{"id":11316,"date":"2020-07-10T15:31:50","date_gmt":"2020-07-10T18:31:50","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=11316"},"modified":"2020-07-10T16:11:22","modified_gmt":"2020-07-10T19:11:22","slug":"art-1-228-paragrafos-4o-e-5o-do-codigo-civil-usucapiao-desapropriacao-privada-ou-desapropriacao-judicial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2020\/07\/10\/art-1-228-paragrafos-4o-e-5o-do-codigo-civil-usucapiao-desapropriacao-privada-ou-desapropriacao-judicial\/","title":{"rendered":"Art. 1.228, par\u00e1grafos 4\u00ba e 5\u00ba do C\u00f3digo Civil: usucapi\u00e3o, desapropria\u00e7\u00e3o privada ou desapropria\u00e7\u00e3o judicial?"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"538\" src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/X-casos-em-que-o-juiz-pode-anular-o-arremate-em-um-leilao-de-imoveis-1-1024x538.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5395\" srcset=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/X-casos-em-que-o-juiz-pode-anular-o-arremate-em-um-leilao-de-imoveis-1-1024x538.png 1024w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/X-casos-em-que-o-juiz-pode-anular-o-arremate-em-um-leilao-de-imoveis-1-300x158.png 300w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/X-casos-em-que-o-juiz-pode-anular-o-arremate-em-um-leilao-de-imoveis-1-768x403.png 768w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/X-casos-em-que-o-juiz-pode-anular-o-arremate-em-um-leilao-de-imoveis-1.png 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Ilustrativa<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Por Rodrigo Leite |&nbsp;Telegram<\/strong>:<strong>&nbsp;<\/strong><a><strong>https:\/\/t.me\/pilulasjuridicasSTFSTJ<\/strong><\/a><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O art. 1228 do C\u00f3digo Civil come\u00e7a por listar os direitos do propriet\u00e1rio e nos par\u00e1grafos traz restri\u00e7\u00f5es a esse direito. No \u00a7 4\u00ba enuncia que \u201co propriet\u00e1rio tamb\u00e9m pode ser privado da coisa se o im\u00f3vel reivindicado consistir em extensa \u00e1rea, na posse ininterrupta e de boa-f\u00e9, por mais de cinco anos, de consider\u00e1vel n\u00famero de pessoas, e estas nela houverem realizado, em conjunto ou separadamente, obras e servi\u00e7os considerados pelo juiz de interesse social e econ\u00f4mico relevante.\u201d No par\u00e1grafo seguinte, em remiss\u00e3o ao 4\u00ba, prev\u00ea que&nbsp;<em>\u201cno caso do par\u00e1grafo antecedente, o juiz fixar\u00e1 a justa indeniza\u00e7\u00e3o devida ao propriet\u00e1rio; pago o pre\u00e7o, valer\u00e1 a senten\u00e7a como t\u00edtulo para o registro do im\u00f3vel em nome dos possuidores.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No passado, a doutrina controvertia se o art. 1.228, \u00a7\u00a7 4\u00ba e 5\u00ba, do C\u00f3digo Civil seria constitucional. Vozes de peso defendiam sua inconstitucionalidade \u2013 vide<strong>&nbsp;Caio M\u00e1rio da Silva Pereira&nbsp;<\/strong>e&nbsp;<strong>Carlos Alberto Maluf<\/strong>. O Enunciado 82 das Jornadas de Direito Civil promovidas pelo CJF considera que&nbsp;<em>\u201c\u00e9 constitucional a modalidade aquisitiva de propriedade im\u00f3vel prevista nos \u00a7\u00a7 4\u00ba e 5\u00ba do art. 1.228 do novo C\u00f3digo Civil.\u201d<\/em>&nbsp;Quanto a esse aspecto n\u00e3o h\u00e1, atualmente, maiores discuss\u00f5es. O art. 1228, \u00a7\u00a7 4\u00ba e 5\u00ba, do C\u00f3digo Civil, n\u00e3o traz ofensa ao direito de propriedade, pois \u00e9 uma, entre as diversas formas selecionadas pelo ordenamento, em que o propriet\u00e1rio pode perder seu bem.