{"id":10647,"date":"2020-06-18T18:20:54","date_gmt":"2020-06-18T21:20:54","guid":{"rendered":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/?p=10647"},"modified":"2020-06-18T18:20:54","modified_gmt":"2020-06-18T21:20:54","slug":"os-conselhos-de-fiscalizacao-profissional-devem-arcar-com-o-preparo-recursal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/index.php\/2020\/06\/18\/os-conselhos-de-fiscalizacao-profissional-devem-arcar-com-o-preparo-recursal\/","title":{"rendered":"Os Conselhos de Fiscaliza\u00e7\u00e3o Profissional devem arcar com o preparo recursal?"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Por Rodrigo Leite<\/em><\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<p>No <strong>REsp 1.338.247\/RS<\/strong>, 10\/10\/2012, o STJ entendeu que <em>o benef\u00edcio da isen\u00e7\u00e3o do preparo, conferido aos entes p\u00fablicos previstos no art. 4\u00ba, caput, da Lei n. 9.289\/1996, \u00e9 inaplic\u00e1vel aos Conselhos de Fiscaliza\u00e7\u00e3o Profissional<\/em> <strong>(Tema 625).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" width=\"940\" height=\"626\" src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/dinheiro_940x626-4625998.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5504\" srcset=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/dinheiro_940x626-4625998.jpg 940w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/dinheiro_940x626-4625998-300x200.jpg 300w, https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/dinheiro_940x626-4625998-768x511.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A priori esse entendimento parece conflitar com a posi\u00e7\u00e3o do STF sobre a natureza jur\u00eddica desses conselhos.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, h\u00e1 muito, a jurisprud\u00eancia do Supremo Tribunal Federal entende que os conselhos de fiscaliza\u00e7\u00e3o profissional possuem a natureza jur\u00eddica de autarquias \u2013&nbsp;<em>vide<\/em>&nbsp;o long\u00ednquo&nbsp;(RE 29233\/SP, Rel.&nbsp; Min. C\u00e2ndido Motta, julgado em&nbsp;<strong>27\/09\/1956<\/strong>).<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 recentemente, o STF confirma sua posi\u00e7\u00e3o para decidir que&nbsp;<em>\u201cos conselhos de fiscaliza\u00e7\u00e3o profissional t\u00eam natureza jur\u00eddica de autarquia\u201d<\/em>&nbsp;(<strong>ARE 1249987 AgR\/PR<\/strong>, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 06\/03\/2020.&nbsp;Semelhantemente:&nbsp;<strong>RE 1239218 AgR\/RJ<\/strong>, Rel.&nbsp; Min. Gilmar Mendes, julgado em 21\/02\/2020 e&nbsp;<strong>RE 1112310 ED-AgR<\/strong>, Rel.&nbsp; Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 29\/11\/2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, inicialmente poder\u00edamos entender que \u2013 por serem autarquias \u2013 os conselhos de fiscaliza\u00e7\u00e3o profissional estariam isentos do pagamento de custas, tal como prev\u00ea o art. 1007, \u00a7 1\u00ba do CPC\/2015 (antigo art. 511 do CPC\/1973).<\/p>\n\n\n\n<p>O tema, no \u00e2mbito da esfera federal \u00e9 regido pela&nbsp;Lei n. 9.289, de 4 de julho de 1996, que disp\u00f5e sobre as custas devidas \u00e0 Uni\u00e3o, na Justi\u00e7a Federal de Primeiro e Segundo Graus e em seu artigo 4\u00ba prev\u00ea:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><em>\u201c<strong>Art. 4\u00b0.<\/strong>&nbsp;S\u00e3o isentos de pagamento de custas:<\/em><\/p><p><em>I &#8211; a Uni\u00e3o, os Estados, os Munic\u00edpios, os Territ\u00f3rios Federais, o Distrito Federal&nbsp;<strong>e&nbsp;<\/strong>as respectivas autarquias e funda\u00e7\u00f5es;<\/em><\/p><p><em>II &#8211; os que provarem insufici\u00eancia de recursos e os benefici\u00e1rios da assist\u00eancia judici\u00e1ria gratuita;<\/em><\/p><p><em>III &#8211; o Minist\u00e9rio P\u00fablico;<\/em><\/p><p><em>IV &#8211; os autores nas a\u00e7\u00f5es populares, nas a\u00e7\u00f5es civis p\u00fablicas e nas a\u00e7\u00f5es coletivas de que trata o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, ressalvada a hip\u00f3tese de litig\u00e2ncia de m\u00e1-f\u00e9.<\/em><\/p><div class=\"qwubr69d8f5813b982\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/mobile-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.qwubr69d8f5813b982 {\r\ntext-align: center;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.qwubr69d8f5813b982 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.qwubr69d8f5813b982 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.qwubr69d8f5813b982 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.qwubr69d8f5813b982 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.qwubr69d8f5813b982 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<div class=\"lezdd69d8f5813b964\" ><!--<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3QdrqTZ\" target=\"_blank\">\n<img src=\"https:\/\/justicapotiguar.