{"id":11926,"date":"2020-07-31T18:00:58","date_gmt":"2020-07-31T21:00:58","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=11926"},"modified":"2020-08-03T10:51:56","modified_gmt":"2020-08-03T13:51:56","slug":"o-direito-e-a-amizade-repercussoes-parte-02","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2020\/07\/31\/o-direito-e-a-amizade-repercussoes-parte-02\/","title":{"rendered":"O Direito e a amizade: repercuss\u00f5es \u2013 parte 02"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" width=\"460\" height=\"300\" src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Banner-site-Acordo-Sococo.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6321\" srcset=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Banner-site-Acordo-Sococo.jpg 460w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Banner-site-Acordo-Sococo-300x196.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 460px) 100vw, 460px\" \/><figcaption>Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Por Rodrigo Leite&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Link da live de ontem (conseguimos, eu e o grande Prof. Luiz Dellore (@luizdellore),&nbsp; abordar 5 das 13 diverg\u00eancias que listamos):&nbsp;<a>https:\/\/bit.ly\/3felgwx<\/a>&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na primeira parte, abordamos os reflexos da amizade nas rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas, com \u00eanfase no Processo Civil. Listamos alguns precedentes do STJ nos quais a Corte analisou a exist\u00eancia ou a aus\u00eancia da suspei\u00e7\u00e3o \u2013 link da parte 01:&nbsp;<a>https:\/\/bit.ly\/30KA94s<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O juiz suspeito tem o dever de abster-se do julgamento da causa. Verificando-se quaisquer hip\u00f3teses de suspei\u00e7\u00e3o, est\u00e1 o \u00f3rg\u00e3o proibido de participar do processo. Os motivos de suspei\u00e7\u00e3o s\u00e3o de \u00edndole pessoal, no sentido de que afastam a pessoa f\u00edsica do juiz do julgamento da causa, n\u00e3o tendo o cond\u00e3o de deslocar a compet\u00eancia para outro \u00f3rg\u00e3o jurisdicional. Reconhecida a suspei\u00e7\u00e3o do magistrado, nulos s\u00e3o os atos decis\u00f3rio por ele praticados em face da suspei\u00e7\u00e3o \u2013 nesse sentido: MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, S\u00e9rgio Cruz; MITIDIERO, Daniel.&nbsp;<strong>C\u00f3digo de Processo Civil Comentado<\/strong>. S\u00e3o Paulo: RT, 2016, p. 279.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo\u00a0<strong>Alexandre Freire e Thiago Rodovalho<\/strong>\u00a0(<em>Coment\u00e1rios&#8230;<\/em>2016, p. 224) \u201ca suspei\u00e7\u00e3o difere em grau de relev\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o ao impedimento. Enquanto este \u00e9 verdadeiro pressuposto processual negativo, de modo que n\u00e3o se sana com o decurso do tempo, a suspei\u00e7\u00e3o se traduz em hip\u00f3tese que potencialmente podem p\u00f4r em xeque a imparcialidade do juiz. Trata-se, assim, de nulidade relativa. Sujeita-se, portanto, \u00e0 preclus\u00e3o de sorte que, n\u00e3o sendo alegada\u00a0<em>oportuno tempore<\/em>\u00a0(no prazo de 15 dias, a contar da ci\u00eancia do fato, conforme estabelece o art. 146 do CPC\/15), n\u00e3o mas poder\u00e1 faz\u00ea-lo a parte interessada\u201d\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, a suspei\u00e7\u00e3o deve ser alegada e comprovada pelas partes na primeira oportunidade, sob pena de preclus\u00e3o \u2013 vide art. 146 do CPC. N\u00e3o h\u00e1, por \u00f3bvio, preclus\u00e3o para o juiz quanto ao reconhecimento da sua pr\u00f3pria suspei\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;O juiz n\u00e3o s\u00f3 pode como deve reconhecer sua suspei\u00e7\u00e3o. Essa atua\u00e7\u00e3o que decorre do dever de lealdade \u00e9 evidente, pois \u201ca imparcialidade do magistrado \u00e9 de \u00edndole pessoal e constitui pilar do princ\u00edpio do juiz natural\u201d (<strong>REsp 731.766\/RJ<\/strong>, DJ 10\/10\/2005). Para o Superior, asuspei\u00e7\u00e3o&nbsp;alija o juiz de seu mister jurisdicional, abrangendo mat\u00e9ria de ordem moral de alta relev\u00e2ncia a consubstanciar incredulidade acerca da pr\u00f3pria dignidade do Poder Judici\u00e1rio (<strong>RESp 582.692\/SP<\/strong>, j.<strong>20\/55\/2010).