade e da legalidade e, novamente, <strong>n\u00e3o aplicou o princ\u00edpio da insignific\u00e2ncia aos atos de improbidade.&nbsp;<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<p>Num processo que debatia i) irregularidades&nbsp; nos processos de concess\u00e3o de aux\u00edlio financeiro&nbsp; no&nbsp; valor&nbsp; de&nbsp; R$&nbsp; 27.000,00;&nbsp; ii) realiza\u00e7\u00e3o&nbsp; de&nbsp; eventos&nbsp; sem comprova\u00e7\u00e3o &nbsp; da &nbsp; utiliza\u00e7\u00e3o &nbsp; do&nbsp; referido &nbsp; aux\u00edlio&nbsp; financeiro; iii) apropria\u00e7\u00e3o&nbsp; de&nbsp; um&nbsp; aparelho&nbsp; de&nbsp; telefonia&nbsp; m\u00f3vel IPhone e iv) recebimento&nbsp; irregular&nbsp; de&nbsp; di\u00e1rias &#8211; <strong>MS 21.715\/DF<\/strong>, Rel. Min. Herman Benjamin, Primeira Se\u00e7\u00e3o, julgado em 23\/11\/2016, DJe 02\/02\/2017), <strong>o princ\u00edpio tamb\u00e9m n\u00e3o foi aplicado.<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, tamb\u00e9m n\u00e3o se aplicou o princ\u00edpio em caso envolvendo candidato a prefeito que utilizou do cargo p\u00fablico para impulsar a campanha de reelei\u00e7\u00e3o. Considerou-se que se estava diante de ato \u00edmprobo de elevada gravidade, sendo invi\u00e1vel a aplica\u00e7\u00e3o do referido princ\u00edpio. Para o STJ, n\u00e3o h\u00e1 absolutamente nada de insignificante na conduta n\u00e3o republicana consistente em utilizar recursos p\u00fablicos para fins de proje\u00e7\u00e3o pessoal, de sorte que a prote\u00e7\u00e3o do bem jur\u00eddico violado justifica a incid\u00eancia das regras da Lei n. 8.429\/92 \u2013 ver <strong>AgInt no REsp 1774729\/MG<\/strong>, Rel. Min. Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, julgado em 10\/12\/2019.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Percebe-se, pois, que apesar de haver duas decis\u00f5es admitindo (ambas da Primeira Turma e do ano de 2015), <strong>a posi\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria e mais recente do STJ<\/strong> \u2013 int\u00e9rprete da Lei n. 8.429\/92 \u2013 <strong>\u00e9 n\u00e3o admitir a aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da insignific\u00e2ncia no \u00e2mbito das a\u00e7\u00f5es de improbidade administrativa<\/strong>.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rodrigo Leite | Telegram: https:\/\/t.me\/pilulasjuridicasSTFSTJ Estamos diante de tema divergente na jurisprud\u00eancia e tamb\u00e9m na doutrina e que, possivelmente, ter\u00e1 repercuss\u00e3o do novo art. 17, \u00a7 1\u00ba, do Lei n. 8429\/1992 (artigo com reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n. 13.964\/2019 \u2013 Pacote Anticrime), que prev\u00ea que \u201cas a\u00e7\u00f5es de que trata este artigo admitem a celebra\u00e7\u00e3o<br \/><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2020\/09\/28\/aplica-se-o-principio-da-insignificancia-aos-atos-de-improbidade-administrativa-qual-a-posicao-mais-recente-do-stj-acerca-do-tema\/\">Mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":13372,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13371"}],"collection":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13371"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13371\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13373,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13371\/revisions\/13373"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13372"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13371"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13371"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13371"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}