<\/p>\n\n\n\n<p>O embate ainda existente est\u00e1 em saber qual a natureza do instituto ou como ele deve ser chamado: se se seria uma usucapi\u00e3o ou se uma desapropria\u00e7\u00e3o. Registram&nbsp;<strong>Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho<\/strong>&nbsp;(2019, p. 1080) que se trata de instituto jur\u00eddico muito peculiar, e que, se analisado com bastante aten\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 causar-nos uma sensa\u00e7\u00e3o de desconforto, provocada por contundentes indaga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Para&nbsp;<strong>Francisco Eduardo Loureiro<\/strong>&nbsp;(2016, p. 1136) \u201cn\u00e3o h\u00e1, na verdade, desapropria\u00e7\u00e3o, nem indeniza\u00e7\u00e3o a ser paga pelo Poder P\u00fablico.\u201d Para&nbsp;<strong>Eduardo Cambi<\/strong>&nbsp;(2000, p. 38) e o saudoso&nbsp;<strong>Teori Zavascki<\/strong>&nbsp;(2002, p. 843) o instituto \u00e9 uma usucapi\u00e3o.&nbsp;<strong>Rafael Maffini<\/strong>&nbsp;revela que quer parecer que j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel concluir que o instituto previsto no art. 1.228, \u00a7 4\u00ba e 5\u00ba, n\u00e3o pode ser considerado uma esp\u00e9cie de desapropria\u00e7\u00e3o, por falta de qualifica\u00e7\u00e3o constitucional e por ter caracter\u00edsticas bastante diversas da desapropria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Predomina, por\u00e9m, que estamos diante de uma desapropria\u00e7\u00e3o (<em>sui generis<\/em>, eu diria).<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado,&nbsp;<strong>Fl\u00e1vio Tartuce<\/strong>&nbsp;(2020, p. 884) defende que n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que o instituto previsto no art. 1.228, \u00a7\u00a7 4\u00ba e 5\u00ba constitui uma modalidade de desapropria\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de usucapi\u00e3o, como pretende parcela respeit\u00e1vel da doutrina, \u201cisso porque o \u00a7 5\u00ba do art. 1.228 do CC\/2002 determina o pagamento de uma \u2018justa indeniza\u00e7\u00e3o\u2019, n\u00e3o admitindo o nosso sistema a usucapi\u00e3o onerosa.\u201d Segundo Tartuce, o art. 1.228, \u00a7\u00a7 4\u00ba e 5\u00ba, do C\u00f3digo Civil consagra a terminologia \u201c<strong>desapropria\u00e7\u00e3o judicial privada por posse-trabalho<\/strong>, que deve ser considerada a melhor a ser empregada, pois de uso pelo criador do instituto\u201d, o jurista<strong>&nbsp;Miguel Reale<\/strong>&nbsp;para designar essa categoria.&nbsp;<strong>Hayanna Bussoletti Neves<\/strong>&nbsp;entende ser uma desapropria\u00e7\u00e3o judicial privada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nelson Rosenvald e Felipe Braga Netto<\/strong>&nbsp;(2020, p. 1167) denominam de \u201cdesapropria\u00e7\u00e3o judicial indireta.\u201d&nbsp;<strong>Christiano Cassettari<\/strong>&nbsp;(2019, p. 466) considera que \u201cem face da possibilidade atribu\u00edda por lei ao Judici\u00e1rio de desapropria\u00e7\u00e3o, entendo que o referido instituto deve ser chamado de&nbsp;<strong>desapropria\u00e7\u00e3o judicial<\/strong>.\u201d<\/p><div class=\"soinw69d3bf4813969\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.soinw69d3bf4813969 {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.soinw69d3bf4813969 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.soinw69d3bf4813969 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.soinw69d3bf4813969 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.soinw69d3bf4813969 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.soinw69d3bf4813969 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"odjzt69d3bf4813954\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.odjzt69d3bf4813954 {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.odjzt69d3bf4813954 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.odjzt69d3bf4813954 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.odjzt69d3bf4813954 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.odjzt69d3bf4813954 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.odjzt69d3bf4813954 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n\n\n\n\n<p><strong>Fernanda Marinela<\/strong>&nbsp;(2015, p. 909) denomina a hip\u00f3tese de \u201c<strong>desapropria\u00e7\u00e3o privada<\/strong>\u201d. Segundo ela, existe indefini\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 natureza do instituto, pois \u201cn\u00e3o se identifica com a desapropria\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, instituto de direito p\u00fablico, como tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser confundido com a usucapi\u00e3o, pois este \u00e9 gratuito.