&nbsp;<\/strong>&nbsp;<\/p><div class=\"goyqf69e1d32fbf1e6\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.goyqf69e1d32fbf1e6 {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.goyqf69e1d32fbf1e6 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.goyqf69e1d32fbf1e6 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.goyqf69e1d32fbf1e6 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.goyqf69e1d32fbf1e6 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.goyqf69e1d32fbf1e6 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"bocbk69e1d32fbf1d1\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.bocbk69e1d32fbf1d1 {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.bocbk69e1d32fbf1d1 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.bocbk69e1d32fbf1d1 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.bocbk69e1d32fbf1d1 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.bocbk69e1d32fbf1d1 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.bocbk69e1d32fbf1d1 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito c\u00edvel, o STJ decidiu que \u201cas hip\u00f3teses de suspei\u00e7\u00e3o s\u00e3o taxativas e devem ser interpretadas restritivamente\u201d (<strong>REsp 1783015\/AM<\/strong>, Terceira Turma, DJe 18\/05\/2020). Ao examinar o art. 254, I, do CPP (que possui reda\u00e7\u00e3o essencialmente parecida com a do CPC, sobretudo com o CPC\/73), todavia, o Tribunal entendeu que \u201cas causas de suspei\u00e7\u00e3o elencadas no artigo 254 do CPP s\u00e3o meramente exemplificativas\u201d (<strong>REsp 1379140\/SC<\/strong>, DJe 03\/09\/2013 e&nbsp;<strong>AgRg no AREsp 1053034\/DF<\/strong>, Quinta Turma, DJe 27\/10\/2017).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entendo que a posi\u00e7\u00e3o mais correta \u00e9 a que considera que as hip\u00f3teses de suspei\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o taxativas, pois o legislador estabeleceu conceitos abertos, com grande margem de subjetividade (ver, por exemplo, h\u00e1 suspei\u00e7\u00e3o do juiz \u201cinteressado no julgamento do processo em favor de qualquer das partes\u201d),&nbsp;dando azo para que as hip\u00f3teses de suspei\u00e7\u00e3o sejam aferidas em cada caso concreto e n\u00e3o abstratamente.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m no Processo Civil, o&nbsp;<strong>art. 447<\/strong>&nbsp;revela que todas as pessoas podem depor como testemunhas, exceto as incapazes, impedidas ou suspeitas. O \u00a7 3\u00ba do C\u00f3digo&nbsp;<strong>considera que s\u00e3o&nbsp;<\/strong><strong>suspeitos<\/strong>&nbsp;\u201co inimigo da parte ou o seu&nbsp;<strong>amigo \u00edntimo<\/strong>\u201d.&nbsp;At\u00e9 \u00e9 poss\u00edvel o juiz admitir o depoimento das testemunhas menores, impedidas ou suspeitas, mas tais depoimentos&nbsp;s\u00e3o prestados independentemente de compromisso, e o juiz lhes atribuir\u00e1 o valor que possam merecer. Em disposi\u00e7\u00e3o semelhante, o&nbsp;<strong>C\u00f3digo Civil<\/strong>&nbsp;prev\u00ea no&nbsp;<strong>art. 228, IV<\/strong>, que n\u00e3o&nbsp;podem ser admitidos como testemunhas \u201co interessado no lit\u00edgio,&nbsp;<strong>o amigo \u00edntimo<\/strong>&nbsp;ou o inimigo capital das partes.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Veda-se \u00e0quele que seja amigo \u00edntimo ou inimigo de uma das partes deponha. A disposi\u00e7\u00e3o tem uma raz\u00e3o \u00f3bvia: aquele muito pr\u00f3ximo ou amigo de uma das partes certamente ter\u00e1 o depoimento comprometido pela rela\u00e7\u00e3o amistosa ou afetuosa que possui com a parte. Poder\u00e1 n\u00e3o revelar a verdade em virtude dos la\u00e7os afetivos que possui ou poder\u00e1 enaltecer a parte da qual \u00e9 amiga. O inimigo, ao rev\u00e9s, poderia agravar, mentir, omitir ou prejudicar a parte com seu depoimento em virtude das rusgas ou da animosidade com a parte.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na terceira e \u00faltima parte examinaremos a repercuss\u00e3o da amizade no&nbsp;<strong>contrato de transporte<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>no C\u00f3digo de Processo Penal<\/strong>.&nbsp;<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Rodrigo Leite&nbsp; Link da live de ontem (conseguimos, eu e o grande Prof. Luiz Dellore (@luizdellore),&nbsp; abordar 5 das 13 diverg\u00eancias que listamos):&nbsp;https:\/\/bit.ly\/3felgwx&nbsp; Na primeira parte, abordamos os reflexos da amizade nas rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas, com \u00eanfase no Processo Civil. 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