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/desktop-geral.gif\"\/><a\/>--><\/div><style type=\"text\/css\">\r\n.lezdd69d8f5813b964 {\r\ntext-align: center;\nmargin-bottom: 1em;\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 1201px) {\r\n.lezdd69d8f5813b964 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 993px) and (max-width: 1200px) {\r\n.lezdd69d8f5813b964 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 769px) and (max-width: 992px) {\r\n.lezdd69d8f5813b964 {\r\ndisplay: block;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (min-width: 768px) and (max-width: 768px) {\r\n.lezdd69d8f5813b964 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n@media screen and (max-width: 767px) {\r\n.lezdd69d8f5813b964 {\r\ndisplay: none;\r\n}\r\n}\r\n<\/style>\r\n<p><em>Par\u00e1grafo \u00fanico. A isen\u00e7\u00e3o prevista neste artigo n\u00e3o alcan\u00e7a as entidades fiscalizadoras do exerc\u00edcio profissional, nem exime as pessoas jur\u00eddicas referidas no inciso I da obriga\u00e7\u00e3o de reembolsar as despesas judiciais feitas pela parte vencedora.\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O dispositivo acima \u2013 art. 4\u00ba, I \u2013 menciona que&nbsp;<em>\u201ca Uni\u00e3o, os Estados, os Munic\u00edpios, os Territ\u00f3rios Federais, o Distrito Federal e as respectivas autarquias e funda\u00e7\u00f5es\u201d<\/em>&nbsp;s\u00e3o isentas do pagamento de custas.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, o par\u00e1grafo \u00fanico<strong>, traz uma regra de exclus\u00e3o dos conselhos de fiscaliza\u00e7\u00e3o<\/strong>:&nbsp;<em>\u201ca isen\u00e7\u00e3o prevista neste artigo&nbsp;<strong>n\u00e3o alcan\u00e7a as entidades fiscalizadoras do exerc\u00edcio profissional<\/strong>, nem exime as pessoas jur\u00eddicas referidas no inciso I da obriga\u00e7\u00e3o de reembolsar as despesas judiciais feitas pela parte vencedora.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Compreendeu o STJ que o art. 4\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei 9.289\/1996, e os arts. 3\u00ba, 4\u00ba e 5\u00ba da Lei 11.636\/2007 (que disp\u00f5e sobre as custas judiciais devidas no \u00e2mbito do Superior Tribunal de Justi\u00e7a), possuem car\u00e1ter especial e prevalecem sobre o art. 39 da Lei n. 6.830\/1980 (LEF) e sobre o&nbsp;<strong>art. 1007, \u00a7 1\u00ba, do CPC:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cArt. 1.007. No ato de interposi\u00e7\u00e3o do recurso, o recorrente comprovar\u00e1, quando exigido pela legisla\u00e7\u00e3o pertinente, o respectivo preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, sob pena de deser\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00a7 1\u00ba&nbsp;<strong>S\u00e3o dispensados de preparo,<\/strong>&nbsp;inclusive porte de remessa e de retorno, os recursos interpostos pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, pela Uni\u00e3o, pelo Distrito Federal, pelos Estados, pelos Munic\u00edpios,&nbsp;<strong>e respectivas autarquias<\/strong>, e pelos que gozam de isen\u00e7\u00e3o legal.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se, como podemos perceber, de um tema que possui uma&nbsp;<strong>peculiaridade interessante<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<em>pode ser um excelente questionamento em provas<\/em>, por exemplo. Apesar de receberem a qualifica\u00e7\u00e3o jur\u00eddica de autarquia (pelo STF, diga-se de passagem),&nbsp;<strong>os conselhos de profiss\u00e3o n\u00e3o est\u00e3o isentos do preparo recursal, como as autarquias em sentido estrito est\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os Conselhos de Profiss\u00e3o s\u00e3o autarquias que devem realizar o preparo para que seus recursos seus admitidos (o preparo \u00e9 requisito objetivo e extr\u00ednseco de admissibilidade recursal), n\u00e3o sendo-lhes aplic\u00e1vel o art. 1007, \u00a7 1\u00ba, do CPC. Assim, consolidou o STJ no&nbsp;<strong>REsp 1.338.247\/RS<\/strong>&nbsp;<strong>(Tema 625).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Acompanhe o canal&nbsp;\u201cP\u00edlulas Jur\u00eddicas \u2013 STF e STJ\u201d no Telegram:&nbsp;&nbsp;<a href=\"https:\/\/t.me\/pilulasjuridicasSTFSTJ\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\"><strong>https:\/\/t.me\/pilulasjuridicasSTFSTJ<\/strong><\/a><br><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Abra\u00e7o a todos!<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rodrigo Leite<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Coautor do livro \u201cAn\u00e1lise das Diverg\u00eancias Jurisprudenciais no STF e STJ\u201d, Editora Juspodivm. Autor do livro \u201cTombamento \u2013 Vol. 36 \u2013 Cole\u00e7\u00e3o Leis Especiais para Concursos\u201d, Editora Juspodivm. Autor do livro \u201cDesapropria\u00e7\u00e3o \u2013 Vol. 39 \u2013 Cole\u00e7\u00e3o Especiais para Concursos\u201d, Editora Juspodivm. Coautor do livro \u201cSaberes Jurisprudenciais\u201d, Editora Saraiva. Especialista em Direito P\u00fablico e Direito Processual Civil. Mestre em Direito Constitucional. Aluno laureado das Turmas 2005.2 da Universidade Potiguar. Autor de artigos jur\u00eddicos. M\u00e1ster Universit\u00e1rio em Direito Constitucional pela Universidad Del Pa\u00eds Vasco, San Sebasti\u00e1n, Espanha. Advogado licenciado. Assessor de Desembargador do TJRN.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Rodrigo Leite No REsp 1.338.247\/RS, 10\/10\/2012, o STJ entendeu que o benef\u00edcio da isen\u00e7\u00e3o do preparo, conferido aos entes p\u00fablicos previstos no art. 4\u00ba, caput, da Lei n. 9.289\/1996, \u00e9 inaplic\u00e1vel aos Conselhos de Fiscaliza\u00e7\u00e3o Profissional (Tema 625). 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