\u201d&nbsp;<strong>Matheus Carvalho<\/strong>&nbsp;(2020, p. 1079) tamb\u00e9m denomina a hip\u00f3tese de \u201c<strong>desapropria\u00e7\u00e3o privada<\/strong>\u201d.&nbsp;<strong>Daniel Carnacchioni<\/strong>&nbsp;(2020, p. 1487) denomina de \u201cexpropria\u00e7\u00e3o privada ou desapropria\u00e7\u00e3o privada\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O instituto n\u00e3o \u00e9 uma usucapi\u00e3o por se materializar num perdimento do bem e ser oneroso, tal como nas desapropria\u00e7\u00f5es. O que a aproximaria com a usucapi\u00e3o seria a exig\u00eancia do lapso temporal de cinco anos e a delimita\u00e7\u00e3o de \u00e1rea. Todavia, como dito, por estar listado nos par\u00e1grafos que indicam restri\u00e7\u00f5es \u00e0 propriedade, o instituto \u00e9 uma forma de desapropria\u00e7\u00e3o.&nbsp;Defendemos isso em nosso livro sobre o tema&nbsp; &#8211; Juspodivm, 2018 \u2013&nbsp;<a>https:\/\/bit.ly\/3ef5jWr<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A denomina\u00e7\u00e3o que parece ser a mais adequada para o instituto seria&nbsp;<strong>desapropria\u00e7\u00e3o judicial<\/strong>, pois \u00e9,&nbsp;<strong>1)<\/strong>&nbsp;\u00e9 desapropria\u00e7\u00e3o por implicar na perda da coisa;&nbsp;<strong>2)<\/strong>&nbsp;o juiz \u00e9 que fixar\u00e1 a justa indeniza\u00e7\u00e3o devida ao propriet\u00e1rio (\u00a7 5\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Anderson Schreiber&nbsp;<\/strong>(2019, p. 745) entende, por\u00e9m, que nenhuma das propostas \u00e9 tecnicamente perfeita. Para ele, o instituto n\u00e3o \u00e9 esp\u00e9cie de usucapi\u00e3o, nem desapropria\u00e7\u00e3o, mas \u201cuma nova hip\u00f3tese de defesa contra a reinvindica\u00e7\u00e3o do bem im\u00f3vel.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Como vemos, o instituto ainda n\u00e3o encontrou consenso nem quanto \u00e0 natureza jur\u00eddica, nem quanto \u00e0 denomina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Cremos, por\u00e9m, que estamos diante de uma&nbsp;<strong>desapropria\u00e7\u00e3o judicial<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Abra\u00e7o a todos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Rodrigo Leite |&nbsp;Telegram:&nbsp;https:\/\/t.me\/pilulasjuridicasSTFSTJ O art. 1228 do C\u00f3digo Civil come\u00e7a por listar os direitos do propriet\u00e1rio e nos par\u00e1grafos traz restri\u00e7\u00f5es a esse direito. No \u00a7 4\u00ba enuncia que \u201co propriet\u00e1rio tamb\u00e9m pode ser privado da coisa se o im\u00f3vel reivindicado consistir em extensa \u00e1rea, na posse ininterrupta e de boa-f\u00e9, por mais de<br \/><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2020\/07\/10\/art-1-228-paragrafos-4o-e-5o-do-codigo-civil-usucapiao-desapropriacao-privada-ou-desapropriacao-judicial\/\">Mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":5395,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11316"}],"collection":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11316"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11316\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11322,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11316\/revisions\/11322"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5395"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11316"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11316"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11316"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}